Paraisópolis ficará cercada




Após um confronto que deixou pelo menos três policiais feridos e um rastro de vandalismo em Paraisópolis, na Zona Sul da capital paulista, a Polícia Militar mantém cerca de 120 homens no local na noite desta segunda-feira (2). Manifestantes destruíram carros e fecharam ruas para protestar contra a morte de um morador durante uma ação policial ocorrida no domingo (1º).

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Augusto Marzagão, esteve no local e anunciou que a PM vai manter a favela cercado até que sejam restabelecida a ordem. “Essa situação não deveria acontecer, não pode acontecer”, disse o secretário, que adiantou: “a determinação é para que a área fique saturada [policiada intensamente]. A operação irá até a hora que for necessária”, disse.

Maragão afirmou que “a situação é grave", mas que está controlada. “Nós temos a obrigação de agir dentro da lei. Não podemos responder com violência”, complementou. O secretário disse que foi até o local para “dar apoio aos policiais que estão trabalhando” e que as causas do tumulto só serão comprovadas após investigações.

Policiais feridos

Segundo a secretaria de Segurança, três policiais ficaram feridos, entre eles está um comandante. Eles foram levados para o Pronto-socorro do Hospital São Luiz e para o Hospital Albert Einstein. Não há informações sobre o estado de saúde das vítimas.

Ao todo, 120 policiais e 60 carros estavam na favela desde as 20h30, incluindo homens da Tropa de Choque, da Força Tática e do policiamento do bairro. Nove pessoas foram detidas e encaminhadas ao 89º Distrito Policial, sendo seis menores de idade.

A confusão começou na região quando manifestantes entraram em confronto com policiais militares por volta das 17h. O grupo interrompeu o trânsito em uma das principais avenidas da região e protagonizou muitas cenas de vandalismo. Manifestantes queimaram carros e pedaços de madeira, interditando algumas vias de acesso da favela.

A Tropa de Choque e o helicóptero Águia da Polícia Militar foram acionados para desobstruir as ruas. Bombas de efeito moral foram lançadas pela polícia para afastar os manifestantes. Fogos de artifício foram lançados na direção do helicóptero da PM.

Carros foram depredados e incendiados. Um restaurante na Avenida Giovanni Gronchi foi depredado por homens que tentavam interditar a avenida e foram impedidos pela polícia. Pelo menos sete pontos de bloqueio foram verificados dentro da favela. Em apenas uma rua, oito veículos foram queimados.

Na Rua Doutor Flávio Américo Maurano, altura do número 1.000, uma Kombi foi tombada e, após ter sido colocada em chamas, foi usada como bloqueio contra o avanço dos policiais. A polícia não divulgou um balanço dos prejuízos provocados pelo bando.

Foragido morto

De acordo com testemunhas, o protesto teria começado por causa da morte de um morador da região durante uma ação policial. A morte teria ocorrido por volta das 12h30 de domingo (1°), durante um patrulhamento de rotina da polícia.

A PM informou que o homem de 25 anos dirigia um Stilo roubado, não parou diante de um bloqueio policial e atirou contra os policiais. Na troca de tiros, ele foi atingido e não resistiu apesar de ter sido socorrido. Era foragido da penitenciária de Franco da Rocha.

Moradores prejudicados

O tumulto prejudicou a rotina dos moradores. Houve relato de que os responsáveis pelo tráfico na região decretaram toque de recolher. A SPTrans informou que seis linhas do transporte público não conseguem trafegar normalmente na região desde meados da tarde desta segunda-feira. As linhas, operadas por duas cooperativas de transporte, ligam Paraisópolis às regiões de Santo Amaro, Pinheiros e central.

Saiba mais sobre o local

A favela de Paraisópolis, na Zona Sul, é a segunda maior da cidade de São Paulo, ficando atrás apenas da favela de Heliópolis. Ela está situada no meio de uma das áreas mais caras da cidade, o bairro do Morumbi.A favela tem mais de 84 mil moradores, segundo a Subprefeitura de Campo Limpo.

O local é considerado com um dos mais perigosos da cidade em índices de criminalidade e violência, segundo o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo. A favela é composta de três complexos (Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro) que ocupam uma área de um milhão de metros quadrados. Parte dos moradores vive em área de risco, a passagem do Córrego do Brejo. A população da favela também enfrenta problemas nas infra-estruturas da rede de água, esgoto e drenagem.


Manifestantes enfrentaram a PM em Paraisópolis

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