Conflito no Sri Lanka

O governo do Sri Lanka voltou a afirmar, neste sábado, que sua guerra contra o separatista Tigres Tâmeis, que dura mais de 25 anos, acabará "muito em breve". Nesta sexta-feira (15), o Exército dominou por completo a faixa litorânea da zona de guerra onde os rebeldes estão confinados há alguns meses, o que inviabiliza a fuga deles pelo mar.

Para o Ministério da Defesa cingalês, como a fuga ficou impossível, os Tigres Tâmeis devem estar preparando um suicídio em massa.

Faz alguns meses que os rebeldes estão encurralados em uma faixa estreita de floresta e de praia com cerca de 3 km2 --o equivalente a 30 campos de futebol-- na Província Oriental, que permaneceu anos sob o controle efetivo dos rebeldes. Nesta zona de guerra estão, além dos rebeldes, entre 30 mil e 80 mil civis, estima a ONU (Organização das Nações Unidas).

Há diversas semanas, a ONU e os governos do Reino Unido e da França pedem que o Sri Lanka dê uma trégua humanitária nos violentos bombardeios para permitir a saída desses civis, mas o governo rejeita a opção por acreditar estar próximo da vitória. Segundo fontes militares, o líder tâmil Velupillai Prabhakaran, 54, continua a frente dos Tigres Tâmeis.

Prabhakaran foi condenado por diversos ataques no Sri Lanka. Ele também é procurado na Índia, onde foi condenado pelo assassinato, em 1991, do ex-premiê Rajiv Gandhi, morto após a explosão de uma mulher-bomba, supostamente dos Tigres Tâmeis, em um comício, em um aparente ato de vingança pelo envio de uma força de paz ao Sri Lanka, em 1987.


Militares do Sri Lanka recebem grupo de civis refugiados dos confrontos entre o governo e os Tigres Tâmeis

Em 2007, os Tigres Tâmeis controlavam um território de 15 mil km2 no norte e leste do Sri Lanka e pretendiam criar um território independente para a minoria étnica tâmil, que sofreu discriminação com sucessivos governos da maioria cingalesa. Em janeiro deste ano, porém, o governo decidiu iniciar a sua "ofensiva final" contra a guerrilha.

Desde então, conforme a ONU, cerca de 6.500 civis foram mortos na zona de guerra, à qual apenas a Cruz Vermelha tem acesso. Na quinta-feira passada (14), a Cruz Vermelha afirmou que o Sri Lanka passa por uma "catástrofe humanitária imaginável" e que a população "estava abandonada à própria sorte".

Na sexta-feira, o Exército disse que os rebeldes estavam "abandonando" a luta. O presidente cingalês Mahinda Rajapakse, que está na Jordânia, afirmou que retornaria domingo (17) para o país como "dirigente de uma nação que acabou com o terrorismo", informou a rádio pública cingalesa Sri Lanka Broadcasting Corporation.

Na quarta-feira passada (13), Selvarasa Pathmanathan, porta-voz dos Tigres Tâmeis, afirmou que a guerrilha estava feliz com os pedidos da comunidade internacional por um fim pacífico e que estava disposta a fazer "o necessário" para poupar os civis.

Na esperança de evitar mais mortes, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviou o seu chefe-de-gabinete para o país.

Exército do Sri Lanka diz que rebeldes tâmeis "abandonam combate"

Pouco depois de anunciar que a grande ofensiva lançada contra os rebeldes separatistas estava na fase final, o Exército do sri Lanka afirma que a guerrilha separatista do movimento dos Tigres Tâmeis "estão lentamente abandonando" no nordeste da ilha. Os confrontos deixaram mais de 6.500 mortos e 14 mil feridos, segundo estimativas da ONU (Organização das Nações Unidas), e causaram a fuga de milhares de civis tâmeis e cingaleses.

"Eles estão lentamente abandonando. Explodiram suas munições e suas armas", declarou o porta-voz das Forças Armadas cingalesas, o general Udaya Nanayakkara, à agência internacional France Presse.

O oficial afirmou que cerca de 10 mil civis tâmeis haviam passado para o território do governo e que "não restava quase ninguém" na faixa litorânea de 4 km¦ ainda sob poder dos Tigres de Libertação do Eelam Tâmil. De acordo com o porta-voz, a expectativa do governo é que todos os civis sejam resgatados em até 48 horas.


Fotografia cedida pelo Exército mostra alguns dos civis que conseguiram escapar dos confrontos violentos

Cerca de 50 mil pessoas estão encurraladas na zona de conflito com os rebeldes que, segundo o Exército, transformam a população em escudos humanos. O comando dos Tigres Tâmeis rejeita a rendição e exige que todos os rebeldes carreguem uma cápsula de cianeto e a engulam, em caso de captura.

A guerrilha separatista não comentou o anúncio, mas o site ligado ao grupo, Tamilnet.com, indicou que o enclave rebelde estava envolto pela fumaça dos combates que continuavam sendo travados.

A crise humanitária dos civis --que sofrem com a falta de medicamentos e comida-- levou nesta quarta-feira (13) o Conselho de Segurança da ONU a pedir ao governo do Sri Lanka que respeite seu compromisso de suspender o bombardeio com artilharia pesada contra o reduto da guerrilha.

Os rebeldes lutam, desde 1983, para criar um território independente para a minoria étnica tâmil, que sofreu discriminação com os sucessivos governos da maioria cingalesa. Tanto os Estados Unidos quanto a Europa consideram o grupo terrorista.

Investigação

O escritório de direitos humanos da ONU afirmou nesta sexta-feira que um inquérito independente deve ser aberto para julgar as recentes mortes de civis no Sri Lanka. Os confrontos incluem até mesmo o único hospital da região, que foi bombardeado três vezes em 11 dias.

Exército e rebeldes trocam acusações pela morte de civis. As tropas afirmam que os rebeldes matam inocentes para acusar o governo e ganhar a simpatia da imprensa e da comunidade internacional em um possível acordo de cessar-fogo.


Fotografia cedida pelas tropas cingalesas mostram soldados na praia na área de não combates no Sri Lanka

Um porta-voz do escritório, Rupert Colville, afirmou que há evidência de que os rebeldes forçam os civis a permanecerem nas áreas atacadas e atiram naqueles que tentam fugir.

Em março, a diretora-geral de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou que as ações de ambos os lados da guerra civil "podem ser classificadas como crimes de guerra e contra a humanidade".

Colville afirmou a repórteres em Genebra, na Suíça, que "nada que tenham visto desde então fez com que mudassem de ideia" sobre os crimes cometidos no Sri Lanka.


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Com France Presse e Associated Press

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