Obama promete 'renovar a promessa' do sonho americano

Obama homenageia Luther King na véspera da posse; eleito promete 'renovar a promessa' do sonho americano

WASHINGTON - O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira, 19, que sua posse como primeiro presidente negro aumentará o trabalho de se "renovar a promessa do sonho americano". Obama fez as declarações durante o dia de tributo ao líder das lutas pelos direitos civis Martin Luther King.

"Amanhã, estaremos juntos como um povo na mesma área onde o sonho de King ainda ecoa. Enquanto fazemos isso, nós reconhecemos que aqui na América nossos destinos estão interligados", disse Obama em comunicado. "Nós determinamos que quando caminhamos, devemos caminhar juntos", disse o democrata. "E conforme avançamos nesse trabalho de renovar a promessa desta nação, vamos lembrar da lição de King - de que nossos sonhos separados são realmente um."

Os Estados Unidos marcam nesta segunda-feira o dia de Martin Luther King, com uma série de eventos comunitários chamados de "Renovar a América Juntos: um Pedido para o Serviço". No domingo, Obama compareceu ao Lincoln Memorial, dedicado ao presidente assassinado que conduziu os EUA intactos durante a Guerra Civil e aboliu a escravidão. Na ocasião, Obama demonstrou uma visão sombria quanto aos perigos pela frente.

O local foi onde King, em 1963, cinco anos antes de seu assassinato, proferiu seu lendário discurso "Eu tenho um sonho", um sonho no qual as crianças seriam julgadas pelo conteúdo de seu caráter e não pela cor da pele.

"A visão dele foi a de que todos os americanos devem dividir a liberdade para fazer de nossas vidas o que faremos; que nossas crianças cheguem mais alto que nós chegaríamos", disse Obama em seu comunicado. Para o presidente eleito, o feriado desta segunda-feira não é apenas um dia para pausa e reflexão - "é um dia para agir."


Problemas


No discurso de domingo, Obama falou da "enormidade" dos desafios que os EUA têm diante de si. "Em nossa história, foram poucas as vezes em que gerações tiveram de enfrentar desafios tão sérios quanto os que temos hoje; nossa nação está em guerra; nossa economia está em crise", apontou Obama.

Obama citou também sobre os milhões de desempregados e as pessoas que perderam suas casas por causa da crise. "Eu não fingirei que enfrentar qualquer um desses desafios será fácil. Levará mais que um mês ou um ano, e deve levar ainda muito mais", apontou o presidente eleito. "Mas apesar da enormidade da tarefa que temos pela frente, os EUA vão superar os problemas, e o sonho de nossos fundadores vai se manter vivo em nossa época", afirmou.

As festividades organizadas para marcar a posse de Barack Obama ganharam um tom mais solene nesta segunda-feira (19), dia de feriado anual colocado sob o signo do voluntariado nas associações de caridade em homenagem ao líder negro Martin Luther King.

Na véspera de se tornar o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, Barack Obama começou, entre outras atividades, visitando soldados feridos no hospital militar Walter Reed, na periferia de Washington, um estabelecimento criticado pelas condições lamentáveis de alojamento dos pacientes. Ele também ajudou a pintar paredes do Sasha Bruce, um abrigo de emergência para adolescentes e sem-teto na periferia da capital.

Em comunicado especial pela ocasião, Obama prestou uma homenagem a Martin Luther King, afirmando que sua posse permitirá "renovar a promessa" do sonho americano.


O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, ajuda a pintar uma parede em um abrigo para moradores de rua nesta segunda-feira (19) em Washington. (Foto: AFP)


"Amanhã (terça-feira), vamos nos reunir na esplanada onde o sonho de Martin Luther King continua vivo. Por isso mesmo, reconhecemos que aqui, na América, nossos destinos são intrinsecamente ligados", declarou.

"Estamos determinados a avançar juntos. Ao buscar renovar a promessa deste país, lembremo-nos da lição de King: os sonhos de cada um de nós formam na verdade apenas um", acrescentou.

O dia de homenagem a King, assassinado em 1968 aos 39 anos depois de lançar o movimento de direitos iguais para brancos e negros, é tradicionalmente dedicado a causas humanitárias nos Estados Unidos.

Este feriado ganhou uma importância especial em 2009, num momento em que Obama, que sempre dedicou parte de seu tempo às atividades sociais nos bairros de seu feudo de Chicago (Illinois, norte dos EUA), conclamou seus concidadãos a "renovar a América juntos", num contexto de grave crise econômica.

As festividades recomeçarão no início da noite, com um baile especial para as crianças que contará com a participação de Michelle Obama e Jill Biden, a esposa do vice-presidente eleito.

Barack Obama, que transformou a cooperação com a oposição republicana em uma de suas prioridades, comparecerá na noite desta segunda-feira a três jantares consecutivos: um em homenagem a Colin Powell, que se tornou durante o primeiro mandato de George W. Bush o primeiro negro secretário de Estado, outro em homenagem a John McCain, adversário de Obama nas eleições presidencial, e o terceiro em homenagem ao vice-presidente eleito Joseph Biden.

A terça-feira promete engarrafamentos ainda piores que os de ontem à noite, provocados por um show gratuito no Mall, o imenso parque do centro de Washington. As centenas de milhares de americanos procedentes dos quatro cantos do país aproveitaram o dia para visitar os museus e os shoppings da capital.

Torrey Pocock, 38 anos, veio de Los Angeles para comemorar a vitória sobre o racismo que representa a eleição de Obama, apesar de sempre ter votado nos republicanos.

"Que este país, com sua história, tenha depositado sua confiança num presidente negro é algo incrível", vibrou.

Entre os convidados de última hora, estão os tripulantes do voo 1549 da US Airways, que caiu quinta-feira no rio Hudson com 155 passageiros a bordo sem deixar vítimas.

Por sua vez, o presidente George W. Bush continuou preparando sua saída. Ele ligou nesta segunda-feira para os dirigentes de países aliados, amigos e até rivais dos Estados Unidos para se despedir.

Além disso, a Casa Branca advertiu nesta segunda-feira a Coreia do Norte que o próximo presidente manterá a firme política americana de oposição a seu programa nuclear, e qualificou de pueril a atitude de desafio de Pyongyang.

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