O DEM aprovou nesta quarta-feira (4) uma moção de protesto contra a decisão do governo brasileiro de conceder refúgio político ao ex-ativista italiano Cesare Battisti. Segundo o autor do documento, deputado Paulo Bornhausen (SC), entidades ligadas à agroindústria no seu estado temem perder contratos com italianos em represália à decisão do governo.
“Essas entidades já se manifestaram em jornais de Santa Catarina. Uma missão da Itália vem ao estado na última viagem antes da homologação para a venda de produtos suínos, o que daria ao estado condições de exportar neste momento de crise. Mas já há manifestações não-oficiais de que essa visita pode ser cancelada”, afirma o deputado.
Para Bornhausen, esta seria “a gota d’água” de um processo por uma manifestação que considera errada do governo. “Sabíamos que essa discussão não ficaria no mundo diplomático, que chegaria ao mundo do emprego. [O refúgio político] foi uma medida tomada ao arrepio da lei, atropelando o Supremo, o bom senso.”
No documento, subscrito pelo líder da bancada Ronado Caiado (GO) e o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), o partido pede que o governo revise a concessão do status de refugiado político a Battisti. Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a moção de repúdio será endereçada ao embaixador italiano no Brasil e à União Européia.
“É preciso que o mundo saiba que nem todo mundo no Brasil concorda com essa decisão errada que o governo tomou”, diz o deputado.
O caso
Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios cometidos na Itália no fim dos anos 70, quando era um dos líderes dos "Proletários Armados pelo Comunismo" (PAC). Qualificado de "terrorista" pelo governo italiano, ele se nega ter cometido os crimes.
O Brasil lhe concedeu o estatuto de refugiado político, impedindo sua extradição e provocando a indignação das autoridades italianas. Nesta quinta-feira (5), o pedido de extradição do ex-ativista pelo governo italiano será analisado pelo Parlamento Europeu. No Brasil, o STF também julgará pedido de extradição.
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