Um adolescente de 17 anos foi encontrado no porão de um navio na noite de sábado (14), em Salvador. De acordo com informações do Juizado de Menores, o jovem veio de Guiné, na África, em um navio de bandeira italiana e não fala português.
O garoto teria viajado sete dias escondido no porão da embarcação rumo ao Brasil para tentar realizar o sonho de jogar futebol. Ele foi entregue à Polícia Federal e depois levado ao Juizado de Menores, que deverá determinar que providências serão tomadas em relação ao destino dele.
O órgão vai tentar entrar em contato com parentes do garoto em Nova Guiné.
"Meu maior sonho é jogar como Kaká", diz adolescente que fugiu para jogar bola no Brasil
Com dificuldades para escrever e ler e apenas falando francês, um adolescente da Guiné (África) ficou cinco dias sem se alimentar e tomar água para tentar realizar o sonho de jogar futebol no Brasil. O adolescente viajou clandestinamente no navio de bandeira italiana Grande San Paolo, que deixou Conacri, a capital da Guiné, no começo deste mês.
Descoberto pela tripulação três dias antes de desembarcar em Salvador, o africano foi entregue à Polícia Federal no último sábado. Mesmo sem documentação, foi encaminhado ao Juizado de Menores, após afirmar que tinha 17 anos.
"O meu maior sonho é um dia jogar como Kaká, Ronaldinho e Robinho", disse o adolescente, durante audiência hoje à tarde.
Com pouco mais de 24 horas de Brasil, o africano ganhou um presente: acompanhado por funcionários do juizado, assistiu ontem ao jogo entre Bahia e Feirense, pelo Estadual. O Bahia goleou o adversário por 4 a 1. Após a partida, ganhou uma camisa de presente da diretoria do clube.
"A emoção de ver um estádio lotado e a torcida cantando o tempo todo é a coisa mais bonita que já vi", disse o adolescente. Hoje à tarde, dois funcionários do juizado levaram o africano para conhecer as instalações do Centro de Treinamento Osório Villas Boas, o Fazendão, que pertence ao Bahia.
Em seu depoimento, o africano contou que entrou no navio "à noite", momentos antes do embarque. "Fiquei numa pequena sala muito quente, perto da casa de máquinas. O calor era insuportável, mas, consegui resistir, mesmo sem comer e beber água."
Segundo o Juizado de Menores, a empresa Oceanus Agência Marítima, responsável pela administração do navio em Salvador, contratou um intérprete para o africano. O juizado informou também que, pela legislação, a empresa terá de bancar os custos do retorno do africano para o seu país. A data ainda não foi definida.
Nesta segunda-feira, funcionários do juizado entraram em contato com familiares do adolescente e pediram cópias de seus documentos. Além disso, acionaram o Itamaraty para saber que providências serão tomadas até o retorno do africano.
"Os meus parentes querem que eu trabalhe na lavoura, plantando batata, mas o meu desejo é mesmo ser jogador de futebol. Sou atacante, chuto bem com as duas pernas e quero vencer na vida jogando bola no Brasil", disse o africano.
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