A queda de 3,6% no PIB (Produto Interno Bruto) no quarto trimestre, em relação ao trimestre anterior, foi a maior de toda a série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada há 13 anos. A maior queda trimestral registrada até então havia sido de 1,9%, no último trimestre de 1996, primeiro ano da série.
O resultado do PIB no último trimestre ficou abaixo das expectativas dos analistas. As estimativas eram de que o resultado ficasse em torno de 2,2% negativo.
O economista-chefe da Ágora Invest, Álvaro Bandeira, previa que a queda sobre o terceiro trimestre fosse de 2,1% ou 2,2%. Já em relação aos últimos três meses do ano anterior, deveria ser mantida uma alta, de 1,9%.
Para o economista, a queda é global, em todos os segmentos. "Acho que o resultado do quarto trimestre veio muito baixo. É todo muito fraco", disse Bandeira.
A estimativa de Élson Teles, da Concórdia, era de queda de 2,3% no trimestre. Ante o mesmo período de 2007, a perspectiva era de alta de 1,8%. Para ele, na ótica da oferta, a indústria é que puxa o resultado negativo no trimestre. "O tombo da indústria foi muito forte", justifica o analista.
Com um quarto trimestre com ganho de 1,3% ante igual período do ano anterior, as estimativas para o acumulado em 2009 ainda ficam no campo positivo, em torno de 1%. De acordo com o relatório Focus, realizado pelo Banco Central junto a instituições financeiras, divulgado ontem, as estimativas eram de que o PIB em 2009 ficasse em 1,2%.
A mesma previsão foi feita pelo economista da Ágora, Álvaro Bandeira. Já Élson Teles, da Concórdia, acredita que "dificilmente o Brasil vai crescer mais do que 1%".
Copom
Com a forte queda no PIB, além da forte retração da produção industrial, já divulgada pelo IBGE, as expectativas são de que o Copom (Comitê de Política Monetária) corte os juros em 1,5 ponto percentual na reunião que termina amanhã e define a nova taxa. Atualmente, a Selic está em 12,75% ao ano.
"Desde que saiu o número da produção industrial, passei a prever corte de 1,5 ponto percentual. A idéia é terminar o ano ainda com dois dígitos, em torno de 10% ou 10,25% ao ano", disse Álvaro Bandeira.
Ele lembrou que já há economistas prevendo que a Selic termine o ano em torno dos 9%, mas isso vai depender da resposta da inflação ao longo do ano. Élson Teles, da Concórdia, também acredita que a Selic termine o ano em torno de 10%, no máximo em 9,75%. Mas, para a reunião desta semana, sua aposta é de que o corte seja apenas 1 ponto percentual.
"O ajuste total deve ser maior do que se previa antes, mas isso não quer dizer que o BC precisa acelerar o ritmo de cortes da taxa de juros. Ele até teria justificativa para acelerar, porque os dados de produção têm decepcionado, com efeitos da crise externa", disse Teles.
O economista lembrou, no entanto, que a inflação tem apresentado rigidez na queda, ao menos nos setores ligados ao consumo interno. A divulgação do IPCA, amanhã de manhã, deverá ser crucial para a decisão do Copom.
Entenda o que é PIB e como é feito seu cálculo
O PIB (Produto Interno Bruto) é um dos principais indicadores de uma economia. Ele revela o valor de toda a riqueza gerada no país.
O cálculo do PIB, no entanto, não é tão simples. Imagine que o IBGE queira calcular a riqueza gerada por um artesão. Ele cobra, por uma escultura, de madeira, R$ 30. No entanto, não é esta a contribuição dele para o PIB.
Para fazer a escultura, ele usou madeira e tinta. Não é o artesão, no entanto, que produz esses produtos --ele teve que adquiri-los da indústria. O preço de R$ 30 traz embutido os custos para adquirir as matérias-primas para seu trabalho.
Assim, se a madeira e a tinta custaram R$ 20, a contribuição do artesão para o PIB foi de R$ 10, não de R$ 30. Os R$ 10 foram a riqueza gerada por ele ao transformar um pedaço de madeira e um pouco de tinta em uma escultura.
O IBGE precisa fazer esses cálculos para toda a cadeia produtiva brasileira. Ou seja, ele precisa excluir da produção total de cada setor as matérias-primas que ele adquiriu de outros setores.
Depois de fazer esses cálculos, o instituto soma a riqueza gerada por cada setor, chegando à contribuição de cada um para a geração de riqueza e, portanto, para o crescimento econômico
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