Mais dois casos de gripe suína --influenza A (H1N1)-- foram registrados no Brasil, informou o Ministério da Saúde nesta terça-feira. Com isso, sobem para 40 os casos confirmados no país.
De acordo com o Ministério da Saúde, os novos casos foram confirmados em Santa Catarina e no Distrito Federal. Os pacientes foram infectados durante viagem ao exterior, estão em isolamento domiciliar e passam bem.
Com os novos registros, Santa Catarina tem seis casos confirmados e o Distrito Federal, um. Também há casos em São Paulo (17), Rio de Janeiro (9), Tocantins (3), Mato Grosso (2), Minas Gerais (1) e Rio Grande do Sul (1). Nove dos casos foram contraídos dentro do país (autóctone).
O ministério acompanha outros 49 casos suspeitos --em 13 Estados e no Distrito Federal.
Morte
Uma jovem de 20 anos de origem brasileira, residente nos Estados Unidos, morreu vítima da gripe suína no último dia 30 de maio, em Chicago (Illinois). Caitlin Anne Treat Huber nasceu em Fortaleza (CE), mas morava nos Estados Unidos desde os três meses de vida, quando foi adotada pelo casal norte-americano.
Ela foi internada no dia 23 do mês passado, com sintomas de uma forte pneumonia. Grávida de seis meses e debilitada, ela foi submetida a uma cesariana no dia 29. Em coma, ela morreu no dia seguinte.
Sintomas
A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.
Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).
OMS reconhece que pandemia de gripe suína é iminente
A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu nesta terça-feira que a declaração de uma pandemia de gripe suína é iminente e que não foi feita ainda para que o mundo seja preparado para entender corretamente esse passo.
"Sabemos que o vírus continua se espalhando pelo mundo, e que a atividade dele está aumentando em diferentes países. Estamos cada vez mais perto de uma situação pandêmica, mas a OMS está trabalhando duramente para preparar os países, as pessoas", disse o diretor-geral adjunto da OMS, Keiji Fukuda, em entrevista coletiva.
"Se declararmos a fase seis de pandemia, isso significa que o vírus está se espalhando e que há contágios estabelecidos em países de diversas regiões", afirmou. Atualmente, o alerta de pandemia está no nível cinco, o segundo mais alto.
Mas o número dois da OMS esclareceu que "isso não significa que o vírus tenha se tornado mais grave, que a doença seja mais severa ou que tenha aumentado a taxa de mortalidade".
Segundo ele, essa política busca "evitar efeitos adversos", entre eles restrições de viagens, fechamentos de fronteiras ou bloqueios ao comércio.
Fukuda confirmou que a organização decidiu não levar em conta o critério de gravidade da doença para passar à fase seis e "manter os anteriores critérios" de expansão do vírus. Muitos dos 193 membros da OMS haviam pressionado a organização por uma revisão dos critérios, temendo pânico e riscos financeiros no caso de decretação de pandemia.
Na prática, os requisitos para que o alerta de pandemia chegue ao nível máximo já foram preenchidos --contágio comunitário em uma região que não seja a mesma do primeiro foco da doença-- mas a OMS o manteve no nível 5, o segundo mais alto.
Os critérios foram definidos após a crise da gripe aviária, diante do entendimento de que era necessário ter um guia de atuação comum para todos os países.
Balanço
Segundo o último balanço divulgado pela OMS nesta segunda-feira, ao menos 25.288 pessoas, de 73 países, já contraíram gripe suína --como é chamada a gripe A (H1N1). Em 139 casos, os pacientes morreram. No Brasil, há 35 casos confirmados de gripe suína.
Os Estados Unidos continuam concentrando o maior número de casos da doença, 13.217, com 27 mortes. O vizinho México, porém, continua sendo o epicentro da gripe suína, por registrar 106 mortes entre os seus 5.717 casos. Houve mortes ainda no Canadá --três entre 2.115 casos--; no Chile --uma em 411--; na Costa Rica --uma entre 68 casos--; e na República Dominicana --uma em 44.
Os demais países com casos de gripe suína são Alemanha (63), Argentina (202), Arábia Saudita (1), Austrália (1.051), Áustria (5), Bahamas (1), Bahrein (1), Barbados (2), Bélgica (14), Bolívia (3), Bulgária (2), China (108), Cingapura (15), Colômbia (25), Cuba (5), Chipre (1), Coreia do Sul (47), Dinamarca (7), Dominica (1), Egito (1), Emirados Árabes Unidos (1), Equador (60), El Salvador (41), Eslováquia (3), Espanha (291), Estônia (1), Filipinas (33), Finlândia (4), França (58), Guatemala (30), Grécia (5), Holanda (10), Honduras (34), Hungria (3), Ilhas Cayman (1), Islândia (1), Índia (4), Irlanda (11), Israel (54), Itália (50), Jamaica (4), Japão (410), Kuait (18), Líbano (3), Luxemburgo (1), Malásia (5), Nicarágua (18), Noruega (9), Nova Zelândia (14), Panamá (179), Paraguai (5), Peru (61), Polônia (4), Portugal (2), Reino Unido (557), República Tcheca (2), Romênia (9), Rússia (3), Suécia (14), Suíça (16), Tailândia (8), Trinidad e Tobago (2), Turquia (10), Uruguai (17), Venezuela (4) e Vietnã (9).
Jovem de origem brasileira morre nos EUA vítima de gripe suína
Uma jovem de 20 anos de origem brasileira, residente nos Estados Unidos, morreu vítima da gripe suína no último dia 30 de maio, em Chicago (Illinois).
Caitlin Anne Treat Huber nasceu em Fortaleza (CE), mas morava nos Estados Unidos desde os três meses de vida, quando foi adotada pelo casal norte-americano Vicki L. Treat e Charles F. Huber, do Estado de Nebraska.
No dia 23 de maio, então grávida de seis meses da segunda filha, a jovem deu entrada no Illinois Medical Center at Chicago com sintomas de uma forte pneumonia. Dado o diagnóstico de gripe suína seis dias depois, os médicos optaram por adiantar o parto com uma cesariana. Como seu estado de saúde piorava rapidamente, Caitlin deu à luz em coma na sexta-feira (29). No dia seguinte ao parto, a jovem não resistiu e morreu. Caitlin morava em Chicago com o noivo, Antonio Palafox, pai da criança.
Segundo o irmão da jovem, Chas Treat Huber, 22 --também de origem brasileira e adotado pela família quando criança--, a sobrinha nasceu saudável, mas permanece internada na unidade da UTI Neonatal do hospital.
Chas afirmou que ninguém da família foi infectado, nem mesmo o noivo e a outra filha de Caitlin --de 1 ano, fruto de um relacionamento anterior. No entanto, a menina está tomando medicamentos antigripe para evitar um possível contágio.
"Estamos bem, não apresentamos sintomas da doença e estamos cuidando da criança, dando remédio para garantir que ela não contraia a doença. Meus pais têm visitado a recém-nascida no hospital. Estamos todos muito tristes", disse à Folha Online.
Apesar do risco, o irmão afirma que a família não teme ser contaminada pela doença, pois a irmã, segundo ele, foi infectada em Illinois.
Caitie, como era conhecida, foi cremada na última quarta-feira (3), em Chicago. Nesta semana, parentes e amigos próximos fizeram uma homenagem a ela em Lincoln, capital de Nebraska, cidade onde ela foi criada.
Segundo a pediatra cearense Solange Uchôa de Oliveira, 57, que acompanhou o processo de adoção e mantinha contato com a jovem, Caitie visitou o Brasil apenas uma vez, em 2003, acompanhada da família.
Gripe suína nos Estados Unidos
O Estado de Illinois apresenta o segundo maior número de mortes por gripe suína dos Estados Unidos, quatro no total. O número só é menor do que o de Nova York, onde oito pessoas morreram.
De acordo com o CDC (Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos), 27 pessoas morreram infectadas pelo vírus da gripe suína --como é chamada a gripe A (H1N1)-- nos Estados Unidos. Conforme o órgão, há 13.217 casos da doença no país.
Até agora o vírus matou em dez Estados: Arizona (4), Illinois (5), Michigan (1), Missouri (1), Nova York (8), Texas (3), Utah (2), Virginia (1) e Washington (1) e em Porto Rico (1), segundo o CDC.
Fontes: FOLHA - Efe - France Presse
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