Em 50 cidades votaram mais eleitores do que os inscritos, diz o site do canal estatal de televisão Press TV
REDAÇÃO CENTRAL - O Conselho de Guardiães do Irã admitiu nesta neste domingo, 21, (Segunda-feira em horário local) que nas eleições do dia 12 de junho foram cometidas irregularidades nas votações, informa o site do canal estatal de televisão Press TV.
Segundo cita o canal, o órgão assegurou que em 50 cidades votaram mais eleitores do que os inscritos, o que implica em mais de 3 milhões de eleitores, reconheceu o porta-voz do Conselho, Abbas-Ali Kadkhodaei.
Neste domingo, o líder da oposição no Irã Mirhossein Mousavi pediu a seus partidários para continuar os protestos sobre a contestada eleição presidencial, em um desafio direto à liderança da República Islâmica. Helicópteros sobrevoavam Teerã e tiros podiam ser ouvidos no norte da capital. "Protestar contra mentiras e fraude (nas eleições) é um direito seu (iraniano)", disse ele em um comunicado em seu website. "Em seus protestos, continuem a mostrar comedimento. Eu espero que as forças armadas evitem danos irreversíveis", adicionou.
As autoridades prenderam a filha e outros 4 parentes do ex-presidente Hashemi Rafsanjani, um dos homens mais poderosos do Irã, por terem participado de uma manifestação ilegal. Pelo menos 24 jornalistas e blogueiros foram presos desde os protestos deflagrados.
Os confrontos entre a polícia e manifestantes que deixaram um saldo de 17 mortos e mais de cem feridos ontem na capital, segundo divulgou hoje a TV estatal. A polícia está nas ruas. Só no sábado morreram pelo menos 10 pessoas.
A contestada eleição de 12 de junho, que reelegeu o presidente conservador Mahmoud Ahmadinejad, gerou as manifestações mais violentas desde a Revolução Islâmica que derrubou o governo apoiado pelos Estados Unidos em 1979.
Líder do Parlamento iraniano critica postura de países europeus
TEERÃ - O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, pediu neste domingo, 21, aos legisladores que reconsiderem as relações com Reino Unido, Alemanha e França, nações acusadas de instigar os distúrbios que sacodem o país desde a divulgação dos resultados do pleito presidencial do último dia 12.
Segundo a rádio estatal, Larijani classificou como "vergonhosa" a postura adotada pelas três potências europeias e pelos Estados Unidos. Em resposta, sugeriu à Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento que "repense os laços com os três países europeus".
O pedido do parlamentar foi feito horas depois de o ministro de Assuntos Exteriores, Manouchehr Mottaki, ter acusado Alemanha, França e Reino Unido de tentar interferir nos assuntos internos do Irã. "Os políticos de certos países fizeram declarações intrusivas e irresponsáveis (...). Eles deveriam pensar duas vezes antes de questionar o processo democrático das últimas eleições", afirmou Mottaki.
Ele foi especialmente duro com a Chancelaria britânica, que estaria perturbando a paz no Oriente Médio para "proteger o Estado sionista (Israel)". Além disso, pediu à França que se desculpe pelas declarações do presidente Nicolas Sarkozy, que disse ter certeza de que são verdadeiras as denúncias de fraude nas eleições. Sobre os diplomatas alemães, o ministro iraniano disse que estão "intimidados" por Israel.
Recontagem de votos
Líderes ocidentais defenderam neste domingo uma recontagem de votos justa no Irã e pediram que o país aceite manifestações pacíficas. O secretário de Relações Exteriores da Inglaterra, David Miliband, rejeitou acusações de que governos de outros países estejam interferindo em questões iranianas, segundo a Reuters.
Ele minimizou comentários do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad que pediram para os Estados Unidos e a Inglaterra pararem de interferir nos assuntos internos da república islâmica. "O Reino Unido é categórico em sua posição de que cabe ao povo iraniano escolher o governo e às autoridades iranianas assegurarem a integridade do resultado e a proteção de seu próprio povo."
A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu que as autoridades iranianas recontem votos, evitem usar violência contra manifestantes, libertem membros detidos da oposição e permitam a cobertura livre da imprensa sobre as manifestações. "A Alemanha está do lado do povo iraniano, que quer exercitar seu direito de liberdade de expressão e de promover reuniões livres", disse ela em comunicado.
Autoridades iranianas já prenderam ao menos 24 jornalistas
PARIS - Autoridades iranianas já prenderam pelo menos 24 jornalistas e blogueiros desde os protestos deflagrados com a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, por motivos ainda não esclarecidos na maioria dos casos. Segundo a organização Repórteres sem Fronteiras (RSF), os jornalistas se tornaram um "alvo prioritário" do governo do Irã.
"Está ficando cada vez mais problemático para os jornalistas", disse neste domingo, 21, Benoit Hervieu, do escritório francês da RSF, que divulgou o nome de 23 jornalistas presos desde 14 de junho. A entidade acrecentou que perdeu contato com vários outros repórteres que poderiam estar presos ou escondidos.
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Entre os presos está o presidene da Associação de Jornalistas Iranianos e um repórter canadense da Newsweek. Neste domingo, um correspondente da rede britânica BBC também foi expulso do país.
A revista Newsweek afirmou que seu correspondente Maziar Bahari foi detido sem acusação na manhã deste domingo e desde então não recebeu mais informações sobre seu paradeiro. Em comunicado, a publicação disse que sua cobertura do Irã é "justa e diversificada" e pediu a soltura de seu repórter.
Fontes: AFP - Agência ESTADO - Efe
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