A operação, que começou em 27 de dezembro, já matou mais de 700 palestinos e feriu outros 2,9 mil, enquanto em Israel nove pessoas morreram e dezenas ficaram feridas por fogo das milícias palestinas. A ofensiva israelense foi iniciada 11 dias após o Hamas começar a lançar foguetes contra o território israelense, três dias antes do fim do cessar-fogo, que se encerrou em 19 de dezembro.
O objetivo dos ataques desta quarta é acabar com dezenas de túneis ao longo da "Rota Philadelphi", que liga o território palestino ao Sinai egípcio e pelos quais, segundo Israel, as milícias se abastecem de armas e foguetes que lançam contra seu território. O Exército israelense continua, pelo 12º dia consecutivo, a ofensiva "Chumbo Fundido", que tenta minar a capacidade do Hamas e das milícias armadas de atacar o sul de Israel.
Nesta quarta-feira, Israel implementou uma trégua de três horas para permitir a entrada de alimentos e combustíveis na Faixa de Gaza para os sitiados civis palestinos. No total, 80 caminhões, com alimentos e combustíveis para as termelétricas que geram a eletricidade do território, puderam entrar.
Médicos tentaram recuperar corpos em áreas onde, por causa do fogo cruzado, era difícil se aproximar. O som das ambulâncias podia ser ouvido à distância, enquanto muitos veículos levavam feridos para o Egito.
Vários bombardeios e disparos de tanques israelenses foram ouvidos logo após o final da trégua humanitária de três horas. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que Israel havia aceitado o plano de trégua do Egito para Gaza, mas logo depois seu gabinete afirmou que ele estava simplesmente celebrando a reação israelense à proposta feita mais cedo.
Após o comunicado da presidência francesa, o porta-voz do governo israelense, Mark Regev, afirmou que as negociações ainda estão em andamento. Segundo o porta-voz, Israel "saúda" a proposta de França e Egito para encerrar a violência e aceitaria a proposta se fosse interrompido o "fogo hostil" vindo de Gaza e houvesse medidas para evitar o rearmamento do grupo militante Hamas. Além do porta-voz de Israel, o Hamas também afirmou que ainda está conversando com o Egito sobre a proposta.
Violação de Genebra
As ações de Israel na Faixa de Gaza representam uma violação dos direitos humanos e são um "claro exemplo" de uso desproporcional da força, na opinião de Richard Falk, relator especial da ONU para a Situação dos Direitos Humanos nos Territórios Palestinos.
Falk, que conversou com jornalistas em São Paulo, criticou a decisão israelense de proibir a saída de pessoas da Faixa de Gaza, o que cria uma situação "sem precedentes na história das guerras urbanas modernas". "Em todas as guerras vários refugiados são produzidos por pessoas que tentam escapar das coisas horríveis que acontecem com elas e com suas famílias", disse o relator.
"Mas Israel impôs uma proibição total para sair de Gaza. Um civil palestino não pode tornar-se um refugiado", acrescentou na entrevista organizada pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo.
O relator especial, que teve sua entrada em Israel negada pelas autoridades do Estado israelense após, segundo ele, ficar 15 horas detido numa cela no dia 14 de dezembro, também acusou o país de tentar esconder a realidade ao não permitir a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza.
Crítico da política israelense para a Faixa de Gaza, Falk afirmou que o bloqueio imposto pelo Estado de Israel à região viola a Convenção de Genebra por se tratar de uma "punição coletiva" e por impedir que a população de Gaza tenha acesso à alimentação e a cuidados médicos básicos.
Milhares de palestinos fogem de Rafah durante bombardeios
Palestino lê folheto israelense que pede que moradores deixem RafahCIDADE DE GAZA - Milhares de palestinos fugiram nesta quarta-feira, 7, da localidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em razão dos bombardeios de Israel na região. Um dos moradores de Rafah relatou que aviões israelenses lançaram esta tarde centenas de panfletos nos quais pediam à população que abandonasse suas casas em razão do risco de ser bombardeados.
Após as 20h locais (16h de Brasília), os aviões começaram um bombardeio pesado na região, na altura da "Rota Filadélfia", a fronteira entre Gaza e Egito. A televisão israelense informou que, após mais de quatro horas, o bombardeio continuava, e seu objetivo era destruir os túneis pelos quais o movimento islâmico Hamas tem contrabandeado armas para seus homens. Segundo testemunhas, dezenas de famílias deixaram suas casas e pertences e seguiram rumo ao norte do território em busca de refúgio, sem saber se poderão voltar.
Fontes de segurança em Gaza explicaram que os aviões israelenses destruíram 26 casas que consideram como abrigo de entradas de túneis, e que tratores demoliram outras dezenas em toda a região.
Ghazi Hamad, ex-porta-voz do Hamas e residente em Rafah, denunciou que Israel está destruindo casas de civis que não têm ligação com o movimento. "Os foguetes israelenses estão destruindo casas da população, estão transformando a região em um campo de testes para todos os tipos de mísseis ar-terra", declarou.
Os bombardeios israelenses acontecem em paralelo a uma iniciativa de França e Egito de declarar um cessar-fogo, que parece ter recebido o apoio tanto em Israel como no movimento islamita. A operação israelense, que começou em 27 de dezembro, já matou mais de 700 palestinos e feriu outros 2,9 mil, enquanto em Israel nove pessoas morreram e dezenas ficaram feridas por fogo das milícias palestinas.
Israel e Hamas se reunirão no Egito na 5.ª, diz embaixador
NOVA YORK - O embaixador do Egito na Organização das Nações Unidas (ONU) disse na noite desta quarta-feira, 7, que representantes de Israel, da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e do grupo islâmico Hamas concordaram em se reunir na quinta no Egito para discutir a crise na Faixa de Gaza.
O embaixador Maged Abdelaziz disse que "todo mundo concordou em enviar uma delegação técnica" com a finalidade de conversar sobre a proposta franco egípcia para um cessar-fogo na Faixa de Gaza, cujos termos ainda não são totalmente conhecidos.
"O mais importante é que alguma coisa comece, tem que haver um movimento positivo. E o movimento positivo é o cessar-fogo", disse o embaixador, se referindo à ONU e à Faixa de Gaza.
O plano franco egípcio pede uma trégua imediata no conflito entre Israel e o Hamas, que passará a vigorar por um período ilimitado para permitir a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.
Mais cedo, Israel disse, por um porta-voz, que "saúda" o projeto. O funcionário disse que o país poderia aceitar o plano se houvesse o fim do "fogo hostil" em Gaza e também medidas para evitar o rearmamento do Hamas.
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