
Lavrov e Hillary apertam 'reset' em Genebra/Reuters
GENEBRA - A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, deu ao ministro de Relações Internacionais da Rússia, Sergei Lavrov, um "botão reset" vermelho para simbolizar as melhores relações, mas o presente causou risos pois a palavra "reset" (reiniciar) foi traduzida, em russo, como "sobrecarga."
"Eu gostaria de presenteá-lo com uma pequena lembrança que representa o que o presidente Obama e o vice-presidente Biden e eu temos dito: Nós queremos reiniciar nosso relacionamento e nós iremos fazê-lo juntos", disse Hillary, presenteando Lavrov com uma caixa amarela com um botão vermelho.
Hillary brincou com Lavrov: "Nós trabalhamos duro para ter a palavra russa correta. Você acha que acertamos?". "Vocês erraram", disse Lavrov, rindo enquanto os dois apertaram o botão reset juntos antes de jantar no hotel Genebra.
Ele disse à Hillary que a palavra russa "Peregruzka" significa sobrecarga, recebendo resposta de Hillary: "Nós não deixaremos que vocês façam isso conosco". "Nós pretendemos isso e estamos ansiosos por isso", disse ela sobre reiniciar a relação, uma frase usada primeiro por Joe Biden em uma conferência de segurança em Munique. Lavrov disse que colocará o presente em sua mesa.
Hillary Clinton anuncia 'recomeço' nas relações com Rússia
GENEBRA - A secretária de Estado americana Hillary Clinton anunciou nesta sexta-feira, 6, um "novo começo" nas relações entre EUA e Rússia. Por sua vez, o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, disse que Washington e Moscou trabalharão juntos contra ameaças nucleares do Irã e Coreia do Norte. Hillary e Lavrov fizeram as declarações após um almoço em Genebra.
Segundo a secretária de Estado, as discussões dessa sexta - as primeiras sob o governo Barack Obama - tocaram em assuntos de interesse mútuo entre os dois países, como o avanço do desarmamento nuclear e a instabilidade no Afeganistão. Ela acrescentou que as conversas não resultaram em nenhum acordo formal, mas ressaltou que os dois lados demonstraram interesse em recomeçar as conversas para não-proliferação nuclear.
O START 1, tratado de desarmamento nuclear assinado em 1991 pelos dois países, expira neste ano, e tanto EUA quanto Rússia mostram sinais positivos para uma renegociação. Lavrov também disse esperar que as relações econômicas com Washington melhorem. "Temos interesses comuns em um novo nível de relacionamento econômico entre os dois países", explicou.
A chefe da diplomacia americana afirmou ainda aos jornalistas que, em sua reunião com o chanceler russo, falou-se de "tudo" e "nada ficou fora da mesa". No entanto, ela ressaltou que EUA e Rússia têm consciência de que relançar do zero a relação bilateral, como deseja a administração Obama, "levará tempo", mas afirmou que têm "muita esperança" nisso.
Irã
A Rússia, por sua vez, defendeu a necessidade de empreender um diálogo com o Irã para resolver as dúvidas geradas pelo programa nuclear do país, assim como a conveniência de envolver no processo as demais nações do Oriente Médio, e inclusive Israel. "Concordamos em que precisamos de um diálogo com o Irã no qual participem todos os países da região, inclusive Israel. Sabemos que é difícil chegar a isto, mas compreendemos claramente que é o que deve acontecer", disse o chanceler russo.
Lavrov defendeu a cooperação técnica da Rússia com o Irã, que, em sua opinião, foi muito mal vista pela administração de George W. Bush. No entanto, o chefe da diplomacia russa justificou a atitude de seu governo ao destacar que tal cooperação "está de acordo com as normas internacionais e as leis russas de exportação", e ressaltou: "Não incomodamos ninguém com esta cooperação."
Na mesma entrevista, Hillary lembrou que os Estados Unidos estão fazendo "uma ampla revisão de sua política" em relação ao Irã para determinar "quais passos podem ser dados". Para ela, é fundamental impedir que o regime de Teerã obtenha armas nucleares e que deixe de apoiar grupos terroristas. Em uma clara mudança em relação à política de Bush, a secretária de Estado concluiu dizendo que o governo de Obama "dá as boas-vindas a todas as ideias que a Rússia possa nos dar neste sentido."
Principais pontos de discussão entre Rússia e EUA
O ministro do Exterior russo Sergei Lavrov se encontrou com a secretária de Estado americana Hillary Clinton em Genebra nesta sexta-feira, 6, na primeira conversa formal de alto escalão entre os governos desde que o presidente Barack Obama chegou à Casa Branca, em janeiro. Leia abaixo os principais pontos de discussão entre Washington e Moscou.
Avanços
A Rússia se diz pronta para uma ampla cooperação com a administração Obama, depois de um período de relações fracas durante o governo de George W. Bush. A nova gestão americana afirmou que pretende "apertar o botão reset" nos contatos com Moscou e focar no Afeganistão, escudo antimísseis, desarmamento nuclear e Irã. O primeiro-ministro russo Vladimir Putin disse que se Obama mudar as políticas americanas, seu país responderá rapidamente.
Desarmamento nuclear
Os dois países vêm discutindo formas para substituir o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START I), que expira em dezembro. As conversas ainda estão em estágio inicial.
Afeganistão
Os EUA consideram dobrar sua presença militar no Afeganistão e quer que a Rússia ajude com rotas alternativas para a passagem de suprimentos, devido aos constantes ataques que os comboios americanos têm sofrido nas rotas via Paquistão. Oficiais russos acreditam que se o Taleban não for contido, a militância islâmica pode se espalhar pelas ex-repúblicas soviéticas na Ásia Central e chegar na Rússia em última instância.
O presidente russo Dmitri Medvedev disse que seu país está interessando em implementar a cooperação no Afeganistão, e Moscou já permitiu que o EUA usassem seu território para a passagem de suprimentos militares não-letais.
Otan
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é vista com grande desconfiança pela Rússia. Para oficiais de Moscou, a expansão do órgão, criado durante a Guerra Fria, é uma tentativa americana e de poderes europeus para conter a influência russa. O governo russo se opôs fortemente à proposta da administração Bush de incluir Geórgia e Ucrânia na aliança atlântica.
Por sua vez, a Otan respondeu que os dois países eventualmente serão aceitos, mas não forneceu a eles o Membership Action Plan (MAP), um conjunto de normas e termos que abre caminho para a adesão ao grupo. Nesta semana, os 26 ministros dos países-membros concordaram em retomar as relações com a Rússia, que estavam suspensas desde a guerra com a Geórgia.
Irã e escudo antimísseis
O Kremlin disse que a Rússia está aberta para dialogar sobre a proposta americana de instalar um escudo antimísseis na Polônia e República Checa, mas Medvedev desmentiu que seu país e os EUA estão tentando algum tipo de acordo envolvendo o Irã.
Washington indicou que poderia desistir de instalar o sistema de defesa se tivesse a cooperação russa contra a ameaça nuclear iraniana. O governo russo respondeu que o Ocidente deve ser cauteloso ao pressionar Teerã. A Rússia também já anunciou que poderia deixar para trás seus planos de construir uma base para mísseis de longo alcance em seu enclave de Kaliningrado se os EUA desistissem do escudo antimísseis.
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