Senado dos EUA aprova pacote de US$ 838 bilhões para estimular economia

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira, após uma longa negociação e diversas modificações, o novo pacote de estímulo à economia dos EUA, defendido pelo presidente Barack Obama. Na forma como foi aprovada, a medida ficou em US$ 838 bilhões --pouco acima do valor em que estava até antes da votação na Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) em 28 de janeiro, US$ 825 bilhões.

A aprovação hoje ocorreu com 61 votos favoráveis e 37 contrários, apenas um a mais que o necessário. Apesar disso, o resultado pode ser visto como uma vitória de Obama, já que o governo conquistou votos de três senadores republicanos. Na Câmara, o pacote não havia recebido nenhum voto da oposição, além de ter perdido 11 democratas (244 a 188).

Agora, com a aprovação, os senadores irão precisar realizar uma sessão conjunta para harmonizar o texto com o que foi aprovado pelos deputados no dia 28 de janeiro. A previsão é que de que até sexta-feira (13) o pacote seja enviado a Obama para ser sancionado.

Quando aprovado na Câmara, o valor foi modificado para US$ 819 bilhões. Ao chegar no Senado, as alterações começaram e o montante ficou em mais de US$ 900 bilhões. Na sexta-feira (6), porém, republicanos e democratas chegaram a um novo acordo para votar um pacote de US$ 780 bilhões. E ontem, por fim, o Senado decidiu que a medida que iria à votação teria um valor de US$ 838 bilhões.

Obama fez pressão sobre os senadores em diversas ocasiões para que aprovassem a medida. Ontem, em um evento em Elkhart (Indiana, centro-norte dos EUA), Obama disse que o debate no Senado sobre o pacote foi "bom, mas agora é hora de agir" para aprovar a medida. Nas palavras de Obama, a "paralisia" sobre o pacote pode "aprofundar o desastre". "Tivemos um bom debate. Agora é hora de agir. É por isso que estou pedindo ao Congresso que aprove a legislação imediatamente", disse.

O projeto vem sendo criticado pelos republicanos. A principal queixa da oposição é que o projeto não resultará aquilo que o presidente tem destacado como seu principal componente: criar empregos. Obama defende que o plano de estímulo irá criar entre três e quatro milhões de empregos.

No mês passado, a economia americana perdeu quase 600 mil empregos e a taxa de desemprego subiu para 7,6%; no país todo, o número de pessoas desempregadas atualmente é de 11,616 milhões. O número de vagas fechadas no ano passado ficou próximo de 3 milhões, contra os 2,6 milhões calculados no mês passado; e desde o início da atual recessão (dezembro de 2007), o país já perdeu 3,6 milhões de empregos.

Demora

Ontem, o assessor econômico de Obama, Lawrence Summers, disse que a recuperação da economia americana pode não começar antes do início de 2010. No domingo, ele já havia dito que a nova administração "herdou o pior sistema financeiro desde a Grande Depressão", entre o fim dos anos 20 e início dos anos 30 do século passado.

Ele afirmou que os gastos contemplados no pacote, principalmente para a educação e, em parte, para a Previdência Social, "não serão permanentes". "Isso não se fará de maneira permanente no orçamento. Em um dado momento, sairemos dessa recessão, e os gastos serão reduzidos", afirmou, referindo-se às críticas dos republicanos, que acusam o pacote de prever gastos, e não estímulo.

Em um editorial na edição desta terça-feira, intitulado "A better stimulus bill" ("Uma lei melhor de estímulo", em tradução livre), o diário americano "The New York Times" informa que as chances de que mesmo um pacote de US$ 800 bilhões não seja suficiente para combater a crise "infelizmente são altas", e mais ajuda será necessária no futuro. "Quando a administração Obama pedir mais, terá de ser capaz de argumentar de forma convincente que a primeira ajuda foi a melhor possível", diz o texto.

Espiral negativa

Em sua primeira entrevista coletiva como presidente, Obama defendeu a aprovação do pacote para evitar uma "espiral negativa" na economia do país. Antes das perguntas, ele leu uma declaração defendendo a aprovação da medida, e a questão do plano de estímulo dominou a coletiva.

"Quando você demora a agir em situações como essa, você entra em uma espiral negativa", disse. Ele avaliou que grande parte da oposição ao pacote vem de restrições "sinceras e filosóficas" à interferência do governo na economia, mas lembrou o exemplo do "New Deal" --o programa de investimentos estatais dos anos 30-- que teve o objetivo de combater a Grande Depressão.

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