
Obama defende pacote de estímulo econômico em sua primeira entrevista coletiva como presidente dos Estados Unidos
Leia a íntegra da entrevista, em inglês
Em sua primeira entrevista coletiva como presidente dos Estados Unidos, Barack Obama defendeu a aprovação imediata pelo Congresso do pacote de estímulo econômico para evitar "uma espiral negativa" na economia do país. Obama também voltou a defender o diálogo com o Irã, dizendo acreditar que uma relação de "respeito mútuo" é possível. O presidente reconheceu ainda a dificuldade enfrentada pelo Exército dos EUA no Afeganistão.
Barack Obama durante sua primeira coletiva como presidente dos Estados UnidosAntes das perguntas, Obama leu uma declaração defendendo a aprovação do pacote econômico de US$ 829 bilhões que deve ser votado nesta terça-feira pelo Senado. O tema dominou a coletiva.
Na resposta à primeira pergunta, sobre a capacidade do país de sair da crise, Obama disse que tem confiança em uma solução, mas repetiu o apelo que fizera durante a tarde em um evento na cidade de Elkhart, no Estado de Indiana (centro-norte do país), duramente afetada pelo desemprego.
"Quando você demora a agir em situações como essa, você entra em uma espiral negativa", disse o presidente. Ele defendeu que o Congresso aprove com rapidez o pacote de estímulo à economia, afirmando que metade das 3,5 milhões de demissões em razão da crise aconteceram nos últimos três meses. Esse dado mostra, segundo ele, que a crise está se acelerando.
Confiança
Obama disse confiar que a crise será solucionada, mas que qualquer saída depende de um primeiro passo --a aprovação do pacote. Ele avaliou que grande parte da oposição ao pacote vem de restrições "sinceras e filosóficas" à interferência do governo na economia, mas lembrou o exemplo do New Deal --o programa de investimentos estatais dos anos 30-- que teve o objetivo de combater a Grande Depressão após a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929.
Segundo o presidente, a capacidade do plano de manter ou criar empregos será o principal parâmetro de avaliação do êxito do pacote.
"Minha medida inicial de sucesso é a criação ou manutenção de 4 milhões de postos de trabalho", disse ele. O segundo parâmetro de avaliação do plano será o funcionamento dos mercados de crédito --se haverá crédito disponível para quem quiser comprar ou investir. Em terceiro lugar, Obama apontou a estabilização do mercado imobiliário, com o fim dos problemas relativos a hipotecas e a manutenção do valor dos imóveis.
Nesta terça-feira, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, vai anunciar medidas específicas sobre o crédito nos EUA, garantindo transparência ao sistema, disse Obama.
A entrevista coletiva ocorreu poucas horas depois de o Senado aprovar o encerramento dos debates e marcar para esta terça-feira a votação do pacote de US$ 829 bilhões proposto pelo governo para estimular a economia, com investimentos e cortes de impostos.
Política Externa
O presidente voltou a defender o uso de todos os recursos que os EUA dispõem para lidar com o Irã, o que "inclui a diplomacia". Segundo Obama, Washington está revendo as políticas para o Irã, vendo onde é possível "construir diálogo".
"Minha expectativa é de que nos próximos meses haverá aberturas para que possamos nos sentar em uma mesa face a face", afirmou. Para Obama, "há a possibilidade de uma relação de respeito mútuo e progresso", mas o Irã "deve mandar sinais de que também quer agir diferente".
O presidente americano disse que as eleições provinciais do último dia 31 no Iraque foram um sinal de progresso na situação interna do país, mas que o Afeganistão é mais instável que o Iraque, com menor controle do governo central sobre as áreas tribais. Ele evitou estabelecer um prazo para saída das tropas dos EUA do território afegão, dizendo que a retirada vai depender do fim da ameaça dos terroristas que têm base no país e em áreas tribais do Paquistão, próximas à fronteira.
"Nós vamos precisar de mais coordenação efetiva de nossos esforços militares com esforços diplomáticos, com esforços de desenvolvimento, com coordenação mais efetiva com nossos aliados para termos sucesso", disse Obama, destacando a necessidade de colaboração com o governo paquistanês. "Nós temos de garantir que o Paquistão seja um aliado incondicional na batalha contra o terrorismo."
Obama preferiu não apoiar a proposta de um senador democrata que defendeu a formação de uma comissão para investigar abusos que teriam, segundo ele, sido feitos durante o governo do ex-presidente George W. Bush. "Falando de forma geral, eu estou mais interessado em olhar para frente do que olhar para trás", disse Obama.
Campanha
Transmitida em horário nobre nos EUA, a entrevista faz parte dos esforços do presidente para conseguir apoio para o pacote, criticado como inútil por republicanos.
A primeira entrevista formal de Obama depois de assumir a Presidência foi concedida à TV árabe Al Arabiya, no dia 27 de janeiro. Ele afirmou então que os americanos não são inimigos dos muçulmanos, incentivou negociações de paz entre israelenses e palestinos e repetiu a frase do discurso de posse sobre "estender a mão" ao Irã, desde que aquele país 'abra os punhos'.
No dia 3 deste mês, Obama concedeu cinco entrevistas a diferentes redes de TV americanas, nas quais admitiu ter errado na forma como conduziu a polêmica sobre os impostos sonegados pelo ex-senador democrata Tom Daschle, indicado para a Secretaria da Saúde. Inicialmente apoiado por Obama em meio às acusações, Daschle acabou desistindo do cargo.
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