
Hélio Castro Neves e a irmã Katiucia chegam à corte federal em Miami, em 5 de fevereiro
Morador de Coral Gables, subúrbio de Miami, desde 1997, o piloto brasileiro, que possui a residência americana, é acusado de fraudar o governo em US$ 5,5 milhões em impostos, além de outros seis crimes de evasão fiscal entre 1999 e 2004.
Sua irmã e empresária, Katiucia, e seu advogado, Alan Miller, também serão julgados.
Ainda não se sabe qual linha de defesa os advogados do piloto irão adotar, mas Castro Neves vai se declarar inocente. São duas estratégias prováveis.
Uma é dizer que tanto Castro Neves como sua irmã seguiam os conselhos de Miller, por isso teriam aberto uma conta na Holanda para receber o salário que a Penske lhe pagava.
A segunda opção é alegar que a empresa Seven Promotions, baseada no Panamá e que recebia os salários do piloto antes da criação da conta na Holanda, pertence ao pai do piloto, Hélio, desde 1999, para patrocinar e promover a carreira do filho.
Já a Promotoria quer provar que os três acusados sempre tiveram a intenção de driblar o fisco usando a empresa panamenha até que descobriram que não se tratava de uma maneira legal de evitar os impostos. Foi quando Miller sugeriu a criação da conta holandesa.
"O julgamento deve se estender por algumas semanas, mas é difícil prever com exatidão por quanto tempo irá durar", declarou Alicia Valle, porta-voz da Promotoria. Estima-se que pelo menos 20 dias úteis sejam necessários para a conclusão do julgamento.
Pilotos podem testemunhar a favor de Hélio Castro Neves
O piloto da Indy Hélio Castro Neves começou a ser julgado ontem em Miami, nos EUA, por conspiração para fraudar impostos federais e sonegação de impostos entre 1999 e 2004 no valor de US$ 5,5 milhões.
Castro Neves, 33, mudou-se para a Flórida em 1996, quando passou a competir na Indy Lights, a categoria de acesso da Indy, mas nem por isso deixou de ter negócios no Brasil, já que seus pais ainda vivem no país.
Esta é uma das estratégias que o piloto pode usar para se livrar da condenação. Seu advogado, David Garvin, que ontem o acompanhou à corte federal em Miami, deve alegar que a empresa offshore que recebia seus salários no Panamá pertencia a seu pai, residente brasileiro, que, portanto, não poderia ser punido nos EUA.
Além do advogado, Castro Neves chegou ontem ao tribunal para o primeiro dia do julgamento acompanhado da irmã e empresária, Katiucia, que é acusada dos mesmos crimes. Vestindo roupas escuras, ambos estavam bem sorridentes.
Além dos irmãos, Alan Miller, advogado do piloto à época, também está sendo julgado.
Ontem, o dia foi dedicado à escolha das 12 pessoas que farão parte do júri. Além deles, seriam escolhidos também alguns suplentes, processo que não havia sido concluído até as 20h (horário de Brasília).
Esta, aliás, seria a única parte vetada ao público durante todo o julgamento. De agora em diante, qualquer pessoa pode ir à corte federal de Miami para acompanhar as sessões.
Estima-se que o julgamento dure entre quatro e seis semanas. Nos próximos dias, algumas testemunhas devem ser chamadas a depor diante do juiz do caso, Donald Graham.
Entre os que devem ser chamados pelo advogado de Castro Neves estão os pilotos Tony Kanaan e Juan Pablo Montoya, além de Roger Penske, dono da equipe pela qual o brasileiro venceu duas edições das 500 Milhas de Indianápolis e foi vice-campeão da Indy em 2008.
Caso seja condenado por todos os crimes dos quais é acusado pelo governo norte-americano, o piloto da Penske pode pegar até 35 anos de prisão. No início do ano, em uma pré-audiência, Castro Neves pagou US$ 10 milhões para responder o processo em liberdade.
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