SÃO PAULO - Ao olhar pela primeira vez para as fotos desta reportagem, dá para ficar imaginando de que carro se trata. Por trás, parece um esportivo americano da década de 60. Só que a carroceria pequena não combina com o grade porte dos muscle cars. Analisando-o com atenção, especialmente de frente e de lado, aí sim percebe-se que o sedã nada mais é que um Chevrolet Chevette transformado até a alma.

Sperling e sua obra, que leva o nome da esposa no capô
Uma personalização tão profunda como essa tinha mesmo de sair da mente de alguém que trabalha com a criatividade. O artista plástico Ronald Sperling, de 58 anos, é quem assina essa obra inusitada, com a qual costuma rodar tranquilamente pela cidade. "Eu o uso normalmente no dia a dia", comenta.
O jeitão ianque do carro, que já foi um Chevette 1986 bastante comum, não é à toa. A principal modificação, o corte das colunas para reduzir a altura total, foi inspirada em hot rods dos EUA. E a influência norte-americana não para por aí.
"As lanternas traseiras são baseadas nas do Chevrolet Corvette Sting Ray, de 1963, a entrada de ar no capô, num Ford Mustang dos anos 70. As saídas laterais de escape, no Shelby Cobra, os instrumentos, no Ford GT40 e o vidro de trás, no Pontiac Le Mans 1966", explica Sperling, com o detalhamento típico dos apaixonados por carrões.

Além de ter a altura reduzida, sedâ Chevrolet 1986 ganhou várias peças inspiradas em carros dos EUA
Por sinal, o Chevette foi batizado com o nome de sua esposa. "Ele é o Cristina", diz. O uso do artigo feminino fica reservado à mulher. No cinema, a versão inglesa do nome, Christine, ficou popular no papel de um Plymouth Fury 1957 que até matava para defender seu dono.
O Chevette de Sperling não chega perto disso, mas também pode ser agressivo. "O motor é o 1.6 original, mas com turbo e rende uns 150 cavalos", conta o artista. "Quero trocar de motor até o final do ano. Se possível, um 3.0 V6 do Omega nacional."
Até agora, ele investiu cerca de R$ 30 mil, ao longo de quatro anos. "Só a funilaria custou uns R$ 12 mil e demorou quase um ano para ficar pronta", diz.
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