Atirador alemão alertou sobre massacre em sala de bate-papo


BERLIM - O adolescente de 17 anos que cometeu um dos crimes mais bárbaros da história contemporânea da Alemanha, ao matar 15 pessoas antes de se suicidar, teria avisado sobre o ataque em uma sala de bate-papo na internet, segundo afirmaram oficiais alemães nesta quinta-feira, 12. "Estou farto desta vida" e "ninguém reconhece o meu potencial" foram algumas das frases usadas por Tim Kretschmer no chat, advertindo ainda para que todos ficassem atentos ao que aconteceria em Winnenden.

As palavras de Kretschmer alertando sobre o massacre foram registradas às 2h45 do dia do ataque por um jovem da Baviera, segundo afirmou o Ministro de Interior de Baden Württemberg, Heribert Rech. "Tenho armas aqui, e amanhã, pela manhã, irei até a minha antiga escola e levarei o inferno a todos", escreveu o jovem atirador no fórum de discussão na internet. "Vocês ouvirão sobre mim amanhã, lembrem-se do nome de um lugar chamado Winnenden". O ex-aluno encerrou o bate-papo dizendo "não digam nada para a polícia agora, não se preocupem. Estou apenas importunando vocês". Segundo o ministro, um homem disse às autoridades que seu filho de 17 anos contou a ele sobre o que ocorrera na sala de bate-papo depois de ver as notícias e que não havia considerado a ameaça com seriedade.

O investigador Siegfried Mahler disse que as autoridades souberam que o suspeito foi tratado de depressão em 2008, tendo passado por cinco visitas ao psiquiatra entre abril e setembro numa clínica da região. Ele deveria ter continuado o tratamento em outra clínica, mas aparentemente não apareceu às consultas, disse Mahler. Segundo a BBC, a expectativa era de que as autoridades abordassem as especulações de que Tim Kretschmer teria buscado alvejar principalmente mulheres na escola em Winnenden, perto de Stuttgart. Onze - oito alunas e três professoras - de suas doze vítimas na escola eram do sexo feminino.

A polícia encontrou munição para mais 130 tiros no corpo do rapaz. O assassino utilizou uma pistola automática que seu pai guardava em casa, assim como mais de 200 balas que tomou de um dos dois depósitos fechados com uma combinação que, segundo a polícia, devia conhecer. Rech disse que, no colégio onde matou nove alunos e três professores, o jovem fez 60 disparos e outros nove no parque do hospital psiquiátrico no qual deveria ter continuado seu tratamento e onde assassinou um jardineiro. Ele ressaltou que o jovem era um experiente atirador que acompanhava com frequência o pai no clube de tiro do qual era membro. As razões que levaram Krestchmer a cometer a matança ainda não estão claras, disse a polícia. Segundo as primeiras investigações, Kretschmer gostava de jogos de computador violentos.

As bandeiras nesta quinta-feira foram colocadas a meio-mastro na Alemanha. Centenas de pessoas compareceram a missas na cidade na quarta-feira, em memória das vítimas e flores foram depositadas em frente à escola.

Código secreto

Apesar do grande número de vítimas, o ataque poderia ter sido pior se o diretor da escola não tivesse alertado os professores com um código combinado previamente no sistema público de ensino do país para o caso de um suspeito invadir a instituição. Segundo informações da imprensa, depois que o jovem entrou no prédio e abriu fogo, o diretor colocou o plano em prática, divulgando a mensagem "Frau Koma está chegando" aos professores, afirmaram estudantes. "Então os professores fecharam as portas e pediram para que as janelas fossem fechadas e para que sentássemos no chão", afirmou uma aluna.

Na Alemanha, a palavra "amoklauf" é usada para descrever tiroteios em escolas, e "koma" é a inversão da palavra "amok". O código foi criado para educadores alemães depois do ataque em Erfurt, em 2002, para alertar os professores. Na ocasião, um jovem de 19 anos, Robert Steinhaeuser, atirou e matou 12 professores, uma secretária e dois estudantes e um policial antes de suicidar-se, no colégio Gutenberng, em Erfurt. Steinhaeuser, que havia sido expulso do colégio após falsificar uma nota, tinha porte de arma e participava de um clube de tiro. Após o ataque, a Alemanha aumentou a idade mínima para a posse de armas, de 18 para 21 anos.


Como foi o massacre

A chacina começou nas dependências da Albertville Realschule, um colégio situado em Winnenden, a 20 quilômetros de Stuttgart. De acordo com a polícia, Tim Kretschmer, ex-aluno do colégio, totalmente vestido de preto, invadiu o prédio com uma pistola Beretta 9 milímetros. Kretschmer invadiu o prédio da escola pouco antes das 9h30. Com a arma em punho, ele teria subido as escadas até o primeiro andar, onde se situam as salas de aula, para então abrir fogo. Demonstrando perícia, suas primeiras vítimas foram mortas com tiros na cabeça. As oito alunas e um aluno assassinados tinham entre 14 e 16 anos. Algumas de suas vítimas, segundo testemunhas, foram encontradas mortas com a cabeça sobre a carteira e a caneta ainda nas mãos, numa indicação de que foram baleadas na nuca.

O banho de sangue continuaria com a fuga do jovem pelas ruas de Winnenden, onde um funcionário de uma clínica psiquiátrica também acabou morto. Kretschmer, então, obrigou um motorista a levá-lo de carro a uma cidade vizinha. Enquanto Kretschmer trocava tiros com a polícia, o motorista conseguiu abandonar o carro. A perseguição - que envolveu 700 policiais e 4 helicópteros - prosseguiu com o assassino ao volante. Cercado, o jovem invadiu uma loja de automóveis, matando um vendedor e um cliente. Ferido, segundo a polícia, ele teria cometido suicídio.

TVs exibem vídeo dos últimos momentos do atirador alemão

WINNENDEN - A emissoras de TV internacionais exibiram um vídeo com os últimos momentos do adolescente de 17 anos que cometeu dos crimes mais bárbaros da história contemporânea da Alemanha ao matar 15 pessoas antes de se suicidar. As imagens mostram mostra quando o assassino se vê cercado pelos policiais em uma loja de automóvel, onde antes havia matado duas pessoas. Segundo a polícia, ele teria cometido suicídio. Veja as imagens veiculadas pela rede Sky News.

Tim Kretschmer's last moments after his killing spree.


De acordo com a polícia, Kretschmer invadiu o prédio da escola pouco antes das 9h30. Com a arma em punho, ele teria subido as escadas até o primeiro andar, onde se situam as salas de aula, para então abrir fogo. Demonstrando perícia, suas primeiras vítimas foram mortas com tiros na cabeça. As oito alunas e um aluno assassinados tinham entre 14 e 16 anos. Algumas de suas vítimas, segundo testemunhas, foram encontradas mortas com a cabeça sobre a carteira e a caneta ainda nas mãos, numa indicação de que foram baleadas na nuca.

O banho de sangue continuaria com a fuga do jovem pelas ruas de Winnenden, onde um funcionário de uma clínica psiquiátrica também acabou morto. Kretschmer, então, obrigou um motorista a levá-lo de carro a uma cidade vizinha. Enquanto Kretschmer trocava tiros com a polícia, o motorista conseguiu abandonar o carro. A perseguição - que envolveu 700 policiais e 4 helicópteros - prosseguiu com o assassino ao volante. Cercado, o jovem invadiu uma loja de automóveis, matando um vendedor e um cliente. Ferido, segundo a polícia, ele teria cometido suicídio. As circunstâncias da morte de Kretschmer, contudo, ainda não foram totalmente esclarecidas.

Europa apressa-se para restringir armas de fogo

HELSINQUE - Diversos países europeus aprovaram leis que restringem o porte de armas após a onda de massacres em escolas, violência de gangues e outros crimes relacionados à posse de armas:

A Finlândia anunciou, nesta quarta-feira, planos de impor restrições mais duras a armas de fogo, incluindo a elevação da idade mínima para a posse de revólveres de 15 anos para 20 anos. A proposta foi estimulada por dois massacres em escolas no período de um ano, nos quais atiradores solitários abriram fogo contra alunos e professores.

A Alemanha, onde um atirador matou pelo menos 11 pessoas nesta quarta-feira, elevou a idade legal para a posse de armas recreativas de 18 anos para 21 anos, após um ataque em Erfurt que matou 16 pessoas, dentre elas 12 professores.

Legisladores belgas aprovaram leis que endureceram o controle de armas em 2006, em reação aos disparos, motivados por razões raciais, contra um bebê e sua babá negra em Antuérpia.

Cidadãos suíços exigem um referendo com o objetivo de limitar o uso de armas militares aos complexos do Exército e a proibição de compras privadas de rifles de repetição e armas automáticas após o registro de uma grande quantidade de suicídios e homicídios.

O Parlamento português discute uma proposta do governo para endurecer leis de posse de armas, que inclui a impossibilidade de fiança para qualquer suspeito de um crime cometido com arma de fogo.

O governo da Dinamarca disse nas semana passada que irá elevar a pena para posse ilegal de armas como parte do combate à violência de gangues que matou três pessoas e deixou 25 feridas nos últimos meses.

Os legisladores da União Europeia (UE) propuseram um maior controle de armas por todo o bloco no ano passado, incluindo normas de procedimento segundo as quais apenas pessoas acima de 18 anos e que não representem ameaça à segurança pública possam comprar e manter armas. Os membros da UE tem até 2010 para adotar as medidas.

Além disso, alguns Estados norte-americanos também endureceram suas leis para a posse de armas:

O Colorado, um ano depois dos disparos na escola secundária de Columbine, em 1999, tornou um delito grave a compra de uma arma de fogo para outra pessoa, que deveria saber que a transação é ilegal, impedindo qualquer pessoa de dar uma arma de fogo para um jovem sem o consentimento de seus pais; tornou crime o fato de uma pessoa não tentar evitar que um jovem cometa um crime com uma arma; e elevou a pena para a posse de arma por um criminoso. Mas, três anos mais tarde, o Estado expandiu os direitos de posse de armas, ao exigir que xerifes emitissem permissões de posse de armas para pessoas que não tivessem antecedentes criminais, proibindo governos locais de aprovar leis mais rigorosas do que o Estado e abolindo os registros locais de donos de armas.

Na Virgínia, onde um estudante matou 32 pessoas na escola Virgínia Tech antes de suicidar-se, no dia 16 de abril de 2007, o governador assinou uma ordem executiva exigindo que qualquer pessoa que tenha recebido ordens de um tribunal para receber tratamento mental seja acrescentada a uma base de dados de pessoas que não podem comprar armas de fogo.

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