Presidente boliviano define promulgação como "refundação do país". Texto constitucional teve aprovação popular em referendo.
O presidente Evo Morales promulgou neste sábado (7) a nova Constituição da Bolívia que, segundo disse, permitirá voltar a fundar o país a partir da unidade, da igualdade e da dignidade, e caminhar em direção à reconciliação nacional.
"Missão cumprida. Para voltar a fundar uma Bolívia unida", proclamou Morales, ao declarar promulgada uma Carta Magna que, pela primeira vez na história do país, foi aprovada com o voto popular no referendo realizado em 25 de janeiro.
Em um grande ato realizado na cidade de El Alto, o presidente indígena, funcionários de seu governo, as Forças Armadas e os milhares de bolivianos reunidos no local formularam um juramento coletivo para "respeitar e fazer respeitar" a nova Constituição.
De acordo com Morales, a Carta Magna foi inspirada na "permanente luta pela libertação" que desde os tempos da colônia espanhola empreenderam os povos indígenas, os movimentos sociais e os patriotas bolivianos em defesa "da vida, da justiça e da soberania".
"É impressionante o que estamos fazendo: da rebelião de nossos antepassados à revolução democrática e cultural. Há uma nova Bolívia, com a reconciliação entre milenares e contemporâneos", destacou o presidente.
Multinacional e unitário
Com a promulgação da Carta Magna, Morales pôs hoje em vigor um modelo de Estado multinacional e unitário, de economia social e que, destacou, "protege por igual todos os bolivianos".
No entanto, lembrou que, "após tantas adversidades e humilhações", o texto consagra ainda "as aspirações mais profundas dos setores mais abandonados" no país, como o caso de indígenas e trabalhadores.
Após um discurso carregado de referências históricas com o qual quis prestar homenagem aos heróis da luta indígena e social da Bolívia, Morales fez pediu a união de todos os setores do país para implementar a nova Constituição.
No dia 25 de janeiro, 61,4% dos bolivianos apoiaram em referendo esta Carta Magna que constitui o eixo do processo de mudança impulsionado por Morales desde que chegou à Presidência do país, há três anos.
A rejeição ao texto se concentrou majoritariamente nas regiões autonomistas de Santa Cruz, Beni e Tarija, todas governadas por opositores, assim como em Pando, regida por um governador regional militar após a prisão do governante anterior por sua suposta responsabilidade por um massacre ocorrido em setembro.
Depois da promulgação, uma das primeiras medidas de Morales para a implantação da nova Carta Magna será a reestruturação de seu governo para adequá-lo ao texto já vigente.
Nota do Editor:
O povo votou sem saber o que estava votando e assim nasce uma constituição ditatorial e que poderá causar uma guerra civil.
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