Jorge Serrão
O Supremo Tribunal Federal – independentemente da intenção de seus membros – fez um favor ao jornalismo tupiniquim. Tomou a decisão (polêmica, porém acertada) de acabar com a exigência do diploma universitário para o exercício da profissão de Jornalista. A liberdade de imprensa está acima de qualquer pedaço de papel. E muito acima da vaidade dos poderosos.
A cutucada do STF no Jornalismo obrigará os jornalistas a uma autocrítica sobre o próprio papel e atuação. Precisamos retomar nosso compromisso com a Verdade – cujo conceito é: a Realidade Universal Permanente. Temos de compreender como funciona o mundo globalizado controlado pela Oligarquia Financeira Transnacional. Só cumpriremos nossa missão se tivermos ética para bem informar. Nada disso depende de diploma.
O livre pensador Arlindo Montenegro, no artigo Rumo ao Desconhecido, publicado, abaixo, cita um trecho do livro “Mental Obesity” – em que o antropólogo catedrático de Harvard, Andrew Oitke, no distante ano de 2001, chamava a atenção para os nossos abusos no campo da informação e conhecimento. No “Obesidade Mental”, o professor Oitke pega pesado com a atuação dos profissionais de imprensa (com diploma ou sem):
"O jornalista de hoje, alimenta-se quase que exclusivamente, de cadáveres de reputações, do lixo de escândalos... A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular ... Só a parte morta e apodrecida ou distorcida da realidade é que chega aos jornais".
Os profissionais da mídia estão na berlinda há muito tempo. Talvez por sermos coniventes ou omissos em combater o sistema de desinformação vigente. Felizmente, a opinião pública (mesmo que timidamente) cobra de quem executa a opinião publicada. A evolução da Internet também colabora para mudanças positivas no jornalismo que agora se pratica.
O fim do diploma não deve falir com os cursos de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Apenas vai obrigar as escolas superiores a se adaptarem a uma nova realidade. O curso de quatro anos pode dar lugar a um de Tecnólogo em Jornalismo, com dois anos de duração. Também vai obrigar a uma reavaliação da qualidade dos cursos de Jornalismo.
O STF deixou no ar uma lição fundamental. No seu voto, o único contra o fim da obrigatoriedade do diploma, o ministro Marco Aurélio de Mello destacou: “O jornalista deve ter uma formação básica que viabilize uma atividade profissional que repercute nas vidas dos cidadãos em geral".
As escolas de Jornalismo – se quiserem sobreviver – precisam aprimorar a qualidade dessa formação básica. Terá de focar em novos paradigmas capazes de superar o globalitarismo - que tenta sufocar a liberdade de informação. Precisará de se adaptar, cada vez mais depressa, às constantes mutações tecnológicas. Deverá retomar o processo produtivo que combine criatividade, ética, responsabilidade e sustentabilidade.
Se seguir tais princípios – o que é nada fácil – o Jornalismo voltará a ser uma “escola” para colaborar com a vida. Seu diploma terá valor real e objetivo. Jamais será rasgado! Até porque Jornalismo não é para qualquer um. A profissão merece respeito. Mas, hoje, para que isto aconteça, os jornalistas precisam de dar ao respeito. Eis o grande desafio.
Jorge Serrão tenta salvar o diploma diariamente. Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos
Rumo ao Desconhecido
Arlindo Montenegro
Todos os aspectos da rearrumação dos interesses dos donos do mundo abrem as porteiras para o estouro da boiada rumo ao desconhecido. À pergunta “o que você quer da vida”, que supostamente deveria situar a pessoa diante de um objetivo refletido e de livre escolha, frequentemente a resposta que vem na bucha é: “Quero me dar bem!”. Trocando em miúdos a gente objetiva o conteúdo exclusivamente materialista.
Aquela resposta rara – “Quero ser feliz!” parece impossível para os contemporâneos, por estar quase sempre subordinada ao status material. Como ser feliz sem casa, carro, plano de saúde, cartão de crédito, guarda roupa, acesso a viagens, restaurantes, internet, celulares...? E tudo isto é existe de fato para quem se aplica profissionalmente e tem um emprego garantido. Ou para os empresários eficientes, líderes por excelência.
A cada dia surgem novos divertimentos e as pessoas saem para o encontro com a violência que não é mais surpreendente. As surpresas passam batidas porque o homem comum perdeu o escudo do respeito humano, subsiste sem a concepção de um Deus ativo em sua consciência. Sem ouvir a mesma consciência que se manifesta no silêncio e enunciação de propósitos, fundamentando as escolhas.
As fontes originais da destruição das instituições, estão presentes em todo o planeta. Os movimentos dos poderosos que controlam e formatam o intelecto da humanidade apontam para a breve implantação do governo totalitário mundial. Todo o terrorismo mantido pelos estados conduz para a “formula salvadora” da globalização institucional. Diversos pensadores nos advertem, mas nossos ouvidos estão moucos. Por que?
Recentemente, o Blog Libertador, publicou o resumo de um livro publicado em 2001 – “Mental Obesity” – em que um antropólogo, Andrew Oitke, discorre sobre algumas destas distrações que infestam os pensamentos e ações contemporâneas. Ele diz que o perigo maior que a sobrecarga de proteínas é a sobrecarga de preconceitos, a intoxicação de lugares comuns.
Os “formadores de opinião” conduzem-nos a “alimentar-nos” da opinião sobre tudo sem conhecer nada. "Os 'cozinheiros' destes alimentos intelectuais envenenados são jornalistas, romancistas, autores de telenovelas, dramaturgos, os cineastas, os falsos filósofos e mais um monte de gente profissional da informação, da educação e cultura. O Dr. Andrew faz algumas comparações elucidativas:
- "Os telejornais e telenovelas estão se transformando nos hamburgers do espírito ... As revistas de variedades e os livros de venda fácil são os “donuts” da imaginação. Os filmes se transformaram na pizza da sensatez. Todos se aperfeiçoam em estimular a violência e a sexualidade, estimulando, enfaticamente “a desagregação familiar, o homossexualismo, a permissividade e, não raro, a promiscuidade”.
Do capítulo “Os abutres”, foram recolhidas algumas afirmações:
"O jornalista de hoje, alimenta-se quase que exclusivamente, de cadáveres de reputações, do lixo de escândalos... A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular ... Só a parte morta e apodrecida ou distorcida da realidade é que chega aos jornais."
"O conhecimento das pessoas aumentou, mas é constituído de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos acham mais cômodo acreditar que Saddam é o mau e Mandella é o bom, mas ninguém se preocupa em questionar o que lhes é empurrado goela abaixo como "informação".
"Não admira que, no meio da prosperidade e da abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se e a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce, entretanto, a pornografia, o exibicionismo, a imitação, e o egoísmo”.
Não se trata nem de uma era em decadência, nem de uma 'idade das trevas' e nem do fim da civilização, como tantos apregoam... Trata- se, da obesidade que vem sendo induzida, sutilmente, no espírito e na mente humana. O homem moderno está adiposo no raciocínio, nos gostos e nos sentimentos.O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental."
E o Dr. Andrew chega a uma conclusão: "O problema central está na família e na escola”. Recentemente a revista inglesa The Economist, em sua edição da primeira semana de Junho/09, publicou um trabalho sobre as instituições de ensino no Brasil, destacando como lamentável a má formação dos professores, os altos índices de repetência dos estudantes, concluindo que a educação no Brasil, emperra o crescimento do país.
Com o padrão socializante imposto a toda a rede de ensino do País pelo Ministério da Educação, a escola está sem alternativas. Com toda a propaganda que entope os ouvidos da população, atingindo a maioria dos cidadãos incapazes de censura, estamos todos tocados como boiada em rumo ao desconhecido.
Na família, perdeu-se a sintonia com o espírito, o compartimento da consciência onde a presença permanente de um Deus parece ter sido deletado. Os pais têm o dever legal de fornecer o teto, alimento, educação, dinheiro para a diversão. Nenhuma obrigação filial é requerida. Nem mesmo a gentileza e o reconhecimento agradecido. Formam-se consciências predadoras. Confundem-se como humanas as reações instintivas, próprias dos irracionais.
Aquela consciência da presença de um Deus em nosso íntimo, sabendo tudo quanto pensamos e fazemos, marcando as escolhas e resultados, está esquecida. A censura moral está esquecida. Todos os direitos sem nenhum dever.
Arlindo Montenegro é Apicultor.
Matérias publicadas no site ALERTA TOTAL em 20.06.2009
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