Parte da família e amigos mais próximos do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), devem aconselhá-lo a se afastar da presidência do Senado. O senador deve se reunir em breve com seu grupo mais próximo.
A análise inicial é de que, sem o apoio do DEM, bombardeado pelo PSDB e com o apoio relutante do PT, ele não teria mais condições de permanecer à frente do Senado e ficaria cada vez mais exposto a críticas e denúcias da imprensa e da oposição.
A decisão final é do próprio Sarney, que ainda não deixou transparecer claramente que decisão tomará.
A pressão pela saída de Sarney aumentou depois da descoberta que seu neto é dono de uma empresa que negocia contratos de empréstimos consignados com funcionários do Senado. Vários parentes de Sarney foram empregados em gabinetes de outros senadores por meio de nomeações em atos secretos.
A bancada do DEM no Senado decidiu em reunião hoje defender o afastamento da José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. O DEM apoiou a eleição de Sarney e se reuniu para revisar o apoio incondicional do partido ao peemedebista após as denúncias de irregularidades nas contratações de parentes.
"O DEM apoia claramente o pedido de licença do presidente Sarney até que a investigação apresente resultados. As investigações precisam ser transparentes e ter credibilidade, disse o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN).
Um pouco antes, no Twitter, Agripino antecipou que iria defender na reunião o afastamento de Sarney do cargo. "Vou defender na reunião de bancada a tese da isenção das investigações. Como as investigações são conduzidas pelos funcionários do Senado, acompanhados pelo Ministério Público e TCU (Tribunal de Contas da União). A isenção recomenda a licença do presidente Sarney", diz Agripino no Twitter.
O PSOL protocolou hoje a segunda representação contra Sarney para que ele seja investigado no Conselho de Ética do Senado. Ontem, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), denunciou Sarney e pediu que ele fosse investigado no conselho pelos mais de 600 atos secretos da Casa.
Sarney encaminhou neste fim de semana uma carta aos 80 colegas de Senado para se defender das denúncias de que seu neto teria sido favorecido em negociações com a instituição. Sarney reconhece que uma empresa de José Adriano Sarney intermediava empréstimos consignados para servidores da Casa, mas afirma que não interferiu nos negócios do neto.
"Nenhuma ligação pode ser feita entre a minha presidência e o fato objeto da reportagem. Quero também comunicar-lhe que pedi à Polícia Federal que investigue todos os empréstimos consignados no Senado e as empresas que os operam", afirma ele na carta.
Em nota divulgada na quinta-feira, o presidente do Senado afirmou que existe uma "campanha midiática" contra sua permanência no comando da Casa porque apoia o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sarney disse que seu neto tem qualificação profissional para intermediar empréstimos consignados entre instituições bancárias e servidores do Senado.
Fonte: FOLHA/MÔNICA BERGAMO
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