Cerca de 70 turistas mexicanos que foram colocados em quarentena na China deixaram o país asiático nesta terça-feira em um avião fretado pelo governo do México para repatriá-los. O governo de Hong Kong, contudo, vetou a saída do mexicano de 25 anos que foi confirmado como único caso de gripe suína na região.

Policiais montam guarda na passagem de uma ambulância que transporta mexicanos em quarentena, na China
O avião aterrissou primeiro em Xangai e depois seguiu por outras cidades chinesas onde estavam os 71 turistas mexicanos colocados sob quarentena em hospitais e hotéis. Hong Kong chegou a fechar todo o Hotel Metro Park, em Hong Kong, onde estava o mexicano com gripe suína, denominada oficialmente gripe A (H1N1).
O presidente do México, Felipe Calderón, criticou a medida adotada pelo governo chinês e afirmou que nenhum dos turistas mexicanos isolados apresentavam sintomas da doença respiratória, que atingiu 590 pessoas em seu país, incluindo 25 mortes.

Passageiro mexicano é levado para avião enviado pelo México para repatriar cidadãos em quarentena na China
Um dos viajantes mexicanos comparou a quarentena forçada em Pequim a um sequestro.
Sob forte segurança --e proteção-- os mexicanos foram levados em comboio de ambulâncias até o aeroporto. Os motoristas dos veículos e todos os chineses que entraram em contato com os mexicanos usavam roupas completas de proteção.
Dos dez mexicanos isolados no Hotel Metro Park, oito deixaram o país no avião, disse Liang Banmian, porta-voz do Departamento de Saúde local. Outros dois permaneceram no país para tratar de negócios.
Segundo Liang, outros 23 turistas estrangeiros permanecem no hotel. Ele não especificou a nacionalidade dos turistas, mas, mais cedo, a Embaixada dos Estados Unidos afirmou que quatro americanos estão em quarentena no país asiático.
Liang defendeu as medidas de quarentena --criticadas por Calderón como humilhação. Ele afirmou que as medidas são autorizadas pela lei chinesa e seguem as instruções da OMS (Organização Mundial de Saúde).
"A tarefa que realizamos foi puramente para a segurança do público e de nossa cidade", disse Liang. Ele afirmou que os turistas foram bem tratados, receberam comidas e as crianças, brinquedos.
O avião deixou a capital Pequim na manhã desta terça-feira com destino à cidade de Guangzhou e à região Hong Kong. Mais tarde, decolou rumo à capital mexicana, Cidade do México.
"Eu acho que é injusto porque nós temos sido honestos e transparentes com o mundo. Alguns países e lugares estão adotando medidas repressivas e discriminatórias por causa da ignorância e da falta de informação", criticou Calderón nesta segunda-feira.
O Ministério de Relações Exteriores da China negou preconceito contra os mexicanos e afirmou que é apenas uma questão médica. Em comunicado, o ministério pediu ainda que o México seja "objetivo e calmo".
Vetado
O governo de Hong Kong proibiu a saída do turista mexicano de 25 anos, único caso de gripe suína confirmado até o momento.
"O paciente não deixará hoje Hong Kong", afirmou um porta-voz do departamento de Saúde e Alimentação local, ao acrescentar que o turista deve ficar por pelo menos mais sete dias em quarentena.
Nesta segunda-feira, o secretário da Saúde e Alimentação, York Chow, já tinha avisado que o paciente, cujo estado de saúde é "estável", não deixará o hospital até que os responsáveis sanitários estejam "plenamente seguros de que já não está infectado".

Funcionários do governo se preparam para entrar em hotel de Hong Kong colocado sob quarentena
Isolados
O governo chinês mantém ainda sob quarentena um grupo de 29 alunos universitários em um hotel por medo de que transmitam gripe suína no país. O Canadá, segundo dados mais recentes da OMS, é o terceiro país com maior número de casos registrados, 140 no total.
Segundo a porta-voz da universidade, Sophie Langlois, nenhum dos canadenses apresenta sintomas da doença.
Em Hong Kong, 274 pessoas ficaram sob isolamento por três dias no hotel onde o mexicano com gripe suína estava hospedado. Segundo o porta-voz do ministério de Relações Exteriores da China, Ma Zhaoxu, o isolamento foi necessário para proteger a saúde pública.
O governo de Hong Kong pediu desculpas aos turistas e ofereceu hospedagem gratuita e ingressos para a Disneylândia local como compensação.
"Nós entendemos a frustração e insatisfação causadas por uma quarentena, mas, para conter um vírus sobre o qual não sabemos muito, é preciso agir logo no primeiro caso", disse Donald Tsang, em declaração televisionada.
No Sudeste Asiático, cerca de 200 passageiros que vieram do Reino Unido a Brunei --sultanato rico em petróleo na ilha de Bornéu-- ficaram em quarentena em um hospital sob temor de gripe suína depois que três deles mostraram sintomas leves.
Rahmah Said, diretora-geral do Departamento de Saúde, não deu detalhes sobre a nacionalidade dos passageiros, mas afirmou que estiveram recentemente em países contaminados pela gripe. Os testes iniciais retornaram negativos, afirmou.
OMS envia antivirais para 72 países
A OMS (Organização Mundial de Saúde) afirmou nesta terça-feira que começou a enviar 2,4 milhões de doses de antiviral para os 72 países "mais necessitados". O remédio servirá para os governos montarem estoque e se prevenir de um possível surto da gripe, denominada oficialmente gripe A (H1N1). Segundo a OMS, há 1.124 casos da doença registrados em 21 países, incluindo 25 mortes no México e uma nos Estados Unidos.

Cartelas de Tamiflu são vistas nesta segunda-feira (4) em laboratório da Roche em Nutley, no estado americano de Nova Jersey. (Foto: AP)
A agência não divulgou o nome dos países que receberão o medicamento, mas afirmaram que inclui México --país considerado o epicentro da doença e o mais atingido pelo vírus, com 590 casos registrados.
"Parte do estoque será enviado hoje de Genebra e Basel, na Suíça, Maryland, nos Estados Unidos e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos", disse a porta-voz da OMS, Fadela Chaib.
Os medicamentos fazem parte de um estoque de 5 milhões de doses de Tamilflu que o laboratório suíço Roche doou à organização em 2005 e 2006.
A porta-voz do laboratório, Martina Rupp, afirmou que a empresa já trabalha no envio destas doses. "Começa aqui e serão distribuídas aos aeroportos", disse.
Cerca de 1,5 milhão de doses do medicamento --que se mostrou eficaz contra a gripe suína-- são estocados no laboratório em Base. Outros 1,5 milhões ficam em estoque em Maryland, nos EUA.
Cada dose do medicamento corresponde a dez cápsulas. O paciente deve tomar duas cápsulas por dia.
Balanço
A OMS divulgou na manhã desta terça-feira um novo balanço do total de casos de gripe A (H1N1). Segundo a organização, há 1.124 casos da doença em 21 países. No balanço anterior, os casos confirmados eram 1.025.
No México, país mais afetado pelo novo vírus, foram registrados 590 casos da doença, 25 deles resultando na morte do paciente. Nos EUA, segundo país mais atingido, 286 pessoas foram contaminadas pela doença, sendo que uma delas --um bebê mexicano-- morreu no Estado do Texas. O Canadá, terceiro país com mais casos, tem 140 registros.
Os outros países com casos confirmados da doença --nenhum deles com registro de mortos-- são: Espanha (54 casos), Reino Unido (18), Alemanha (8), Nova Zelândia (6), França (4), Israel (4), Itália (2), El Salvador (2), Áustria (1), China (1, em Hong Kong), Costa Rica (1), Colômbia (1), Dinamarca (1), Irlanda (1), Holanda (1), Portugal (1), Coreia do Sul (1) e Suíça (1).
O comunicado diz mais uma vez que restrições de viagens não são necessárias --quem apresenta sintomas da doença, entretanto, é aconselhado a adiar viagens-- e que o consumo de carne de porco cozida não traz riscos de infecção.
Nota do Editor:
Porque será que o mundo inteiro consegue identificar em poucas horas os pacientes infectados com a N1H1, e aqui no Brasil só ficam em casos suspeitos sem resultados e sem identificação. Alguém poderia explicar?
Noticiado hoje que após o recebimento dos tais "kits", estes ainda terão que passar por todo um procedimento de validação, testes e etc para serem usados. Muito me espanta um país como o nosso, referência em tratamento e pesquisas de uma série de moléstias, estar atrás de uma Colombia, de uma Costa Rica na confirmação de diagnóstico desta virose.
Com agências internacionais
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