GM e Chrysler pedem mais US$ 21 bi aos EUA e devem demitir 50 mil

As fabricantes de veículos General Motors e Chrysler apresentaram seus planos de reestruturação nesta terça-feira que incluem a necessidade de empréstimos que podem somar mais US$ 21,6 bilhões, sendo até US$ 16,6 bilhões da GM e US$ 5 bilhões da Chrysler.

O plano também inclui a demissão de um total de 50 mil trabalhadores em todo o mundo, sendo 47 mil da GM e 3.000 da Chrysler.

Somando os valores já emprestados no final de 2008 e os prometidos, os empréstimos podem somar US$ 39 bilhões, sendo US$ 30 bilhões para a GM e US$ 9 bilhões para a Chrysler, se os planos de hoje foram acatados.

Em dezembro de 2008, o governo americano anunciou ajuda para o setor automobilístico com até US$ 17,4 bilhões, tirados do pacote de US$ 700 bilhões aprovado em outubro e destinado inicialmente a resgatar empresas do setor bancário com problemas ligados a papéis "podres" (com alto risco de calote).

De início, GM e Chrysler tiveram acesso a US$ 13,4 bilhões. A GM recebeu US$ 9,6 bilhões e, a Chrysler, US$ 4 bilhões.

Em janeiro, a taxa anualizada de vendas de automóveis nos EUA ficou em 9,6 milhões de unidades, quase a metade da atingida há apenas três anos.

GM

A General Motors poderá pedir até US$ 30 bilhões em empréstimos ao Estado até 2011, e quer reduzir seus efetivos em todo o mundo em 47 mil empregados ainda este ano. Excluindo os US$ 13,4 bilhões acertados no final de 2008, a ajuda inclui novos US$ 16,6 bilhões.

"Se o novo e ainda mais desanimador cenário da queda da demanda ocorrer, a GM precisará de mais ajuda federal, estimada, atualmente, em US$ 7,5 bilhões, que poderiam chegar a um total de US$ 30 bilhões em fundos do governo até 2011", indicou a GM em seu plano de reestruturação, apresentado nesta terça-feira ao departamento do Tesouro americano.

Além disso, o grupo anunciou que planeja cortar até 47 mil funcionários de suas fábricas em todos os países, 26 mil deles, fora dos Estados Unidos. A proposta, enviada ao Tesouro dos Estados Unidos, inclui o fechamento de cinco fábricas nos EUA.

O grupo informou ainda que sua unidade Saab, na Suécia, pode ter que pedir a proteção da lei de falências "ainda este mês" caso não receba ajuda do governo sueco.

As vendas da GM tiveram queda de 10,8% em 2008, com a montadora perdendo pela primeira vez na história a liderança em vendas no mercado automobilístico mundial para a rival japonesa Toyota Motor. A GM vendeu, no ano passado, 8,35 milhões de unidades, contra 9,37 milhões em 2007. A Toyota, por sua vez, viu uma queda de 4% em suas vendas em 2008, em relação ao ano anterior, com 8,97 milhões de unidades.

Chrysler

A montadora norte-americana Chrysler informou nesta terça-feira precisar de US$ 5 bilhões a mais em financiamento público, cortar 3.000 postos de trabalho e suspender a produção de três modelos. GM (General Motors) e Chrysler tinham até hoje para apresentar às autoridades americanas os planos de reestruturação que lhes permitirão receber bilhões de dólares de ajuda pública.

A empresa informou que chegou a acordos com sindicatos, fornecedores e vendedores para poder cumprir as exigências do governo para reestruturar suas dívidas. A montadora também afirmou que vai reduzir a produção de veículos em 100 mil unidades e cortar custos U$ 700 milhões.

A Chrysler, que já obteve US$ 4 bilhões em empréstimos federais, e informou, inicialmente, que pediria pelo menos outros US$ 3 bilhões para colocar em prática seu plano de reestruturação --que acabou fechando em US$ 5 bilhões.

A obtenção deste empréstimo, que a Casa Branca afirmou considerar de forma separada à solicitação da GM, é um requisito para que a Chrysler firme definitivamente uma aliança industrial com a Fiat.

As duas empresas chegaram em janeiro a um acordo no qual a Fiat vai fornecer à montadora americana design, engenharia e material para a fabricação de carros pequenos, em troca de 35% do capital da Chrysler.

Os diretores da Chrysler qualificaram o acordo com a Fiat como fundamental para garantir a sobrevivência da empresa, mas também estão trabalhando em outros acordos caso o estipulado com os italianos não se torne realidade.

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