
Galtieri, general com intenso approach ao scotch, celebra a reconquista das Malvinas
No dia 1 de abril completaram-se 27 anos do desembarque nas ilhas Malvinas das tropas argentinas enviadas pelo ditador e general Leopoldo Fortunato Galtieri.
As tropas que protagonizavam a denominada “Operación Rosario” desembarcaram às 23:00 da quinta-feira dia 1 de abril de 1982 e avançaram em direção a Port Stanley, capital das ilhas.
No entanto - segundo fontes diplomáticas da época de Galtierei - por uma questão de marketing bélico-político, e evitar piadas sobre o dia 1 de abril – dia da mentira e dos bobos na maior parte do planeta (embora não no mundo hispano-falante, onde o dia da mentira é o 28 de dezembro) - a data “oficial” do desembarque é o 2 de abril.
Ao raiar do sol desse dia, o exército argentino entrou em Port Stanley e após um breve tiroteio conseguiu a rendição do pequeno contingente britânico que ali estava.
Vinte sete anos depois desse evento, a presidente Cristina Kirchner insistiu na reivindicação argentina das ilhas (por meios pacíficos).
Durante sua visita a Londres para a reunião do Grupo dos 20, Cristina prestou uma homenagem aos soldados mortos nas Malvinas na Praça Belerae, onde está uma estátua dedicada ao general San Martín, herói da independência argentina.
A presidente ressaltou que a ONU recomendou à Grã-Bretanha que inicie conversas com a Argentina sobre a soberania das ilhas.
QUEM VIU, QUEM BATIZOU, QUEM COLONIZOU, QUEM TOMOU POSSE, QUEM CONQUISTOU:
1520 – O espanhol Esteban Gómez, capitão de um dos navios da frota de Fernão de Magalhães, vê de longe umas ilhas que poderiam ser as Malvinas.
1592 – O inglês John Davis, capitão do Desire, realiza uma suposta observação das ilhas.
1598 - O navegante holandês Sebald van Weerdt avista as ilhas (é a primeira observação confirmada do arquipélago).
1690 – Primeiro desembarque nas ilhas, realizado pelo inglês John Strong, que as batiza de Falklands, em homenagem ao sobrenome do patrocinador de sua expedição.
1763 – Franceses do porto de Saint-Malo desembarcam nas ilhas e as denominam “Malouines”. Um ano depois, estabelecem uma colônia. Fundam o vilarejo de Port Louis.

Franceses no gélido Atlântico Sul fundam Port Louis
1765 – Do outro lado das ilhas, os britânicos também se instalam.
1767 – Os franceses fazem um acordo com a Espanha e deixam as ilhas
1769-1790 – Inglaterra e Espanha disputam as ilhas. Os ingleses decidem partir
1811 – No meio das lutas de independência na América do Sul, os espanhóis partem e abandonam as ilhas, que ficam totalmente abandonadas durante quase uma década.
1820 – Buenos Aires envia um mercenário dos EUA reocupar as ilhas em nome do novo governo independente. Mas, a ocupação das ilhas, na prática, só começou em 1827, quando Buenos Aires enviou colonos. A anteriormemte francesa Port Louis é rebatizada como Puerto Soledad.
1833 – Um navio britânico, a fragata Clio, expulsa os argentinos. A Grã-Bretanha coloniza as ilhas com escoceses, galeses e irlandeses. Puerto Soledad transforma-se em “Puerto Stanley”.
1966 – O grupo nacionalista argentino seqüestra um DC4, pousa nas Malvinas e declara a reconquista das ilhas. O grupo é imediatamente desarmado pelas autoridades britânicas
1982 – No dia 2 de abril, tropas argentinas desembarcam por ordem do ditador Leopoldo Galtieri nas ilhas. No primeiro dia Galtieri rebatiza Port Stanley de Puerto Soledad, o nome original do vilarejo. No segundo dia muda de ideia e o re-re-batiza de Puerto Rivero. No terceiro dia, mais uma vez muda de ideia e re-re-re-batiza o aglomerado urbano de Puerto Argentino.
Mas, as forças argentinas - basicamente compostas por recrutas do serviço militar, sem equipamento adequado para a guerra no frio - são derrotadas pelas tropas enviadas pela primeira-ministran britânica Margareth Thatcher.
No dia 14 de junho, o general Menéndez, assina a rendição das forças argentinas.
Diversas denúncias feitas por ex-combatentes ao longo de 2007 e 2008 indicaram que oficiais argentinos, que haviam participado da repressão no continente durante a Ditadura, aplicaram torturas em seus próprios soldados durante a Guerra das Malvinas. Uma das modalidades era o 'estacamiento', isto é, amarrar com estacas um soldado sobre o solo gelado, e deixá-lo ali durante um dia inteiro.
1989 – Carlos Menem toma posse da presidência da República prometendo reconquistas as Malvinas “a ferro e fogo”. Logo depois, muda de idéia começa a “política de sedução”, uma forma sutil de aproximar-se da Grã-Bretanha, sem declarações de agressividade.
1995 a 1999 – A “política de sedução” inclui o envio de bichinhos de pelúcia da Argentina para os 3 mil habitantes das ilhas e vídeos de desenhos animados que inspirem, segundo o chanceler Guido Di Tella, “os valores da amizade”. Os kelpers enviam os bichos de pelúcia e os vídeos às crianças órfãs da guerra da Bósnia.
1999 – Depois de 17 anos de proibição, Londres permite que argentinos possam visitar as ilhas.
2007 – O presidente Néstor Kirchner lança ofensiva diplomática e comercial agressiva para reaver as Malvinas.

Presença argentina nas ilhas no início da guerra

Britânicos celebram fim da presença argentina nas ilhas
ESTATÍSTICAS DA GUERRA
Argentinos mortos em combate: 649
Feridos argentinos: 1.068
Prisioneiros argentinos: 11.313
Britânicos mortos em combate: 258
Feridos britânicos: 777
Prisioneiros britânicos: 59
Kelpers mortos durante os combates: 3 (morreram nos últimos dias da guerra por causa de bombardeios britânicos a Port Stanley)
SUICÍDIOS
Os centros de veteranos indicam que desde o fim da guerra, mais de 450 ex-soldados suicidaram-se por estarem mergulhados em profundo estado de depressão.
Esse número é superior ao de soldados mortos em batalhas nas ilhas, que foram um total de 326; outros 323 morreram quando um submarino britânico torpedeou o cruzador General Belgrano.

O cruzador General Belgrano, sobrevivente de Pearl Harbor (foi comprado pela Argentina depois da Segunda Guerra Mundial) afunda após ser torpedeado por um submarino britânico
CURIOSIDADES SOBRE A REIVINDICAÇÃO ARGENTINA DAS ILHAS E O DOMÍNIO BRITÂNICO:
- Os argentinos, na prática, só tiveram autoridade sobre as ilhas entre 1820 e 1833, um tota de 13 anos. Os britânicos estão lá há 176 anos.
- Não houve uma população “étnica” argentina a partir da conquista britânica
- A Argentina coloca as ilhas nos mapas como sendo próprias, e contabiliza como ‘argentinos’ seus 7,7 mil quilômetros quadrados.
- Mas, paradoxalmente, as companhias telefônicas instaladas na Argentina (privatizadas) e o Correio Argentino (que é estatal) encaram, na prática, de outra forma, já que as ligações telefônicas para Port Stanley são cobradas como se fossem internacionais. Além disso, para enviar uma carta pelo Correio Argentino, é preciso pagar os selos como se fosse uma carta para o exterior.
- Diplomatas argentinos e parlamentares recusam-se a ir às Malvinas para evitar que os britânicos carimbem seus passaportes (seria uma forma de reconhecer que estão entrando em território estrangeiro)
- As ilhas estão a 550 kms do litoral argentino.
- A distância da Grã-Bretanha das Malvinas é de 12.800 kms.
EFEITOS DA GUERRA-

Aventura de Galtieri foi favorável a Margareth Thatcher, a 'dama de ferro'
A derrota levou a Ditadura Militar argentina ao colapso; 15 meses depois o país tinha eleições livres e voltava à democracia
- A vitória salvou o governo de Margareth Thatcher da crise política e lhe conferiu elevada popularidade que permitiria que permanecesse no poder por longo tempo
- A indústria bélica aproveitou o conflito bélico para observar o funcionamento – em uma guerra real - de uma série de novos armementos, entre eles, o míssil francês Exocet
- Graças à neutralidade do Brasil na guerra, a Argentina começou a deixar de ver o país vizinho como um potencial perigo bélico
HABITANTES DAS MALVINAS
- 1 milhão de pinguins
- 600 mil ovelhas
- 3.060 pessoas (dados de 2005). Uma densidade de 0,25 habitante por quilômetro quadrado
98% possuem nacionalidade britânica
Os 3.060 'kelpers' (denominação das pessoas que moram nas ilhas') convivem com 1.500 soldados da base de Mount Pleasent
ECONOMIA DAS ILHAS
- Baseada na pesca e lã
- Os kelpers possuem a renda per capita mais elevada da América Latina: US$ 25 mil
FRASES SOBRE AS MALVINAS
“Las malvinas fueron, son y serán argentinas” (slogan repetido permanentemente nas escolas primárias aos alunos desde os seis anos de idade)
“Que venga el principito!” (Que venha o principezinho! General Galtieri, quando soube durante a guerra que o príncipe Andrew faria parte da Task Force)
“Es la pelea de dos calvos por un peine” (É a briga de dois carecas por um pente - escritor Jorge Luis Borges, sobre a futilidade de uma guerra por um arquipélago árido)
“Malvinas para los pingüinos!” (Malvinas para os pingüins - camiseta impressa no Brasil durante a guerra)

“Gotcha!” (Te peguei!- manchete de jornal britânico quando os ingleses afundaram o cruzador General Belgrano)
“Estamos ganando!” (Estamos vencendo - título de vários jornais e revistas de Buenos Aires poucos dias antes da derrota argentina)
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