O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, declarou neste sábado (21) que a república islâmica mudará de comportamento se o presidente americano Barack Obama modificar a atitude dos Estados Unidos a respeito de Teerã.
"Não temos nenhuma experiência do novo governo e do novo presidente dos Estados Unidos. Observaremos e julgaremos. Mudem e nossa atitude mudará. Se vocês não mudarem de atitude, saibam que nosso povo se reforçou e ficou mais forte nos últimos 30 anos", declarou Khamenei para milhares de pessoas reunidas na cidade sagrada de Machhad, nordeste do país.

O aiatolá Ali Khamenei discursa neste sábado (21) na cidade sagrada iraniana de Mashhad. (Foto: AFP)
"Nosso povo não aceita que se proponha uma negociação e que ao mesmo tempo se esgrima a ameaça da pressão", acrescentou, no discurso de Ano Novo que foi exibido pela televisão estatal.
O presidente Obama tomou a iniciativa histórica de dirigir-se diretamente às autoridades iranianas, a quem ofereceu superar 30 anos de hostilidade em uma mensagem divulgada por ocasião do ano novo persa na noite de quinta-feira.
O líder iraniano insistiu em que a abertura tem ser traduzida em atos.
"Não vemos nenhuma mudança. Se o senhor diz a verdade, por quê não vemos nenhuma mudança? Os dirigentes americanos e os outros devem saber que não é possível enganar o povo iraniano e atemorizá-lo", completou.
Khamenei reiterou que os iranianos não esquecerão o apoio dos Estados Unidos a Saddam Hussein durante a guerra Irã-Iraque (1980-88) nem o ataque a um avião comercial iraniano por um navio de guerra americano no Golfo em 1988, que matou 290 pessoas.
Também comentou a proposta americana de retomada das relações diplomáticas, rompidas há 29 anos pela ocupação da embaixada dos Estados Unidos em Teerã.
"Nos falam de negociar e restabelecer as relações diplomáticas. Mas o que mudou? Onde estão os sinais de mudança? Suspenderam as sanções ao Irã, desbloquearam nossos capitais confiscados nos Estados Unidos, acabaram com a propaganda hostil a nosso país, interromperam o apoio incondicional ao regime sionista?".
O líder supremo do Irã agradeceu aos Estados Unidos pelas sanções impostas ao país, porque, segundo ele, permitiram o fortalecimento de Teerã. Ele citou como exemplo a entrada em órbita de um satélite e os progressos no campo nuclear.
Khmanei criticou ainda o trecho do discurso de Obama no qual afirmou que o Irã não pode ocupar o lugar que corresponde ao país no mundo recorrendo ao "terror e às armas", antes de pedir a Teerã uma opção pelos meios pacíficos.
"O presidente Obama envia uma mensagem de Ano Novo e na mesma mensagem acusa o povo iraniano de apoiar o terrorismo e buscar a produção de armas atômicas", lamentou.
"Não sabemos quem toma as decisões nos Estados Unidos. Se é o presidente, o Congresso ou outros. No que nos diz respeito, atuamos com lógica e não de modo emocional. Tomamos nossas decisões depois de fazer cálculos precisos", advertiu.
Estados Unidos e Irã não têm relações diplomáticas desde 1980, um ano depois do Irã ter se tornado uma república islâmica com a derrubada do xá Reza Pahlevi, que era apoiado por Washington.
As relações entre Washington e Teerã ficaram ainda piores durante o mandato do republicano George W. Bush, que se negou a dialogar com o Irã por causa do programa nuclear e incluiu o país no "eixo do mal", ao lado de Coreia do Norte e do Iraque de Saddam Husein.
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