Jarbas Vasconcelos afirma que é alvo de espionagem

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) pretende relatar na terça, no plenário do Senado, a denúncia de que teria sua vida investigada por empresa especializada em espionagem.

Segundo o senador, um detetive particular de Pernambuco o procurou para contar que a empresa americana Kroll havia tentado contratá-lo para investigar Jarbas.

Segundo o senador, o detetive recusou. "Vou fazer uma breve comunicação sobre o episódio", disse. A reportagem não conseguiu falar com a Kroll. Segundo a revista "Veja", a Kroll diz não espionar políticos.

Desde o mês passado, Jarbas está no foco das atenções depois que concedeu entrevista à revista "Veja" criticando o PMDB por manter a prática de corrupção e também atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Jarbas disse à revista que o PMDB é um "partido sem bandeiras, sem propostas nem norte" e a maioria dos seus integrantes "quer mesmo é a corrupção".

Depois de atacar o PMDB, o senador foi ameaçado de expulsão e até de processo interno. Mas o comando da legenda recuou e optou por amenizar o discurso e evitar os holofotes sobre o episódio.

Apesar do recuo de seu partido, o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), destituiu Jarbas da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa.

Em discurso no plenário na última terça-feira (3), Jarbas decidiu seu afastamento de todas as comissões permanentes do Senado. Ele abriu mão de ser titular das Comissões de Relações Exteriores, Educação e Direitos Humanos. Jarbas também pediu para deixar a vaga de suplente da Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado.

Sarney quer que PF investigue suposta espionagem contra Jarbas Vasconcelos

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou neste domingo que vai pedir ao ministro Tarso Genro (Justiça) que determine à Polícia Federal para que investigue as denúncias do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Jarbas disse que é alvo de espionagem. Sarney também vai pedir ao procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, para que acompanhe as apurações.

Por intermédio de nota à imprensa, Sarney considerou a acusação de Jarbas "gravíssima" e afirmou que deve ser apurada com o máximo "rigor". "A denúncia, gravíssima, deve ser apurada com rigor", disse ele, na nota à imprensa.

A assessoria de Sarney informou ainda que a iniciativa do presidente do Senado foi motivada pela possibilidade de mais parlamentares também serem alvos de espionagem. Para Sarney, a investigação da Polícia Federal visa esclarecer os fatos e proteger a "instituição" Senado.

Em entrevista à revista "Veja" desta semana, Jarbas disse que pretende ocupar a tribuna do plenário --provavelmente na terça-feira (10)-- para afirmar que desconfia que é alvo de espionagem promovida por integrantes de seu partido que teriam contratado os serviços de uma empresa privada para fazer escutas telefônicas, vasculhar sua vida e acompanhar seus passos.

Segundo Jarbas, na entrevista, o objetivo da espionagem seria "desqualificar suas denúncias" sobre o partido --feitas antes do Carnaval. Na ocasião, o senador afirmou que boa parte do PMDB era corrupta e levantou dúvidas sobre a ética dos integrantes da legenda.

Jarbas não foi punido pelo comando do PMDB, que tentou tratar as acusações do senador como um "desabafo" e evitou dar eco às acusações.

Leia a íntegra da nota divulgada hoje por Sarney:

"O presidente do Senado, senador José Sarney, em defesa da instituição, anunciou neste domingo, 8, que vai solicitar ao ministro da Justiça que determine à Polícia Federal a apuração da denúncia do senador Jarbas Vasconcelos de que estaria sendo vítima de espionagem. Vai oficiar também ao procurador-geral da República, pedindo que o Ministério Público Federal acompanhe as investigações. 'A denúncia, gravíssima, deve ser apurada com rigor', afirmou José Sarney."

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