
Confronto entre polícia e estudantes deixou 20 feridos em Barcelona nesta quarta-feira
Barcelona viveu uma noite de tensão nesta quarta-feira, com um confronto entre policiais e estudantes que protestavam contra os planos do governo para adaptar o sistema universitário do país a regras comuns da União Europeia. Às 23h, (19h em Brasília), foram contabilizados 20 feridos, entre estudantes e jornalistas. Além deles, foi divulgado que um garoto de dez anos apanhou da polícia quando passava com os pais no meio da confusão.
Os pais do garoto teriam tentado impedir os policiais de agredir um jovem e também teriam sido golpeados. Dezenas de pessoas foram presas, mas ainda não foi divulgado o número exato.
De acordo com o Sindicato dos Estudantes dos Países Catalães (SEPC) participaram da manifestação 5.000 pessoas; segundo a polícia, foram 2.500.
O protesto que resultou em violência foi a segunda manifestação do dia. Pela manhã a polícia invadiu a Universidade de Barcelona para retirar os alunos que há quatro meses ocupavam a reitoria, num protesto contra o Plano Bolonha - um tratado europeu que visa mudar o sistema de ensino superior. De acordo com a prefeitura, 53 jovens foram desalojados do campus. No começo da tarde foi organizada a primeira passeata criticando a forma violenta com que os alunos foram retirados do campus.
Segundo a rede de televisão RTVE, o diretor geral da polícia catalã afirmou que os estudantes foram violentos contra os policiais durante o desalojamento do campus, e por isso foi necessário o uso da força. Seis jovens foram presos, mas já teriam sido liberados.
Plano Bolonha
Os estudantes espanhóis são contra a adesão do país ao Plano Bolonha, que é a padronização do ensino superior em nível europeu. Como cada país da Europa tem um tipo de ensino superior, o tratado objetiva a construção de um Espaço Europeu de Ensino Superior até 2010. Em setembro, no começo do ano letivo europeu, o Plano Bolonha entrará em ação.
Para isso, as universidades teriam que adequar os cursos às novas normas. Na Espanha existem cursos universitários de três anos, por exemplo. De acordo com o plano, os cursos devem ter duração mínima de quatro anos, e quem já está na universidade terá que fazer créditos extras para conseguir o diploma.
A Espanha oferece cursos que não existem em outros países e que vão deixar de ser ministrados com a aplicação do plano. As universidades tampouco conseguiram apresentar propostas que fossem consideradas adequadas pelos alunos.
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