A China anunciou, nesta quarta-feira, um aumento de 14,9% em seu orçamento militar para este ano, levando-o a um total de 480,6 bilhões de yuans
(cerca de R$ 169,5 bilhões).
Segundo o porta-voz do governo, Li Zhaoxing, o dinheiro será usado para pagar melhores salários, para modernização e para o que chamou de "programas de construção de infraestrutura", que incluem operações de contraterrorismo e de apoio a catástrofes.
Li fez questão de reiterar que os gastos militares serão para melhorar as defesas da China e não representam uma ameaça a país algum.
Nos últimos anos, os Estados Unidos vêm acusando o governo chinês de esconder a verdadeira quantia gasta em seu aparato militar. Mas Li negou a acusação. "Não existe nada disso", afirmou, em entrevista coletiva em Pequim.
Modesto
O porta-voz disse que o aumento anunciado é "modesto", e argumentou que a China tem a intenção de proteger sua soberania e sua integridade territorial.
Analistas lembram que os 14,9% marcam o 19º aumento da ordem de dois dígitos nos últimos 20 anos nos gastos militares chineses.
Mas segundo o correspondente da BBC em Pequim, James Reynolds, muitos na China acreditam que os gastos militares do país ainda são relativamente pequenos se considerados per capita.
Eles reforçam ainda que o orçamento militar chinês ainda é oito vezes menor que o dos Estados Unidos.
Para 2009, a previsão é de que os americanos gastem US$ 515 bilhões --7,5% a mais que em 2008-- sem contar os bilhões de dólares destinados às guerras no Iraque e no Afeganistão.
O anúncio do novo orçamento militar ocorre um dia antes da sessão anual do Congresso Nacional do Povo, o Parlamento chinês.
China e EUA retomam intercâmbios militares de alto nível
A China e os Estados Unidos concordaram em retomar os intercâmbios militares de alto nível, anunciou o subsecretário adjunto do Departamento de Defesa americano para o leste da Ásia, David Sedney, depois de dois dias de diálogo sobre assuntos militares entre os dois países em Pequim.
"Concordamos em reiniciar os intercâmbios de alto nível muito em breve", declarou Sedney, envolvido no diálogo militar entre chineses e americanos há 18 anos. "Estas foram as melhores discussões das quais participei entre responsáveis da Defesa americana e chinesa."
As conversas foram centradas em temas de segurança em regiões como Ásia Central e Chifre da África, onde a Marinha chinesa faz operações de vigilância contra piratas somalis.
Em outubro passado, o governo Bush anunciou uma venda de armas a Taiwan avaliada em US$ 6,5 bilhões e que inclui mísseis Patriot e helicópteros de ataque Apache.
Pequim decidiu então paralisar os intercâmbios militares com o Pentágono que foram lançados em 1997 em sinal de protesto, mas na semana passada acordou retomá-los por ocasião da visita da secretária de Estado americana, Hillary Clinton.
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