Paul Krugman diz que reunião do G20 foi melhor que o esperado

O norte- americano Paul Krugman, professor e colunista do jornal "The New York Times" que recebeu o Nobel de economia de 2008, avaliou como positivos os anúncios feitos nesta quinta-feira após a reunião do G20 (grupo que reúne representantes dos países ricos e dos principais emergentes), cujos líderes se reuniram hoje em Londres para debater a crise.

O professor Paul Krugman, que ganhou o prêmio Nobel de economia deste ano
Na principal medida anunciada, as nações concordaram em reservar fundos da ordem de US$ 1 trilhão ao FMI (Fundo Monetário Internacional), além de US$ 100 bilhões adicionais para socorrer as emergentes. Controle de paraísos fiscais e um esforço fiscal de US$ 5 trilhões até 2010 para salvar empregos também foram determinados como objetivos do grupo.

No blog que mantém no jornal (krugman.blogs.nytimes.com/), Krugman destacou a linha para o FMI, que segundo ele precisa de dinheiro para ajudar as nações. "O resultado do G20 foi melhor do que eu esperava, com algo substancial e importante emergindo --ou seja, muito mais dinheiro para instituições financeiras internacionais, além da expansão do crédito para o comércio", escreveu o economista.

Krugman também indaga se as medidas representariam "um ponto de virada na crise". E ele mesmo responde: "Não. Mas, realisticamente, a maioria das grandes reuniões internacionais produziu nada; e isto é algo significativo."

Medidas

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anfitrião da atual cúpula, afirmou após o encontro que o "G20 alcançou novo consenso de que se tem de agir conjuntamente. (...) Problemas globais requerem soluções globais", disse em pronunciamento. Segundo ele, o encontro de hoje vai abrir caminho para uma "ação coletiva, e não uma coleção de ações individuais".

"Esse US$ 1 trilhão é dinheiro novo. É dinheiro gerado através do FMI emitindo seus direitos especiais e do crédito comercial, que vem de agências de exportação", explicou o primeiro-ministro britânico em entrevista coletiva.

Os países reforçaram ainda a necessidade de manter as políticas de corte de juros para estimular as economias internas, o que ajudará a atingir a cifra de US$ 5 trilhões de expansão fiscal (principalmente cortes de impostos e gastos públicos) para a criação de empregos até o fim de 2010. Brown ressaltou que tal valor, resultado dos esforços dos governos já anunciados, reflete o maior montante já "liberado" no mundo para estimular as economias.

Outro ponto abordado é a necessidade de "trabalhar urgentemente com os líderes" mundiais para fazer avançar a Rodada Doha de liberalização comercial, no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio).

O texto final inclui um acordo para a criação de um método de eliminar os ativos "podres" (de alto risco de calote) dos bancos e o endurecimento das regulamentações sobre "hedge funds" (fundos de alto risco), paraísos fiscais e o sistema bancário.

No documento final desta reunião do G20 saíram ainda decisões de redefinir as regras para o pagamento de bônus, "sem recompensa para o fracasso", segundo as palavras de Brown.

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