Coreia do Norte dispara foguete

Fragmentos do artefato caíram sobre o mar do Japão e o Oceano Pacífico durante a madrugada de hoje


Multidão sai às ruas de Seul (Coreia do Sul) para protestar contra o lançamento de foguete da Coreia do Norte

SEUL - A Coreia do Norte lançou neste domingo, 5, um foguete de longo alcance sobre o mar do Japão. O dispositivo pode carregar tanto um satélite, como afirma Pyongyang, ou um míssil, como temem os EUA, a Coreia do Sul e o Japão.

Segundo o governo norte-coreano, o lançamento foi bem sucedido e colocou em órbita um satélite experimental de comunicações. O foguete deixou a rampa de lançamento de Musudan-ri, no nordeste do país às 11h30 de sábado (horário de Brasília). Quatro horas depois do lançamento, o governo norte-coreano declarou o sucesso da operação.

O comunicador estaria transmitindo dados e canções revolucionárias em homenagem aos dois líderes comunistas que o país já teve, os ditadores Kim il Sung e seu filho, Kim Jong Il.

De acordo com o governo japonês, o foguete voou sobre o país e caiu no Oceano Pacífico. Nenhuma parte do artefato atingiu o arquipélago. O primeiro compartimento do foguete caiu a 280 km a oeste da costa norte do país. O segundo e o terceiro afundaram no mar, a 1.270 km a leste do Japão.

O comando do norte do Exército americano informou em comunicado que nenhum satélite vindo da Coreia do Norte foi colocado em órbita. Fontes militares sul-coreanas também afirmaram que nenhum satélite vindo do país vizinho atingiu o espaço.

A Coreia do Norte sustenta que o lançamento é uma medida pacífica para desenvolver seu programa espacial. Segundo o governo local, a participação do país em um tratado das Nações Unidas lhe dá direito de colocar um satélite em órbita. O país emitiu alertas para embarcações marítimas e aeronaves para evitar a rota do foguete. Em 2006, quando testou um foguete similar, Pyongyang o fez de surpresa. Na ocasião, o lançamento falhou.

Segundo autoridades japonesas, que negou intenção de ataque a seu território, o foguete caiu a cerca de 2.100 quilômetros ao leste de Tóquio. Segundo Pyongyang, o satélite transmitiu músicas do general Kim Il-sung e do ditador Kim Jong-il, com os discursos sobre a fundação do Estado comunista.

Anteriormente, o Ministério da Defesa do Japão afirmou que a primeira fase do foguete caiu no mar, a 280 km da costa oeste do país. Horas antes do lançamento, o governo norte-coreano ativou os radares situados ao redor da base Musudanri, ao nordeste do país, de onde o foguete teria sido lançado.

Mesmo com a ausência de um ataque formal, o Japão pediu uma reunião emergencial neste domingo no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), por considerar que o lançamento fere as regras da entidade, mesmo se tratando de um satélite civil.

O país prometeu que irá pedir, junto ao conselho, a prorrogação das sanções contra a Coreia do Norte --que expiram no próximo dia 13-- por mais um ano, em vez de seis meses. As sanções proíbem a importação de produtos norte-coreanos por parte do Japão, assim como as exportações de muitos produtos japoneses para a Coreia do Norte e a entrada em águas territoriais japonesas dos navios de bandeira norte-coreana.

EUA

Em Praga, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considerou o ataque uma "provocação" e disse que nenhum país "tem direito de colocar a estabilidade mundial em risco com a utilização de armas nucleares".

O lançamento do artefato provocou forte comoção da comunidade internacional, em especial da Coreia do Sul, que continua a manter as tropas em alerta na fronteira.

Obama prometeu buscar apoio junto ao Senado para ratificar o Tratado para a Proibição Completa das Experiências Nucleares. O Tratado que havia sido ratificado por 148 países entrará em vigor após a assinatura dos Estados Unidos, China, India, Paquistão, Israel, Irã, Egito, Indonésia e Coreia do Norte.

ONU

O secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, disse neste domingo que o lançamento do foguete norte-coreano não ajuda em nada nos esforços para assegurar a paz e a estabilidade regionais e pediu a Pyongyang que cumpra as resoluções do Conselho.

"Devido à instabilidade na região, um lançamento deste tipo não vai em direção aos esforços para promover o diálogo, a paz regional e a estabilidade", afirmou o secretário-geral em um comunicado divulgado pelo seu escritório de imprensa.



O que está em jogo com o lançamento do foguete

A Coreia do Norte lançou por volta das 11h30 deste domingo (23h30 de sábado pelo horário de Brasília) o foguete de longo alcance destinado, segundo o país, a colocar um satélite experimental de telecomunicações em órbita. Os governos da Coreia do Sul, dos EUA e do Japão, que dizem que o lançamento disfarça um teste do míssil de longo alcance Taepodong-2, confirmaram o lançamento do foguete e classificaram o ato como "lamentável" e como uma "provocação".

Por que a Coreia do Norte lançou o foguete?

A máquina de propaganda norte-corenana vai retratar um lançamento bem sucedido como um símbolo de força da liderança de Kim Jong-il depois de um suposto derrame em agosto levantar questões sobre seu poder. Também mostrará a todos os coreanos que o Norte lançou um foguete carregando um satélite antes do rico Sul, que pretende fazer o mesmo em julho.

Internacionalmente, o lançamento sinaliza ao presidente americano, Barack Obama, que a Coreia do Norte está chegando perto de desenvolver uma arma que possa atingir o território americano e que o país deve ser encarado com seriedade.

Do ponto de vista do mercado de armas, o lançamento pode servir para a Coreia do Norte vender ao mundo que sua tecnologia balística está se desenvolvendo, uma vez que a venda de armas é um dos principais itens que o isolado país pode oferecer.

Por que o foguete é perigoso?

No curto prazo, a maioria dos especialistas considera que o maior risco que o foguete pode oferecer são seus pedaços caindo após o lançamento.

No longo prazo, qualquer tipo de teste aumenta a ameaça representada pela Coreia do Norte porque a deixa mais perto de construir um míssil que poderia atingir o território dos EUA. Especialistas dizem que não acreditam que a Coreia do Norte tenha a capacidade de colocar uma arma nuclear em um míssil, mas pode estar tentando desenvolver a tecnologia.

Ainda se eles tivessem essa teconlogia, eles ainda não parecem ter a capacidade de guiar um míssil para um alvo.


Soldados japoneses patrulham base militar em Akita, norte do Japão, pós Coreia do Norte lançar foguete

Por que Pyongyang avisou o mundo do lançamento?

Isso fortalece o argumento norte-coreano de que os motivos são pacíficos. A Coreia do Norte alega que todo país tem o direito de explorar o espaço pacificamente e que as sanções da ONU que a proíbem de desenvolver mísseis balísticos não se aplicam no caso do lançamento de um satélite.

O lançamento de um míssil não é diferente do lançamento de um satélite?

Para os EUA, Coreia do Sul e Japão, não há diferença entre os dois porque a Coreia do Norte usa o mesmo foguete --o Taepodong-2. Os três países veem qualquer teste deste foguete como uma violação das resoluções da ONU porque o lançamento ajuda o Norte a melhorar sua tecnologia de mísseis de longo alcance.

Por outro lado, um teste de míssil completo incluiria uma reentrada na atmosfera no alvo e seria um desafio tecnológico maior do que o lançamento de um satélite.

Os especialistas também têm dúvidas se o Norte pode de fato produzir um satélite que funcione e colocá-lo em órbita. Mas eles dizem que a Coreia do Norte pode ser capaz de fazer um baseado em desenhos rudimentares de satélites soviéticos antigos.

Obama diz que Coreia do Norte se isolou das nações

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou neste domingo, durante discurso em Praga, na República Tcheca, o lançamento do foguete pela Coreia do Norte e afirmou que a operação foi "provocativa". O governo de Pyongyang afirma que a operação foi realizada com fins pacíficos, para o lançamento de um satélite de telecomunicações, que já estaria em órbita.

Os governos dos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul ainda não confirmaram a origem do artefato, mas já convocaram uma reunião para a tarde deste domingo com o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). A expectativa é que o Japão peça o prolongamento das sanções ao país por, no mínimo, um ano.

"A Coreia do Norte ignorou as obrigações internacionais, referentes ao Conselho de Segurança da ONU, e se isolou das outras nações", afirmou o presidente que prometeu consultar os aliados na região para tomar medidas. Nos últimos dias, Obama afirmou que a retaliação ao país seria por meio de sanções e descartou qualquer intervenção militar.

Veja a repercussão pelo mundo.


Obama e a primeira-dama Michelle acenam para multidão em Praga; presidente condenou lançamento de foguete

Coreia do Sul

O chanceler Yoo Myung-hwan acusou a Coreia do Norte de ferir a resolução 1718 da ONU, que proíbe experiências nucleares e disse que a operação colocou em risco a estabilidade da Ásia.

"O nosso governo e a comunidade internacional está muito desapontada com essa atitude vinda do Norte. Estamos prontos para responder a qualquer provocação e vamos tomar atitudes junto a ONU e também aos países aliados", afirmou o chanceler.

Japão

O premiê, Taro Aso, também fez um discurso agressivo e repetiu os mesmos avisos que havia dado nos últimos dias, ao comentar que as tropas do país estão posicionadas na fronteira para o caso de ataque.

"O fato é que a Coreia do Norte desrespeitou os inúmeros avisos da comunidade internacional, especialmente dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e do Japão, em um ato de extrema provocação", afirmou o premiê.

China

O governo chinês pediu calma e moderação à comunidade internacional após a Coreia do Norte lançar um foguete de longo alcance neste domingo. "Esperamos que as partes envolvidas permaneçam calmas e lidem de forma apropriada para que juntas possam manter a paz e a estabilidade na região", afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Internacionais da China, Jiang Yu. A China é o maior aliado e parceiro comercial da Coreia do Norte.

Rússia

A porta-voz da chancelaria russa afirmou que irá checar se houve alguma violação da resolução do Conselho de Segurança para depois emitir algum comunicado. O país, no entanto, afirmou estar preocupado com a tensão iminente na região.

ONU

O secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, disse neste domingo que o lançamento do foguete norte-coreano não ajuda em nada nos esforços para assegurar a paz e a estabilidade regionais e pediu a Pyongyang que cumpra as resoluções do Conselho.

"Devido à instabilidade na região, um lançamento deste tipo não vai em direção aos esforços para promover o diálogo, a paz regional e a estabilidade", afirmou o secretário-geral em um comunicado divulgado pelo seu escritório de imprensa.

União Europeia

A União Europeia emitiu neste domingo um comunicado onde pediu um uma ampla negociação para por fim a questão nuclear na península coreana. O chanceler do Reino Unido, David Miliband, pediu o fim imediato de qualquer missão relacionada a atividade nuclear na região e se comprometeu a trabalhar com os aliados na negociação.

A França emitiu um comunicado por meio da chancelaria onde condenou o lançamento do foguete com base na resolução da ONU 1718. O país pediu também o encerramento das atividades nucleares da Coreia do Norte e disse que as tecnologias usadas, tanto para fins pacíficos como de guerra, são semelhantes, o que dificulta no controle das ações.

Lançamento reforça necessidade de escudo antimísseis na Europa, dizem EUA

O lançamento do foguete norte-coreano demonstra a necessidade dos Estados Unidos continuarem a desenvolver sistemas antimísseis, afirmou a Casa Branca neste domingo.

"O teste da Coreia do Norte exemplifica a importância de continuar a desenvolver defesa de mísseis com o intuito de proteger tanto os EUA quanto a Ásia", disse à repórteres o coordenador para controle de armas, Gary Samore, antes do discurso de Barack Obama sobre armas nucleares em Praga.

Obama vem sinalizando uma abordagem menos incisiva ao sistema de antimísseis que os EUA querem construir na Europa do que o seu antecessor, George W. Bush. A Rússia se opõe frontalmente ao projeto.

Samore afirmou ainda que a unidade internacional seria o meio mais efetivo de confrontar a Coreia do Norte, dizendo que o lançamento do foguete é uma ameaça não apenas para os vizinhos Coreia do Sul e Japão, mas também "causa danos" a Rússia e China.

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