Os devedores de promessas

Por Jorge Serrão

O Brasil teria tudo para sair da crise global como grande credor líquido. Mas tudo indica que o País vai perder mais uma chance de progresso e desenvolvimento. Nossos fundamentos econômicos não ajudam. Os fatores culturais atrapalham mais ainda. O estrabismo especulativo, de ganhos sempre imediatos, joga contra. Mas o pior ainda é a mentalidade espoliativa de uma sociedade que aceita que o Brasil seja condenado a ser uma rica colônia de exploração mantida artificialmente na miséria por interesses globalitários.

“O maior obstáculo ao sucesso da economia brasileira é o baixo índice de poupança. O Brasil jamais irá crescer com índices de poupança tão baixos quanto os atuais. Elevá-los para algo entre 25% e 30% do PIB deveria ser o ponto central do projeto de ajustes estruturais para a nova realidade do sistema financeiro global”. As aspas são de um dos colunistas de finanças mais influentes do mundo. Martin Wolf, do Financial Times, de Londres, é o autor de um livro profético: A Reconstrução do Sistema Financeiro Global, lançado ano passado.

O liberal Wolf defende o argumento de que o capitalismo vive uma prova de fogo. Se as medidas de saneamento falharem, o comércio internacional vai quebrar, e as grandes empresas, constituídas ao longo dos últimos séculos, vão desaparecer. O grande Lobo do jornalismo da poderosa City de Londres recomenda que chegou a hora de ser mais conservador, reduzindo os níveis de endividamento e resistindo à tentação de fontes de financiamento baratas em moedas estrangeiras.

Analistas realistas, mesmo sob o risco de serem chamados de alarmistas, advertem que a crise global ainda reserva algumas surpresas desagradáveis. Sobretudo para o mercado financeiro. Quem é refém dele – como é o caso do Brasil – tem tudo para ver a coisa ainda mais vermelha e preta. A principal dúvida do momento (dentre várias) é apavorante. O volume de dinheiro a ser “fabricado” para socorrer bancos sem liquidez não fará falta para o bolso dos simples mortais – ou será tungado deles via impostos ou à custa de empregos?

A banqueiragem no Brasil é mais complicada ainda. Por aqui, ao menos no discurso oficial, os bancos não teriam problemas iguais aos dos EUA, da Inglaterra, dos Alemães e dos Suíços. Mas a situação é nada cômoda. Aqui os banqueiros se submetem (e lucram) com uma parceria forçada com um desgoverno (muito e mau) gastador. A crise de confiança é evidente. Os bancos morrem de medo da inadimplência.

Diante do risco de calote à vista (ou a prazo), os bancos (inclusive os “estatais”) não querem embarcar na marolinha do chefão Lula – que exige a liberação de dinheiro para crédito. Desconfiando da capacidade de pagamento dos endividados, os bancos usam seus lucros para comprar mais títulos públicos. Existem R$ 340 bilhões aplicados em operações de curtíssimo prazo, que não passam de 50 dias, em papéis do desgoverno. Neste clima, fica difíci8l abaixar juros e spreads (diferença entre o custo de captação do banco e o juro que cobra do consumidor).

Lula promete jogar pesado para que isso aconteça. O Tesouro Nacional deve capitalizar o Banco do Brasil. Não se sabe se será via aumento da paritcipação acionária da União no BB, ou se fará a injeção de grana via endividamento. O despero de Lula é aumentar o crédito, porque teme que a falta de dinheiro provoque recessão. A tática do Planalto é usar o BB para pressionar os outros bancos a abrirem a burra do crédito. Atualmente, BB, Caixa, Itaú/Unibanco, Bradesco e Santander respondem por 80% de qualquer novo dinheiro emprestado.

Só desejando que a crise não arranhe sua popularidade inflada, Lula e seus marketeiros do Bolcheviquepropagandaminister vendem o falso otimismodo ovo na barriga da galinha para o consumismo. As muitas promessas vendidas podem comprometer o futuro de muitos iludidos. Incentivar o crédito para quem não terá condições de quitar os compromissos é irresponsabilidade. Lula não liga para isso, e manda todo mundo comprar carros e casas, prometendo que não faltará dinheiro.

Qual será o destino de quem apostar nas promessas dele? O tempo dirá... Devedores de promessas, esperai pelo caos... Quem puder pague para ver. Só tome cuidado com os juros políticos que terá de quitar... Eis o motivo pelo qual é preciso mudar o atual modelo político e econômico no Brasil. Não podemos conviver - e nem progredir - com essa máquina gastadora e moedora de gente. Ainda mais em meio a uma crise tão psicológica quanto a atual.

Matéria pulicada no blog do ALERTA TOTAL em 15.02.2009

Jorge Serrão, Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

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