
Helicópteros atacam palestinos; ataques a Gaza custam US$ 8 milhões por dia a Israel, informa Roberto Godoy
GAZA - O Exército de Israel aumentou neste domingo, 11, seus bombardeios aéreos e de unidades de artilharia em um dos dias mais sangrentos de sua ofensiva militar na Faixa de Gaza, onde o número de mortos aumentou para 901 e o de feridos para 3.695.
No 16.º dia da operação, Israel lançou suas forças de reserva contra o território palestino, informou o porta-voz do exército, o general de brigada Avi Benayahu.
Segundo o chefe do serviço de emergências em Gaza, Muawiya Hassanein, 38 pessoas morreram e pelo menos 80 ficaram feridas por causa dos ataques das forças israelenses neste domingo. Hassanein afirmou que foi um dos dias "mais sangrentos" em 16 dias de ofensiva israelense.
O bairro de Sheikh Aylin, na periferia da cidade de Gaza, foi cenário esta manhã de um encarniçado combate terrestre, quando milicianos do Hamas e de outros grupos armados enfrentaram soldados israelenses que penetraram na área. Após a retirada de soldados israelenses, que receberam o apoio de uma coluna de veículos blindados, as ambulâncias recolheram das ruas os corpos de 12 combatentes palestinos.
Seis civis morreram no bombardeio de suas casas em Beit Lahia, no norte de Gaza, e mais seis perderam a vida em diferentes ataques em outros pontos de Gaza. Testemunhas disseram que entre as vítimas do bairro de Tal el-Hawa há duas crianças. Outros cinco civis morreram após suas casas serem atingidas por tiros de tanques em Jabalia, no norte do território.
A aviação israelense começou suas operações com bombardeios aéreos contra cerca de 60 alvos, entre os quais estava uma mesquita da localidade de Rafah, no sul de Gaza, que segundo o Exército de Israel era usada pelos grupos armados como arsenal. A região foi novamente bombardeada durante a tarde para destruir túneis que ligam Gaza ao Egito e que são usados por grupos armados para o transporte de armas, munição e foguetes.
Também foi bombardeada a casa de Ahmed Yabri, chefe do braço armado do Hamas - as Brigadas de Ezedin al-Qassam -, que como os outros líderes do movimento islâmico passaram para a clandestinidade quando começou a ofensiva israelense.
Outros alvos foram as sedes dos ministérios da Cultura e de Assuntos para as Mulheres, que acabaram destruídos.
Objetivos
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ordenou na manhã de hoje que a ofensiva prosseguisse e afirmou que "se aproximam" os "objetivos" que seu país estabeleceu em Gaza.
Olmert disse que foram "obtidas conquistas impressionantes na operação contra organizações terroristas", mas que "é necessário mais paciência, determinação e coragem" para alcançar a meta de "mudar a realidade de segurança no sul" de Israel.
"Não devemos colocar a perder no último minuto o esforço nacional sem precedentes que tornou possível restaurar o espírito de unidade do povo de Israel. Os israelenses, principalmente os do sul, devem ter paciência e vontade para isto", acrescentou.
O primeiro-ministro israelense fez esta afirmação em Jerusalém após altos comandantes militares citados pela imprensa pedirem ao Governo que decida entre negociar um cessar-fogo ou lançar a terceira fase da ofensiva com a mobilização de mais infantaria para reforçar as operações terrestres em Gaza.
Estes altos comandantes do Exército disseram que as forças israelenses que já entraram em Gaza não podem ficar eternamente no local à espera de uma decisão, pois se transformam em alvo estático para as milícias palestinas. "Eles não podem ficar de pé e esperar. Precisam se movimentar", explicou um oficial.
O pedido dos generais israelenses não caiu no esquecimento e deste modo emissoras de rádio locais transmitiam na noite de hoje o anúncio de um porta-voz militar de que o Exército tinha começado a mobilizar reservistas para dar início à terceira fase, que presumivelmente incluirá a entrada nos núcleos urbanos mais densamente povoados na busca de milicianos casa por casa.
Autoridades de defesa de Israel dizem estar preparadas para uma terceira fase da ofensiva. A primeira etapa foi o bombardeio aéreo e a segunda consistiu na entrada de tropas por terra, na tomada de áreas utilizadas para o disparo de foguetes contra Israel e na tomada da Cidade de Gaza. Falando em condição de anonimato, os oficiais afirmaram que o exército israelense possui um plano para uma quarta fase da ofensiva - a total reocupação de Gaza e a derrubada do Hamas.
Delegação européia
Uma delegação de parlamentares europeus entrou neste domingo na Faixa de Gaza, vinda do Egito, para verificar o quão mortífera está sendo a operação israelense contra o Hamas no território palestino, informou a chefe da missão.
Os oito parlamentares europeus entraram "pelo cruzamento de Rafah", entre o Egito e a Faixa de Gaza, disse Luisa Morgantini, vice-presidente do Parlamento Europeu. Planejam ficar na Faixa de Gaza até a terça-feira, quando regressarão e "irão reportar a situação" ao Parlamento Europeu em Estrasburgo (França), disse Morgantini, que é italiana.
A delegação representa vários grupos políticos e nações da União Europeia. Ela ficará na sede da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNRWA, na sigla em inglês) na cidade de Gaza.
Guerra de Gaza custa US$ 130 milhões aos cofres de Israel
Roberto Godoy
SÃO PAULO - A guerra de Gaza custa cerca de US$ 8 milhões por dia aos cofres de Israel. Em pouco mais de duas semanas, as despesas chegam a US$ 130 milhões. E esse é apenas o preço das operações militares – nada a ver com as perdas indiretas, representadas pela interrupção da produção industrial, a redução da atividade do comércio e colapso no turismo ou com índices negativos, como o da inflação e do desemprego. A avaliação, do boletim de conjuntura da Bolsa de Valores de Tel-Aviv, não surpreendeu Ariel, nome fictício de um oficial de média patente da reserva israelense, que vive no Brasil. Ex-integrante das forças especiais, veterano da campanha no sul do Líbano em 2006, é, também, um especialista em gestão empresarial – e concorda com o valor da conta do conflito. Para ele, o governo de Israel pode manter esse ritmo por mais duas semanas, em regime de contenção, ou mesmo por mais um mês, nesse caso sob condições de exceção, previstas em lei, semelhantes às vigentes no Estado de Sítio.

Ataque aereo israelense sobre a cidade de Gaza, neste domingo, 11. Foto: Mohammed Saber/EFE
Uma hora de voo de caça em condições de ataque - só o voo, sem contabilizar bombas inteligentes e mísseis que podem custar até US$ 1,5 milhão - não sai por menos de US$ 5 mil. A estimativa é de que a aviação israelense tenha mobilizado cerca de 60 supersônicos F-16 Block 60 e F-15D, responsáveis por cerca de 120 saídas de combate. Além dessa força, destaca Ariel, devem ser considerados os cerca de 30 helicópteros Apache e Cobra, encarregados da cobertura de ponto. Em terra, a fatura do deslocamento de tanques Merkava de 65 toneladas e dos blindados usados para o transporte de tropas é variável, "mas um tiro de munição especial de 120 mm perfurante não sai por menos de US$ 2,5 mil".
Os soldados dos grupos especiais de onde saiu Ariel, são recrutados por indicação, observação dos comandantes e líderes ou por tradição familiar. Os três irmãos Netanyahu – Benjamin, ex-primeiro ministro, candidato às eleições de fevereiro; Jonathan, morto no resgate dos reféns em Entebbe, e Iddo, todos pessoas públicas – serviram na unidade Sayeret Matkal. "São as equipes em missão de ponta nessa fase da luta", explica Ariel. Cada integrante passa por 16 a 20 meses, em média, de duro treinamento. "No final a intenção é que todos conheçam seus companheiros de tal forma que saibam identificá-los, no escuro, pelos movimentos da sombra e até pelo cheiro", explica. Desde 2005 a instrução passou a incorporar também os padrões de adestramento dos guerrilheiros palestinos: "a melhor forma de conhecer o inimigo é aprendendo a agir e pensar como ele", garante o oficial da reserva. Pronto para entrar no teatro de operações, o militar estará habilitado em artes marciais, navegação, reconhecimento, camuflagem, sabotagem, contraterrorismo, uso de armas leves e tiro de precisão. Pode permanecer em campo por tempo indefinido. Mas o preço é alto. Treino, manutenção e equipamento não saem por menos de US$ 250 mil ao ano.
Ariel só não está em Gaza por causa de uma complexa cirurgia a que foi submetido nos primeiros dias de novembro da qual ainda não se recuperou totalmente. Se fosse convocado estaria liderando um dos times do Exército cuja missão é prender ou eliminar os milicianos, experimentados combatentes da guerrilha, "bem diferentes dos falahim, os novatos, quase todos garotos, muito motivados e pouco preparados". É junto a essa massa de militantes entre 14 e 25 anos que Ariel encontra a falha mais importante da ação de Israel. "Não há nenhuma iniciativa para conquistar corações e mentes dessa gente, nada que explique que o inimigo não é ele, é o sujeito que não concorda em negociar, que fez do terror um negócio e que recruta mártires (os homens bomba, por exemplo) enquanto ele mesmo mantém a família na Europa e não se sacrifica".
Nenhum comentário:
Postar um comentário