Fortes chuvas atingiram o sul do Rio Grande do Sul entre a noite desta quarta (28) e a madrugada de quinta-feira e provocaram ao menos seis mortes, a interdição de rodovias, o isolamento de cidades e até o descarrilamento de um trem.
Segundo a Defesa Civil do Estado, cerca de 1.200 pessoas estão desalojadas e 730 foram para a casa de parentes ou amigos. Duas permanecem desaparecidas, entre elas o maquinista do trem que descarrilou.
As chuvas provocaram inundações em três rodovias federais e em duas estaduais. As cidades de Pelotas e Turuçu chegaram a ficar isoladas.
Todas as vítimas morreram afogadas. Em Capão do Leão (265 km de Porto Alegre), foram confirmadas três mortes. Mas a Brigada Militar diz que outras duas pessoas morreram em decorrência das chuvas.
Um casal foi encontrado morto em Pelotas (258 km de Porto Alegre) em uma área que inundou. Em Turuçu (216 km de Porto Alegre), um homem de 55 anos foi encontrado morto no quarto inundado.
Em Pelotas, um trem de carga da ALL (América Latina Logística) descarrilou sobre a BR-392. Os vagões caíram em uma área inundada. A ALL diz que perdeu contato via satélite com o maquinista Adão Almeida, 49, à 0h46 de hoje.
A empresa contratou mergulhadores para auxiliar nas buscas ao condutor da locomotiva, que fazia o trajeto Rio Grande-Santa Maria. Ele não foi encontrado até a noite desta quinta.
A população de Capão do Leão teve o fornecimento de energia e água encanada interrompido. "A enxurrada levou a ponte de ferro do trem como se fosse de papel", diz o prefeito João Serafim Quevedo (PDT).
A situação também ficou crítica em Pelotas. Cerca de 60 famílias foram retiradas de áreas inundadas.
Já Turuçu chegou a ficar 70% inundada, de acordo com o assessor da prefeitura Flávio Jefke. Ele afirma que mais de mil pessoas estão desabrigadas e desalojadas na cidade.
Os moradores de São Lourenço do Sul (200 km de Porto Alegre) sofreram com inundações na manhã de hoje segundo o prefeito José Nunes (PT). Apesar de não ter chovido muito no município, a água que desceu pelo rio que dá nome à cidade forçou a retirada de 150 famílias das moradias.
De acordo com o serviço meteorológico MetSul, entre quarta e quinta-feira choveu 278 milímetros, o equivalente à média de dois meses de chuva.
"Foi um volume de chuva impressionante, parecido com o que caiu no Vale do Itajaí (SC). Aqui não houve quedas de barreiras porque o solo é rochoso e não cedeu", afirma o meteorologista Eugênio Hackbart.
Em Timbé do Sul (271 km de Florianópolis), a chuva causou o transbordamento de um rio, deixando comunidades isoladas. Na cidade, houve deslizamento de barreira na SC-285, que deixou 15 caminhões e oito carros isolados.
Outros Estados
Em Santa Catarina, ainda há reflexos das chuvas de novembro. As aulas na rede municipal de Blumenau foram adiadas. Marcado para o próximo dia 9, o ano letivo só terá início em 25 de fevereiro. Ocorrerão reparos emergenciais nas escolas.
A Prefeitura de Blumenau avaliou em R$ 15 milhões os danos com as chuvas nas escolas municipais. Do montante, R$ 12 milhões irão somente para a reconstrução de quatro unidades educacionais destruídas.
Em Minas Gerais, subiu para 28 o número de mortes provocadas pelas chuvas desde setembro. A última vítima foi um menino de quatro anos, que morreu soterrado por um deslizamento de terra em Nova Belém (342 km de Belo Horizonte) na terça.
Colaboraram JOSÉ EDUARDO RONDON e RENATA BAPTISTA
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