BNDES estuda financiar aviões Embraer para companhia argentina

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, disse nesta sexta-feira que o banco estuda financiar a Aerolíneas Argentinas para que adquira aviões da Embraer. Segundo ele, o financiamento está "em estudo" dentro do banco, sem citar prazos.

"Estamos gerando demanda para que a Embraer tenha melhores condições de manutenção e expansão de seus empregos", disse Coutinho depois de participar de um encontro empresarial entre Brasil e Argentina, na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

O valor a ser emprestado à Aerolíneas Argentinas deverá ficar "entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões", e ser garantido pelo CCR (Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos).

"É importante que seja garantido pelo CCR", disse Coutinho. "O CCR é um mecanismo precioso da Aladi [Associação Latino-Americana de Integração] que permite que os créditos sejam garantidos."

A necessidade de garantia pelo CCR ocorre principalmente pela situação da Aerolíneas Argentinas, recentemente reestatizada pelo governo argentino.

No mês passado, o vice-presidente da Embraer para a América Latina, Luis Hamilton Lima, já havia informado que a empresa estava interessada em participar da renovação de frota da Aerolíneas Argentinas.

Demissões

A Embraer demitiu cerca de 4.200 funcionários no último dia 19 de fevereiro. A empresa alegou que os efeitos da crise internacional são os responsáveis pela queda das encomendas, o que gerou a necessidade de demissões.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva instou as empresas aéreas a comprar aeronaves da Embraer, para ajudar a fabricante.

Nesta quarta-feira (18), a Justiça do Trabalho considerou abusivas as demissões realizadas pela Embraer no mês passado e determinou que a empresa pague indenização aos funcionários dispensados. Os cortes, no entanto, não foram revertidos, como queriam os sindicalistas.

Azul começa a voar para Santos Dumont nesta sexta

A Azul Linhas Aéreas Brasileiras informou nesta quinta-feira que recebeu autorização para começar a operar a rota Campinas-Rio de Janeiro (Aeroporto Santos Dumont). Os voos começam hoje (20) e serão ampliados até chegar a seis frequências diárias entre as duas cidades em 23 de março, 12 voos por dia em 2 de abril e 14 voos diários em 16 de abril.

A companhia de David Neeleman informou que as passagens, com preços promocionais até 31 de março, variam a partir de R$ 39 (por trecho para viagens de ida e volta). Durante o mês de abril, os bilhetes vão custar a partir de R$ 79 (por trecho para viagens de ida e volta).

A Azul começou a voar no dia 15 de dezembro do ano passado, inicialmente ligando Campinas a Porto Alegre e Campinas a Salvador, em frequências diárias.

Atualmente a empresa voa ainda para Vitória, Curitiba e Recife e, em 1º de abril, começa a voar entre Campinas e Navegantes e, e 6 de abril, entre Campinas e Manaus.

Para começar a operar, a empresa encomendou 40 aeronaves Embraer e foi feita a opção de compra para outras 36. Ao longo de 2009, a Azul vai receber um novo avião por mês, chegando a 14 aeronaves em dezembro.

Empresas aéreas brasileiras preveem queda no preço de passagens

As companhias aéreas deverão apostar em preços baixos, promoções e parcelamentos para driblar os efeitos da crise no setor em 2009. Segundo o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior, este será um ano difícil para as companhias aéreas e de preços mais baixos para os passageiros.

Em debate realizado ontem (17) no Fórum Panrotas, as empresas adotaram uma atitude de cautela. A maioria fez as projeções para o crescimento do setor com base em uma expectativa de expansão da economia maior do que a atual.

Na prática, as empresas fizeram planos de aumento da frota com anos de antecedência, e a chegada de novos aviões em período de menor demanda pode resultar em tarifas menores. A Gol fechará o ano com mais quatro aviões e a TAM, com um saldo de mais três aeronaves.

"Isso pode gerar um excesso de oferta, que vai favorecer o cliente, com preços baixos e competição acirrada entre as empresas", disse.

Dentro de três semanas, a Gol pretende expandir o programa "Voe Fácil", para compra de passagem parcelada em até 36 vezes, para os agentes de viagens. Segundo Tarcísio Gargioni, vice-presidente de Marketing e Serviços da Gol, o programa representa hoje 4% da receita da empresa e, com a mudança, pode chegar a 10%.

Após registrarem em fevereiro o pior resultado para o mês desde 2003, com queda de 0,6% no transporte de passageiros no mercado doméstico, as empresas estão enfrentando ocupação, na baixa temporada, menor do que previam. A crise afetou o fluxo de passageiros do segmento corporativo.

Segundo Wagner Ferreira, presidente da Webjet, a companhia esperava operar em março com taxa de ocupação de 68% a 70%, mas o mês começou com percentual de 61%. "O fato de baixar o preço e fazer promoções cria tráfego extra e atrai o passageiro dos ônibus. Com promoções, poderemos ter transferência de passageiros do segmento rodoviário", disse. A empresa decidiu adiar o recebimento de cinco novos aviões.

O presidente da TAM, David Barioni, afirma que a promoção é uma ferramenta para ser usada em períodos de menor demanda. "Numa crise, não é só promoção que é importante. Devemos ter gestão competente, qualidade, controle de custos e manutenção de investimentos", afirmou.

No fim de semana, a CVC lançou promoção com desconto de 50% na parte aérea, em pacotes voando TAM para mais de 30 destinos no país. A promoção era válida até ontem e o pagamento podia ser feito em dez vezes, com entrada de R$ 1.

A Azul afirma que a crise não resultará em guerra tarifária, mas as empresas deverão usar estratégias como beneficiar o passageiro que compra com mais antecedência. Segundo Pedro Janot, presidente da Azul, ela investirá US$ 600 milhões neste ano e planeja começar a voar a partir do Rio de Janeiro, em abril, para cidades como Curitiba, Porto Alegre, Vitória, Goiânia e Brasília.

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