Brasil vai sair mais rápido e fortalecido do quadro de recessão, dizem analistas

Helicópteros da FAB buscam 16 corpos em navio

Apesar de o país entrar tecnicamente em um quadro de recessão econômica --quando o PIB (Produto Interno Bruto) se retrai por dois trimestres consecutivos, o que deve ser divulgado hoje-- a economia brasileira, diferentemente de outras situações semelhantes vividas no passado, tem boas condições de se recuperar de forma mais rápida, avaliam especialistas ouvidos pela Folha Online.

A estabilidade macroeconômica, aliada ao cenário interno mais fortalecido, serão os pilares para a retomada do crescimento, fato que deverá ser observado já nos dados relativos ao PIB do segundo trimestre, e se intensificará na parte final do ano, de acordo com especialistas.

Marcel Pereira, economista chefe da RC Consultores, projeta retração de 0,6% do PIB no primeiro trimestre deste ano. O desempenho da economia neste período será divulgado nesta terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Embora o mercado projete retração na economia brasileira em 2009, Pereira estima que o PIB fechará este ano com crescimento de 0,3%.

"O Brasil está bem posicionado para sair bem dessa conjuntura de crise. A velocidade com que isso irá acontecer, vai depender de como o mundo vai se recuperar", afirma.

Ele ressalta que, ao contrário de quadros anteriores de recessão, a conjuntura externa atual impõe "condições mais duras". Mesmo assim, avalia que o país tem maior capacidade de atrair investimentos externos, ao contrário de crises anteriores, como em 2001, quando o apagão e a crise na Argentina fizeram o PIB cair por mais de dois trimestres consecutivos.

Professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Fernando Holanda Barbosa destaca que o governo vem adotando políticas corretas na macroeconomia, respondendo de "forma correta" à crise. Ele concorda que o país entrou em recessão, mas frisa que a economia já está em recuperação.

"No passado, quando havia uma crise externa, o governo respondia de forma errada. Desta vez, estão sendo mantidos os fundamentos macroeconômicos, utilizando os espaços para se reduzir os juros e a adoção de políticas anticíclicas", observa Barbosa.

O economista acrescenta que na década de 80, por exemplo, havia uma dívida externa "colossal" que prejudicava ainda mais o cenário econômico.

Para Marcela Prada, economista da Tendências Consultoria, a crise afetou os setores mais ligados à exportação, em função de sua origem externa. Apesar de a confiança do consumidor ter sido abalada, o mercado de trabalho não sofreu maiores impactos, reduzindo a percepção do brasileiro sobre a retração econômica.

"Os consumos das famílias e do governo vão continuar ajudando a segurar uma queda maior do PIB. A indústria é o setor que vem sendo mais impactado, especialmente segmentos mais dependentes das exportações", avalia.

Ela estima retração de 2% do PIB no primeiro trimestre, sendo que o desempenho da indústria deverá despencar 6,7%. "Já há sinais de recuperação na indústria, mas o retorno a níveis de 2008 só aconteceria a partir do ano que vem", completou.



Fonte: FOLHA - Efe

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails