Decisão foi tomada após procurador-geral pedir arquivamento de extradição e dar status de refugiado político
GENEBRA - A crise entre Brasil e a Itália se agravou nesta terça-feira, 27. O governo italiano anunciou que está convocando de volta a Roma o seu embaixador em Brasília, Michele Valensise, diante da decisão do Brasil de dar status de refugiado político ao ex-ativista de extrema-esquerda Cesare Battisti.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, classificou como "inaceitável" a decisão do procurador-geral brasileiro Antonio Fernando de Souza de sugerir o arquivamento do processo de extradição de Cesare Battisti. Segundo ele, o embaixador foi chamado para de volta à Itália devido à gravidade da situação. "Quero discutir com ele quais serão as novas diretrizes", afirmou.
Postura do Brasil é 'inaceitável', diz chanceler italiano
ROMA - O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, afirmou nesta terça-feira, 27, que "é muito grave" e "inaceitável" a decisão do procurador-geral brasileiro Antonio Fernando de Souza de sugerir o arquivamento do processo de extradição do italiano Cesare Battisti.
"Esperávamos uma reflexão mais aprofundada", disse Frattini, segundo a agência de notícias Ansa, sobre a resposta do procurador, que recomendou na segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) que arquivasse o pedido de extradição de Battisti.
Na última sexta-feira passada, o governo italiano solicitou ao STF vista do processo de extradição do ex-ativista italiano e o direito de se manifestar na ação. "A resposta saiu em apenas 48 horas sem objetivamente ter uma avaliação com a profundidade que esperávamos. Nos parece que simplesmente acataram a decisão política do ministro da Justiça brasileiro", Tarso Genro, disse Frattini.
O chanceler afirmou que o embaixador italiano no Brasil, Michele Valensise, foi chamado para de volta à Itália devido à gravidade da situação. "Quero discutir com ele quais serão as novas diretrizes", afirmou.
Frattini demonstrou sua insatisfação com o Brasil, considerado "um grande amigo da Itália". "Não esperávamos que fizessem algo tão grave", disse, segundo a Ansa. "Battisti é um terrorista e não merece o status de refugiado político."
Battisti, ex-militante da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos na década de 70. Ele foi detido no Rio de Janeiro em março de 2007.
Em meio a caso Battisti, Itália quer cancelar amistoso com Brasil
ZURIQUE - O vice-ministro das Relações Exteriores italiano, Alfredo Mantica, quer o cancelamento do amistoso entre o Brasil e Itália, no próximo dia 10 de fevereiro em Londres. A medida acontece em meio a crise diplomática entre os dois países após a concessão de refúgio ao ex-ativista de extrema-esquerda italiano Cesare Battisti, condenado por homicídio.
Em um claro sinal de protesto e de agravamento da crise, a Itália ainda convocou seu embaixador em Brasília de volta à Roma e afirma que vai continuar a pressionar por uma revisão da decisão do Brasil. A convocação foi decidida pela cúpula do governo italiano, com o envolvimento direto do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
Oficialmente, o diplomata será chamado apenas para consultas na chancelaria italiana e a decisão não representa o rompimento nas relações entre os dois países. Mas, na linguagem diplomática, a convocação de um embaixador é considerado como um ato de protesto e praticamente o último passo de um governo antes do rompimento de relações diplomáticas.
Roma admitiu que a convocação de seu embaixador é a primeira em décadas e justifica a decisão: o Brasil está dando refúgio a uma pessoa condenada à prisão perpétua pela Justiça italiana. A decisão foi tomada depois que a Procuradoria Geral da República recomendou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que facilitasse a concessão de refúgio político e liberdade a Battisti.
"Após uma consulta com o primeiro-ministro (Berlusconi) sobre a grave decisão do procurador-geral Antonio Fernando de Souza, o Ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, convocou o embaixador italiano no Brasil, Michele Valensise, para consultas em Roma", afirmou a nota do governo italiano.
Jogo
Além da iniciativa política, o governo quer pedir à federação de futebol da Itália de reconsiderar a partida amistosa. Ontem, o técnico Dunga já convocou os jogadores e ingressos já estão sendo vendidos, à preço de ouro.
Fontes do Ministério das Relações Exteriores da Itália admitiram ao Estado que o caso está tendo "enorme repercussão" na cúpula do governo de Silvio Berlusconi, que também é presidente do Milan. "Há muita sensibilidade em relação ao tema, em especialmente nesse governo", afirmou a fonte diplomática.
Mais
Após pronunciamento do governo brasileiro, o STF deve julgar a causa de Battisti, que aguarda em uma penitenciária de Brasília uma possível libertação, depois de ser detido no Rio de Janeiro em 2007.
A Folha Online apurou que o caso deve ser julgado pelo STF já no dia 2 de fevereiro, quando o Judiciário retoma suas atividades.
O governo da Itália ingressou na semana passada com um recurso no STF para pedir vista do processo de Battisti e o direito de se manifestar na ação.
Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália acusado de quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando militava no grupo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo).
No último dia 13, o ministro Tarso Genro concedeu a ele o status de refugiado político --decisão que foi ratificada por Lula em carta ao presidente italiano, Giorgio Napolitano.
Decisão "vergonhosa"
O ministro italiano para Assuntos Europeus, Andrea Ronchi, afirmou concordar "100%" com a iniciativa de chamar o embaixador italiano no Brasil, Michele Valensise, para consultas, considerando "vergonhosa" a decisão do governo brasileiro de conceder refúgio político a Battisti.
Ronchi declarou que é "intolerável que o assassino de quatro cidadãos italianos possa ficar em liberdade e viver tranquilo no Brasil", condenando a recomendação do procurador-geral da República do Brasil, Antonio Fernando de Souza, pelo arquivamento do pedido de extradição de Battisti.
"Estamos drasticamente indignados. É um escândalo moral, uma vergonha que ainda se justifiquem os assassinatos", disse o ministro.
Nota do Editor:
Faço minhas as palavras proferidas por Ronchi, ei-las:
"intolerável que o assassino de quatro cidadãos italianos possa ficar em liberdade e viver tranquilo no Brasil"
"Estamos drasticamente indignados. É um escândalo moral, uma vergonha que ainda se justifiquem os assassinatos"
É um absurdo o que se passa neste país da impunidade.
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