
O juiz militar Patrick Parrish acatou o pedido do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pela suspensão por 120 dias de todos os julgamentos dos suspeitos de terrorismo presos na base naval de Guantánamo. O juiz é um dos dois responsáveis pelos casos dos prisioneiros de Guantánamo que devem acatar o pedido de Obama.
Em uma das primeiras medidas de seu governo, Obama pediu a suspensão de todos os julgamentos dos detidos na prisão de Guantánamo. O ato foi apoiado pela União Europeia e é o primeiro sinal de Obama para mostrar aos americanos --e a comunidade internacional- que está disposto a encerrar o legado impopular de George W. Bush.
A ordem chegou aos mãos do juiz nesta quarta-feira, entregue pelo secretário de Defesa de Obama, Robert Gates. Parrish é responsável pelo julgamento do canadense Omar Khadr, acusado de crime de guerra por ter matado um soldado americano com uma granada, no Afeganistão. Ele foi preso quando tinha 15 anos, em 2002.
Parrish escreveu um comunicado acatando a suspensão sem exigência de uma audiência.
A ordem deve ser acatada também pelo juiz Stephen Henley, responsável pelo processo de cinco homens acusados de ajudar a organizar os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington.
Os tribunais de exceção foram criados em 2006 e atualmente são responsáveis por 21 casos, 14 deles já atribuídos a um juiz, em um total de 245 detentos, de acordo com dados do Pentágono.
Pedido
A solicitação formal foi apresentada na noite desta terça-feira, às 20h51 (23h51 no horário de Brasília) aos juízes militares, em cumprimento a uma ordem de Obama, transmitida oralmente através do secretário da Defesa, Robert Gates --que já estava no cargo durante o governo Bush.
"No interesse da justiça, e a pedido do presidente dos Estados Unidos e do secretário de Defesa Robert Gates, o governo solicita, respeitosamente, que as comissões militares autorizem o adiamento dos processos mencionados anteriormente até 20 de maio de 2009", afirma a moção que será apresentada nesta quarta-feira (21) pelo juiz Cayton Trivett, do Ministério Público, a dois procuradores dos tribunais de exceção.
Apoio
A UE comemorou a decisão de Obama de suspender os julgamentos. Os ministros de Relações Exteriores da UE devem se reunir na próxima segunda-feira (26) para discutir uma postura comum em relação ao fechamento da prisão para suspeitos de terrorismo e podem também estudar políticas para aceitar os presos de Guantánamo que não podem voltar aos seus países de origem, por serem ameaçados de tortura e morte.
"Este é um passo muito importante para a justiça. Em um Estado baseado na lei, todo mundo tem o direito de se defender", disse Cercone, acrescentando que a ação de Obama foi entendida como um sinal de que os 245 prisioneiros da base naval americana serão submetidos a "procedimentos justos".
"Combater o terrorismo tem que permanecer um objetivo central para os EUA e Europa. Nós temos que ser unidos nesta luta, mas também unidos em total respeito aos direitos humanos".
Ajuda
O alto representante de Relações Exteriores da UE, Javier Solana, afirmou nesta quarta-feira que os líderes europeus estão dispostos a ajudar a administração Obama em seu objetivo de fechar Guantánamo. "Se pudermos contribuir para que esta decisão seja tomada o mais rapidamente possível, trataremos de ajudar", afirmou.
Solana lembrou que Guantánamo é "um problema americano, do governo dos EUA", mas disse que a UE está disposto a ajudar.
Legado
Base naval americana em Cuba, Guantánamo foi transformada em uma prisão para terroristas às pressas --os primeiros presos ficavam em jaulas abertas. Hoje, ela abriga 245 pessoas, segundo o Pentágono, acusadas de ligação com a Al Qaeda e a milícia Taleban, que assumiram a autoria dos ataques contra os EUA em 2001.
Para muitos, a existência de Guantánamo só é possível pelo sentimento de terror generalizado gerado pelos ataques, após os quais, tudo seria possível no combate aos responsáveis.
Desde então, comunidade internacional e ONGs dos direitos humanos acusam os EUA de realizar detenções extrajudiciais e empregar táticas abusivas de interrogatório. Bush, assim como boa parte de seu governo, defende não apenas a prisão, mas a asfixia simulada, considerada tortura pelas agências de direitos humanos e que o republicano defendeu como uma técnica legalizada que ajudou a salvar vidas.
Michelle Obama descreve primeiro dia na Casa Branca como "surreal e excitante"
A nova primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, disse que o primeiro dia na Casa Branca, após a posse do marido, Barack Obama, nesta terça-feira (20), foi "surreal e excitante". A declaração foi concedida ao programa "Good Morning America", da rede de televisão ABC.
"Um pouco surreal, mas muito excitante também porque há muito para fazer nesta posição [como primeira-dama] e eu estou pronta para fazer coisas novas", afirmou Michelle.
Durante a campanha, Michelle trabalhou ao lado de familiares de militares. "Você ouve as histórias deles, a de várias mulheres com os seus filhos pequenos que tentam sobreviver para pagar as suas contas. Eles esperam o seu amor em casa, mesmo que eles voltem com problemas físicos ou mentais, sem o suporte que eles mesmo precisavam", disse Michelle.
Após a posse, a primeira-dama participou ao lado da mulher do vice-presidente, Jill Biden, de um baile das famílias americanas militares.
De acordo uma entrevista concedida a rede de TV ABC, Obama disse que o baile " era muito importante para ela [Michelle] pois era uma forma de entrar em contato com os familiares de quem estava servindo o país".
"Nós queremos abrir esse concerto, particularmente para as famílias dos soldados porque eles também precisam um pouco de diversão. Eles fizeram o seu sacrifício", disse Obama.
A primeira-dama, que completou 45 anos de idade três dias antes da posse, afirmou que a longa campanha eleitoral de seu marido, Barack Obama, os "preparou para a vida pública".

Presidente Barack Obama e a primeira-dama Michelle foram o centro das atenções nos dez bailes de gala
Obama encerra noite de festa com bailes de gala
A clássica "At Last" (Finalmente), de Etta James, pode ter sido justamente o que o presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle, pensavam na noite de terça-feira, 20, quando dançavam juntos no primeiro baile inaugural, ao som da canção. O casal foi a principal atração do Baile da Vizinhança, primeira das dez celebrações da posse a que assistiram até as primeiras horas desta quarta-feira, 21.

As festas marcaram o fim de um longo dia de eventos da posse oficial e de dois anos de campanha que levou o democrata à Casa Branca. Durante o dia, Obama compareceu a uma cerimônia religiosa, jurou como presidente e desfilou pelas ruas de Washington, entre outras várias atividades. À noite, o casal bailava lentamente, ao som da cantora Beyoncé. Obama largou a esposa poucos minutos depois, quando a colombiana Shakira, Mary J. Blige, Faith Hill e Mariah Carey cantavam juntas com Stevie Wonder, ao ritmo mais rápido de "Sign, Sealed, Delivered". A canção foi ouvida em quase todos os eventos da campanha presidencial.

"Eu podia dizer que era um presidente negro, pela forma como ele se movia", brincou o comediante Jamie Foxx, após o baile presidencial. Michelle estava em um vestido branco, com os ombros descobertos e com vários detalhes florais. A roupa foi desenhada pelo nova-iorquino Jason Wu, de 26 anos. "Antes de mais nada, quão bonita está minha mulher?", perguntou Obama no evento. Depois, o casal ainda teve fôlego para passar pelos vários outros eventos programados.

Talvez como sinal das dificuldades econômicas, as pessoas que já haviam pagado a partir de US$ 75 para comparecer a uma das festas - e outras chegaram a pagar alguns milhares de dólares - precisaram também pagar pelas bebidas consumidas nos eventos.
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