
Operador trabalha na Bolsa de Frankfurt, na Alemanha (Foto: France Presse)
As bolsas de valores da Europa encerraram em alta nesta segunda-feira (23), seguindo o avanço de Wall Street motivado pelo plano do governo dos Estados Unidos de livrar os bancos de ativos podres e por um número de vendas de moradias usadas melhor do que o esperado.
O índice FTSEurofirst 300, referência das principais ações europeias, subiu 3,1%, para 739 pontos, maior fechamento desde 19 de fevereiro. O indicador registrou valorização pela terceira sessão consecutiva.
Ativos podres
As ações subiram com o plano de livrar os bancos dos ativos podres, principal componente dos esforços do governo norte-americano para tirar a maior economia mundial de uma profunda recessão.
Os papéis dos bancos BNP Paribas, Santander, Barclays, Deutsche Bank, HSBC e UniCredit ganharam entre 4,6% e 15,1%.
"É mais um passo nesta longa história, mas não será o último passo", disse Romain Boscher, diretor de gestão de ativos da Groupama Asset Management, em Paris.
"Nós ainda achamos que será necessário nacionalizar mais alguns bancos."
A venda de moradias usadas nos Estados Unidos subiu ao ritmo mais rápido em quase seis anos no mês de fevereiro, mostraram dados nesta segunda-feira, fornecendo impulso adicional para a fragilizada economia do país.
Fechamentos
Em Londres, o índice Financial Times fechou em alta de 2,86%, a 3.952 pontos.
Em Frankfurt, o índice DAX ganhou 2,65%, para 4.176 pontos.
Em Paris, o índice CAC-40 subiu 2,81%, para 2.869 pontos.
Em Milão, o índice Mibtel encerrou em alta de 4,66%, a 12.678 pontos.
Em Madri, o índice Ibex-35 saltou 3,14%, para 7.952 pontos.
Em Lisboa, o índice PSI20 avançou de 2,63%, a 6.308 pontos.
EUA lançam plano para comprar US$ 500 bi em ativos tóxicos
O governo dos EUA usará até US$ 100 bilhões em recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp) e capital de investidores privados para gerar US$ 500 bilhões em poder de compra para adquirir ativos tóxicos - investimentos sem valor originados pela crise do subprime e que afetam o balanço dos bancos americanos. O programa pode potencialmente aumentar para US$ 1 trilhão com o tempo. O anúncio foi feito pelo Departamento do Tesouro dos EUA nesta segunda-feira, 23.
Segundo o Tesouro, um dos principais motivos pelos quais o sistema financeiro enfrenta desafios são os "ativos de herança" (ativos mais antigos) e títulos que comprometem a habilidade dos bancos de levantar capital e a disposição de aumentar os empréstimos.
Dentro do novo programa - o Programa de Investimento Público-Privado - o Tesouro, o Federal Reserve e a Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC) planejam trabalhar em conjunto com investidores privados para tentar reiniciar o mercado para esses ativos problemáticos.
O plano tem duas partes. Ele vai lidar com os empréstimos de herança e com os títulos de herança que entopem o balanço das instituições financeiras. No programa que lida com os empréstimos de herança, os bancos vão identificar os ativos que pretendem vender. O FDIC vai conduzir uma análise para determinar o montante de financiamento que está disposto a garantir. A alavancagem não pode exceder a
relação de 6 para 1 do coeficiente de endividamento. Os ativos elegíveis serão determinados pelos bancos, pelos reguladores, pelo FDIC e pelo Tesouro.
"Uma série de investidores deve participar do Programa de Empréstimos de Herança", disse o Tesouro no documento. "A participação de investidores individuais, fundos de pensão, seguradoras e outros investidores de longo prazo é particularmente encorajada.
Já no programa de títulos de herança, empréstimos non-recourse serão disponibilizados para investidores para financiar a compra de ativos securitizados de herança. Ativos elegíveis devem incluir certos títulos lastreados em hipotecas residenciais que não são de agências, que originalmente receberam rating AAA, e títulos lastreados em hipotecas comerciais e títulos lastreados em ativos que tenham rating AAA.
O empréstimo non-recourse implica que, em caso de default, o credor pode confiscar o colateral, mas não pode ir atrás do tomador do empréstimo para buscar compensação adicional, mesmo que o colateral não cubra a quantia total do calote.
Mais recursos
Após a divulgação do plano, o secretário do Tesouro, Timoty Geithner, afirmou que o Departamento não tem planos imediatos de pedir ao Congresso recursos adicionais para estimular o sistema financeiro, embora boa parte dos US$ 700 bilhões autorizados no ano passado já esteja comprometida.
Em briefing a repórteres, Geithner disse que vai trabalhar com os congressistas à medida que a situação evolua, mas acrescentou que não está "preparado" para fazer um pedido neste momento.
Ele indicou que o governo Obama deixou um espaço em aberto no Orçamento apresentado no mês passado que sugere que poderão ser necessários centenas de bilhões em recursos adicionais do contribuinte para lidar com os mercados financeiros. "Temos recursos substanciais que serão empregados para apoiar estes programas", afirmou Geithner.
O Congresso autorizou US$ 700 bilhões ao Tesouro em outubro como parte do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês). Com a destinação de entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões para lidar com ativos tóxicos anunciada nesta segunda-feira, isto significa que restam cerca de US$ 80 bilhões a US$ 110 bilhões nos fundos do Tarp.
Boa parte deste dinheiro poderá provavelmente terminar financiando o programa do Tesouro para recapitalizar os maiores bancos dos EUA com base nos "testes de estresse". "Vamos assegurar que haja capital suficiente no sistema para que estas instituições atravessem uma recessão mais profunda", disse Geithner.
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