O papa Bento 16 tem enfrentado problemas na relação com judeusO ato do papa tem sido alvo de discussão entre católicos e judeus e é o último de uma série de episódios que levantaram acusações de antissemitismo contra Bento 16.
Desta vez, a polêmica começou com a reabilitação de Williamson e de outros três bispos excomungados nos anos 80 por terem sido consagrados pelo arcebispo ultraconservador Marcel Lefebvre sem autorização do então papa, João Paulo 2º. Lefebvre liderava, então, religiosos que se opunham às mudanças na Igreja introduzidas pelo Concílio Vaticano 2º, como o fim do uso do latim durante as missas.
O gesto de aproximação com o grupo conservador, no entanto, acabou nublado pela divulgação de uma entrevista concedida por Williamson a uma TV sueca na qual ele questiona o Holocausto. "Acredito que não existiram câmaras de gás e [apenas] entre 200 mil e 300 mil judeus sofreram nos campos de concentração."
Polêmica
Os grupos judaicos reagiram imediatamente à reabilitação do bispo, e o rabinato de Israel cortou todos os laços com o Vaticano. Em uma carta envida à Santa Sé, o diretor geral do rabinato, Oded Weiner, suspendeu um encontro entre judeus e cristãos programado para o início do mês que vem. "Sem uma desculpa pública será difícil continuar com este diálogo."
O bispo Richard Williamson, que questionou o Holocausto na TVO Vaticano logo afirmou que discorda de Williamson e que a decisão de readmiti-lo não tem relação com o episódio. O cardeal Walter Kasper, responsável pelas relações da igreja com os judeus, chamou as declarações de "estúpidas" em um editorial do jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano", e disse que o antissemitismo "não é objeto de discussão".
Desde então, o papa ainda condenou quem tenta negar o Holocausto, e o próprio Williamson escreveu uma carta em que pediu desculpas pelas "observações imprudentes".
Alemanha
Nesta terça-feira (3), a polêmica esquentou com as declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, que é protestante, exigindo que Bento 16 deixe "bem claro" que rejeita a negação do Holocausto --cerca de 34% dos alemães declaram-se católicos, e 34%, protestantes. Ainda nesta terça-feira, o jornal "Bild", o mais vendido da Alemanha, afirmou que o papa "cometeu um erro grave" e que o "fato de ser um papa alemão torna a questão especialmente ruim".
Na Alemanha, é crime negar a existência do Holocausto.
Outros episódios
Os atritos entre o Vaticano e o judaísmo se acirraram recentemente com a reabilitação dos bispos e, no começo de janeiro passado, com as declarações do cardeal Renato Martino, o presidente do Conselho Pontifício de Justiça e Paz do Vaticano, segundo o qual Gaza, sob ataque israelense, assemelhava-se a um "grande campo de concentração".
Em 2007, o papa enfureceu muitos judeus ao suspender restrições a missas em latim com o rito tridentino, que contém uma oração pela conversão dos judeus. A Associação dos Rabinos Italianos decidiu, em resposta à decisão sobre a missa, boicotar as celebrações do dia anual de diálogo interreligioso entre judeus e cristãos, no último dia 17, instituído pelo papa João Paulo 2º como uma forma de combater o antissemitismo.
Outra fonte de atrito entre o Vaticano e Israel é o processo de beatificação do papa Pio 12, que liderou a igreja na Segunda Guerra e é acusado por grupos judaicos de ter fechado os olhos à perseguição nazista aos judeus. Em 2008, Bento 16 barrou o processo que poderia levar o antecessor a ser declarado santo, pedindo um estudo aprofundado sobre o assunto. O atual papa destacou, no entanto, o que chamou de trabalho silencioso de Pio 12 em favor dos judeus, nos tempos do Holocausto.
Merkel entra na polêmica sobre Holocausto e pede posição "clara" do papa
A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu nesta terça-feira ao papa Bento 16 para "deixar bem claro" que rejeita a negação do Holocausto, depois da reabilitação do bispo Richard Williamson, excomungado nos anos 80 por outro motivo. Em uma entrevista, o bispo questionou a dimensão do extermínio de judeus.
A polêmica teve início depois que o papa anunciou, no último dia 24 de janeiro, a suspensão da excomunhão de Williamson e de outros três bispos, que foram excomungados nos anos 80 por terem sido consagrados pelo arcebispo ultraconservador Marcel Lefebvre sem autorização do então papa, João Paulo 2º. Lefebvre liderava um grupo de religiosos que se opunham ás mudanças na Igreja introduzidas pelo Concílio Vaticano 2°, como o fim do uso do latim durante as missas.
O gesto de aproximação com o grupo conservador foi nublado pela divulgação de uma entrevista concedida por Williamson a uma TV sueca, na qual ele colocou em dúvida o Holocausto. "Acredito que não existiram câmaras de gás e [apenas] entre 200 mil e 300 mil judeus sofreram nos campos de concentração", disse Williamson.
A reação foi imediata. Grupos judaicos criticaram duramente a decisão da igreja e o rabinato de Israel cortou todos os seus laços com o Vaticano. Em uma carta envida à Santa Sé, o diretor geral do rabinato, Oded Weiner, suspendeu um encontro entre judeus e cristãos programado para o início do mês que vem. "Sem uma desculpa pública será difícil continuar com este diálogo", escreveu Weiner.
A igreja esforçou-se para esclarecer que não concorda com as declarações de Williamson, e que a decisão de readmiti-lo não tem relação com o episódio. O cardeal Walter Kasper, responsável pelas relações da igreja com o judaísmo, chamou as declarações de "estúpidas", um editorial do jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano", classificou o ponto de vista de Williamson de "inaceitável" e destacou que o antissemitismo "não é objeto de discussão" para um católico.
Para o líder da conferência dos bispos da Itália, cardeal Angelo Bagnasco, a dúvida levantada por Williamson é "infundada e injustificada". O papa Bento 16 condenou quem tenta negar o Holocausto, e o próprio Williamson escreveu uma carta em que pediu desculpas por suas "observações imprudentes".
Para Merkel, que é protestante, os esclarecimentos do Vaticano são insuficientes. A chanceler fez as declarações depois que a crítica ao papa alemão ganhou destaque pela primeira vez na imprensa do país, que no início do papado não escondeu o orgulho pela eleição do então cardeal Joseph Ratzinger ao comando da Igreja Católica. Cerca de 34% dos alemães declaram-se católicos, e 34%, protestantes.
O jornal "Bild", o mais vendido da Alemanha, publicou em sua primeira página nesta terça-feira: "Críticas ao papa pelo mundo". Em um país que convive com a memória do massacre dos judeus, a nacionalidade do papa é uma questão central na polêmica. "O papa cometeu um erro grave. O fato de ser um papa alemão torna a questão especialmente ruim", afirma o editorial do "Bild". Na Alemanha, é crime negar a existência do Holocausto.
Tensões
A reabilitação de Williamson foi um dos vários movimentos recentes do Vaticano que desagradam a grupos judaicos e levantaram acusações de antissemitismo. No início do mês, o cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício de Justiça e Paz do Vaticano disse que Gaza, sob ataque israelense, assemelhava-se a um "grande campo de concentração".
O papa também enfureceu muitos judeus em 2007 quando suspendeu restrições a missas em latim, de acordo com o rito tridentino, que contém uma oração pela conversão dos judeus. A Associação dos Rabinos Italianos decidiu, em resposta à decisão sobre a missa, boicotar as celebrações do dia anual de diálogo interreligioso entre judeus e cristãos, no último dia 17, instituído pelo papa João Paulo 2º como uma forma de combater o antissemitismo.
O grupo disse que as decisões recentes de Bento 16 estavam "cancelando" 50 anos de progresso no diálogo entre as duas religiões. Falando na reunião anual da conferência dos bispos, o cardeal Bagnasco disse que a reação dos rabinos era "injusta".
Outra fonte de atrito entre o Vaticano e Israel é o processo de beatificação do papa Pio 12, que liderou a igreja durante a Segunda Guerra e é acusado por grupos judaicos de ter fechado os olhos à perseguição nazista aos judeus. Em 2008, Bento 16 interrompeu o processo que pode levar o antecessor a ser declarado santo, pedindo um estudo aprofundado sobre o assunto. O atual papa destacou, no entanto, o que chamou de trabalho silencioso de Pio 12 a favor dos judeus nos tempos do Holocausto.
As polêmicas recentes podem afetar a realização de uma possível viagem do papa a Israel. Oficialmente, o Vaticano nega qualquer relação entre o a visita e a reabilitação de Williamson. "O projeto de viagem de Bento 16 a Israel não depende disso. A organização da visita está essencialmente vinculada a questões políticas e se viu complicada pelos acontecimentos em Gaza", disse o cardeal Kasper no último dia 26 de janeiro.
Teólogo pede renúncia do papa após reabilitação de bispo que negou Holocausto
O teólogo heterodoxo suíço Hans Küng pediu a renúncia do papa Bento 16 após o escândalo gerado pela reabilitação à Igreja Católica do bispo Richard Williamson, que nega o Holocausto e recentemente teve sua excomunhão suspensa.
Para Küng, a reabilitação de Williamson é apenas um equívoco a mais na série de erros com os quais Bento 16 vem pondo novos obstáculos no diálogo que as Igrejas cristãs travam entrem si e com outras religiões.
"Primeiro, ele questionou se os protestantes formam uma Igreja. Depois, em seu infeliz discurso de Regensburg, chamou os muçulmanos de desumanos. E agora ofende os judeus permitindo o retorno à Igreja de um negador do Holocausto", disse Küng em declarações ao jornal "Frankfurter Rundschau".
"É hora de substituí-lo", acrescentou Küng, que foi companheiro do papa quando ambos eram professores de teologia católica na Universidade de Tübingen.
O Vaticano proibiu Küng de ensinar a teologia católica em 1980, depois que ele questionou o dogma da infalibilidade papal.
Desde então, teólogo heterodoxo suíço, que permaneceu dentro da Igreja Católica, mas sem poder atuar como padre, se dedica ao diálogo entre as religiões.
Já Williamson e outros três bispos seguidores do cismático ultraconservador Marcel Lefebvre foram reabilitados pelo papa há uma semana.
Com France Presse, Associated Press e Reuters
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