VALENTINA MARCELINO
Insegurança. Contentores a arder, montras partidas, carros vandalizados - é um cenário recorrente na Baixa de Setúbal. A polícia não consegue acudir aos pedidos de socorro - há um agente por 400 habitantes. Os comerciantes, sobretudo da restauração, começam a desesperar com assaltos em série
Crime impõe 'recolher obrigatório' em Setúbal
Há restaurantes na zona de Setúbal que começaram a fechar as portas mais cedo, numa espécie de recolher obrigatório, para evitar serem assaltados. "Houve noites em que na Baixa da cidade se viam montras partidas, caixotes de lixo a arder e os carros estacionados vandalizados, riscados e com os pneus rasgados. Parecia Beirute
", conta o presidente da Associação de Comerciantes de Setúbal, Joaquim Carrilho. "Este Inverno, são poucos os restaurantes de cafés na Baixa que estão abertos a partir das oito da noite", acrescenta. Ainda sexta-feira à noite, mais dois estabelecimentos foram assaltados à mão armada.
O presidente da Concelhia do CDS-PP de Setúbal, João Viegas, confirma que "mesmo às sextas-feiras e aos sábados, dias de maior movimento, há muitos proprietários que preferem fechar as portas logo a seguir ao jantar, antes ainda das 22 horas com medo de perderem tudo o que ganharam nesse dia". Este dirigente, residente no centro da cidade, diz que as "as pessoas estão inseguras, desanimadas e sentem-se abandonadas".
Dá como exemplo o caso do proprietário de um café, na Baixa, que foi assaltado três vezes. "À terceira já nem queria mandar arranjar os vidros partidos das montras. 'Para quê?', perguntava, 'se vai acontecer outra vez
"
Segundo Joaquim Carrilho, "alguns comerciantes pensaram pedir à PSP que disponibilizasse mais homens para reforçar a segurança, em serviços gratificados, mas desistiram cedo da ideia, porque foram logo informados de que a polícia não tinha capacidade para isso".
A situação é de tal forma alarmante que, ao contrário do que é habitual, o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, que se tem recusado a comentar situações de aumento de criminalidade, reconhece que ali a polícia enfrenta "mais dificuldades".
Numa intervenção, esta semana, no aniversário do Comando da PSP daquela localidade, o ministro admitiu saber que aquela polícia "não tem uma missão fácil" e que "essa missão se tornou ainda mais difícil porque, em resultado da reestruturação das forças de segurança, as responsabilidades que tem são, hoje, acrescidas".
Rui Pereira referia-se ao facto de, desde o ano passado, a PSP ter "herdado" mais cerca de 100 mil habitantes em Setúbal e nem mais um elemento para o efectivo policial. Actualmente, neste concelho cada polícia tem uma média de 400 pessoas para "proteger", o que é o dobro da ratio nacional.
Na mesma ocasião, o director nacional da PSP, quebrando o pacto de silêncio oficial sobre estatísticas de crimes de 2008, anunciou uma "diminuição da criminalidade global em 0,7%". Por saber ficou a evolução da criminalidade violenta.
A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, pede ao Governo uma "acção mais afirmativa". A autarca está convicta de que o Ministério da Administração Interna (MAI) está "atento" à situação, mas "tardam em chegar os reforços necessários para o efectivo policial". Fonte da câmara disse ao DN que "a PSP tem feito alguns reforços com o Corpo de Intervenção", mas "são só pontuais, quando há notícias de assaltos. Depois volta tudo ao mesmo". Segundo o comandante da PSP, esse reforço será feito quando os novos agentes terminarem o curso. Ou seja perto do fim do ano.
Joaquim Carrilho sugeriu que a câmara financiasse um sistema de videovigilância nos espaços públicos, exteriores aos estabelecimentos, enquanto os comerciantes se organizariam para pagar o sistema no seu interior. Mas a presidente está em desacordo e não está disposta a financiar este equipamento. Além de questões de "privacidade e de liberdades individuais dos cidadãos que a medida comporta", a autarca comunista defende que "as competências da segurança pública são do Governo e não das autarquias"
Nota do Editor:
Enquanto as autoridades eumpurram o problema de um lado ao outro, os cidadãos continuarão a sofrer a açção de vândalos.
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