
Manifestantes incendiam carro e atacam prédio nos protestos desta segunda-feira; novo protesto foi convocado
A declaração foi feita um dia após o pedido do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de que o órgão investigasse as denúncias da oposição de fraude eleitoral na votação que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad com ampla margem.
O porta-voz do Conselho, Abbas Ali Kadkhodai, ressaltou, contudo, que a recontagem será apenas das urnas em que existam denúncias de irregularidades.
Em entrevista publicada pela agência oficial de notícias Irna, Kadkhodai afirmou que "o Conselho está disposto a recontar os votos nas urnas em que os candidatos acreditam que foram cometidas fraudes".
"Se o Conselho dos Guardiães chegar à conclusão de que foram cometidas infrações como compra de votos ou utilização de carteiras de identidade falsas ordenará uma recontagem", afirmou Kadkhodai.
O principal candidato da oposição, Mir Hossein Mousavi, que se declarou vencedor após o fechamento dos colégios eleitorais, denunciou ao Conselho de Guardiães que o Ministério do Interior e "um dos candidatos influíram no resultado".
Os resultados provisórios, que devem ser ratificados pelo Conselho para que a reeleição seja oficial, deram a vitória ao atual presidente com cerca de 62% dos votos contra 34% de Mousavi --embora as pesquisas de intenção de voto indicassem uma disputa acirrada.
Protestos e morte
A surpreendente maioria absoluta do líder gerou uma onda de violência e de protestos em todo o país que na segunda-feira terminou com a morte de pelo menos sete pessoas, além de dezenas de feridos e detidos, segundo relatos da rádio nacional iraniana Payam.
"Um grupo de manifestantes quis atacar um posto militar e realizou diversos atos de vandalismo contra o patrimônio público na praça de Azadi. Infelizmente sete pessoas morreram e várias outras ficaram feridas", informou a rádio.
A Payam não especificou se os mortos eram seguidores de Mousavi ou milicianos Basij, ligados à Guarda Revolucionária.
Os manifestantes convocaram para esta terça-feira o quarto dia de grande manifestação contra a suposta fraude eleitoral e em apoio ao reformista Mousavi, principal líder da oposição.
Novos protestos --especialmente se continuarem na mesma escala-- seriam um desafio direto às autoridades, que têm controlado de perto a oposição desde a queda do xá apoiado pelos Estados Unidos há 30 anos após manifestações.
Nesta segunda-feira, centenas de milhares de pessoas se reuniram em uma das principais avenidas de Teerã em apoio a Mousavi, que pediu a repetição das eleições. A manifestação, silenciosa e pacífica, terminou com uma série de enfrentamentos na praça de Azadi, no noroeste da cidade, e focos de violência esporádicos em outros pontos da capital.
As agências de notícias internacionais relataram nesta segunda-feira que ao menos um manifestante morreu, baleado por milicianos Basij.
A agência Efe cita estudantes ao afirmar que ao menos outras quatro pessoas morreram na noite anterior, durante uma incursão da polícia e do Basij em uma das residências do campus.
Ahmadinejad
O presidente está nesta terça-feira na Rússia, após adiar em um dia a viagem.
Apesar de ter sua reunião com o colega russo, Dmitri Medvedev, cancelada, o presidente iraniano foi à público declarar que "a época dos impérios terminou" e que considera imprescindível elaborar novos mecanismos e estruturas políticas e econômicas internacionais.
"É evidente que a época dos impérios terminou e que jamais renascerão", disse Ahmadinejad na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, organização regional da qual participa como observador.
O iraniano denunciou que o atual sistema político-econômico mundial é antiquado, e considerou ser urgente criar novos mecanismos de gestão de crise e solução dos conflitos internacionais.
Segundo Ahmadinejad, "os eventos e desordens internacionais demonstram que o sistema político e econômico mundial está enfraquecido".
Ele não falou sobre os protestos no Irã, embora tenha defendido no domingo passado (14) que o processo eleitoral foi "livre e saudável" e comparado os eleitores que protestam contra sua reeleição a torcedores de um time que perdeu.
Fontes: REUTERS - FOLHA
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