JERUSALÉM - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, rejeitou nesta sexta-feira, 9, a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo por um cessar-fogo em Gaza. Segundo ele, a medida é impossível de ser praticada e que o Exército continuará a operação para defender os israelenses. O Hamas também não aceitou o documento, elaborado pelo Reino Unido em colaboração com a França e os países árabes, embora o veja como prova do fracasso da ofensiva militar israelense em Gaza.
De acordo com fontes militares e testemunhas, Israel realizou pesados bombardeios em Gaza e novos disparos de foguetes foram feitos pelo Hamas nas horas seguintes à aprovação do texto da resolução pelo Conselho. "O lançamento de foguetes nesta manhã mostra apenas que a decisão da ONU é impraticável e que não será aderida pelas organizações palestinas", afirmou Olmert em comunicado. Um porta-voz do Hamas disse que o grupo "não está interessado" na resolução de cessar-fogo, pois não foi consultado e a resolução não atende suas demandas principais, entre elas a abertura das fronteiras de Gaza.
Após ataques de Israel, ONU pede investigação independente em Gaza
A alta-comissária de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira investigações "críveis e independentes" sobre eventuais violações do direito humanitário internacional nos confrontos em Gaza, o que pode configurar crimes de guerra.
A ONU denunciou nos últimos dias os ataques israelenses a escolas e uma casa que abrigavam civis palestinos e a um caminhão que levava ajuda humanitária à região e que estava, segundo a agência, devidamente identificado. Segundo a ONU, 42% das cerca de 760 vítimas dos 14 dias da ofensiva militar israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas são são crianças e mulheres.
Pillay pediu o envio de monitores de direitos humanos da ONU para Israel, Gaza e a Cisjordânia, a fim de documentar violações e apontar autores. "O círculo vicioso de provocação e retaliação deve ser encerrado", disse Pillay numa sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, um dia depois de uma resolução do Conselho de Segurança que exige um cessar-fogo imediato e que foi rejeitada por Israel e Hamas.
"A responsabilização pelas violações do direito internacional deve ser assegurada. Como primeiro passo, investigações críveis, independentes e transparentes precisam ser realizadas para identificar violações e estabelecer responsabilidades", disse.
Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, afirmou ainda que as violações do direito humanitário internacional podem constituir crimes de guerra, "para os quais a responsabilidade penal individual pode ser invocada".
Israel mantém os ataques aéreos, navais e terrestres mesmo diante da crescente pressão internacional por um cessar-fogo. A ONU, assim como outras organizações humanitárias, condenam Israel pela morte de civis em Gaza. O governo israelense culpa o Hamas pelas mortes, por considerar que ele usa civis como escudos humanos.
A população israelense, porém, apoia solidamente a ação militar, que pode beneficiar o partido governista Kadima nas eleições de 10 de fevereiro.
Princípios
Pillay disse ainda que tanto Israel quanto o Hamas precisam respeitar três princípios que norteiam o direito humanitário internacional, formalizado em 1949 por meio das Convenções de Genebra: proporcionalidade entre agressão e reação; distinção entre combatentes e civis, e entre alvos militares e infraestrutura civil; e precauções plausíveis para evitar ou minimizar as mortes de civis.
Diplomatas dizem que a reunião da ONU em Genebra, que deve continuar na próxima segunda-feira (12), pode adotar uma resolução contra Israel.
A sessão de emergência foi convocada por iniciativa de governos islâmicos e países em desenvolvimento, com apoio de Rússia, China e Cuba. O bloco tem maioria entre os 47 integrantes do Conselho de Direitos Humanos, no qual os EUA praticamente pararam de participar.
Um ataque aéreo matou dois militantes do Hamas e outro homem não identificado. Outro ataque, em um edifício, deixou pelo menos sete mortos, incluindo uma criança, segundo funcionários do Hamas. Até o meio da manhã, 13 palestinos haviam sido mortos. Com as mortes desta sexta-feira, o número de palestinos mortos subiu para 760 nas quase duas semanas de ataques, iniciadas no dia 27 de dezembro. Pelo menos a metade das vítimas fatais são civis, segundo autoridades de saúde de Gaza. Até agora, 13 israelenses morreram.
Israel lançou a ofensiva com o objetivo declarado de interromper o lançamento de foguetes do Hamas em seu território. A Faixa de Gaza é controlada pelo Hamas, grupo militante islâmico que não reconhece Israel. O Hamas diz que não aceita qualquer acordo que não preveja a abertura das fronteiras da Faixa de Gaza. Israel dificilmente concordará com a demanda, pois isso fortaleceria o Hamas, que tomou controle de Gaza à força, expulsando o partido laico Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em junho de 2007.
O conflito deixou centenas de milhares de palestinos que vivem em Gaza em um estado de desespero pela falta de alimentos, água, combustível e auxílio médico. A situação deve piorar ainda mais, por causa dos ataques contra funcionários encarregados da ajuda humanitária.
A campanha militar israelense em Gaza, onde centenas de palestinos - grande parte civis e crianças - foram mortos, tem sólido apoio entre os eleitores israelenses, que vão às urnas em um mês. A maioria apoia o objetivo declarado de Olmert de encerrar anos de lançamentos de foguetes pelo Hamas contra cidades israelenses. Esses ataques mataram 22 pessoas desde 2000.
Israel mata dez em 30 bombardeios em Gaza; foguetes do Hamas ferem um
Nesta sexta-feira, ao menos dez palestinos morreram durante os bombardeios aéreos e navais israelenses a pelo menos 30 alvos na faixa de Gaza. O movimento islâmico radical Hamas manteve também o contra-ataque com o lançamento de ao menos 25 foguetes contra o sul do território israelense que deixaram ao menos um israelense ferido.
Antes de iniciar o cessar-fogo temporário de três horas na faixa de Gaza, para a passagem de caminhões com ajuda humanitária, os aviões israelenses lançaram mísseis próximo à Cidade de Gaza e, segundo testemunhas palestinas, os navios israelenses também bombardearam alvos.
Um dos bombardeios aéreos de Israel, afirma o jornal israelense "Haaretz", matou dois militantes do Hamas e um homem não identificado.
Na cidade de Beit Lahiya, norte de Gaza, médicos disseram que tanques de Israel atacaram uma casa, matando sete palestinos da mesma família, incluindo uma criança.
Do outro lado, militantes palestinos em Gaza lançaram ao menos 25 foguetes e morteiros contra áreas urbanas no sul do território israelense.
Dois dos morteiros, segundo o "Haaretz", feriram um israelense e danificaram um edifício em Eshkol.
Dois foguetes Qassam lançados a partir da faixa de Gaza atingiu áreas abertas de Sderot. O ataque, segundo o jornal israelense "Jerusalem Post", não deixou feridos e nem causou danos materiais.
Outros sete foguetes Grad atingiram áreas abertas perto de Beer Sheva, quatro atingiram a área de Ashkelon e outro caiu na região de Merhavim. Ninguém ficou ferido nos ataques.
Alerta
O Comando das Forças de Defesa israelenses divulgou instruções na manhã desta sexta-feira para os moradores da fronteira com Gaza, em preparação para as orações judaicas do sabbath.
O Exército pediu aos moradores da região, especificamente aqueles que planejam ir a sinagogas no sul, que não fiquem perto de janelas e que as deixem abertas para que as sirenes de alerta de ataques de foguetes possam ser ouvidas.
Os soldados pediram ainda que todas as sinagogas instalem rádios e os deixem na estação que apenas divulga sirenes de alerta.
Comentário do Editor:
Ora, em sendo o Hamas uma organização terrorista, não se justifica a ONU votar resoluções pois as resoluções aplicm-se a paises. Aprovr resoluções como a de ontem, é reconhecer o Hamas como uma entidade estatal, o que ele não é.
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