Israel avalia condições do Hamas para cessar-fogo em Gaza

As forças de Israel avançaram na Cidade de Gaza nesta quinta-feira, matando ao menos um importante líder do Hamas, no que pode ser a pressão final da ofensiva antes de o país concordar com um cessar-fogo do conflito que já dura 20 dias.

Fontes diplomáticas afirmaram que líderes israelenses estavam estudando as condições do grupo islâmico para um trégua. Entre elas está o cessar-fogo de um ano, passível de ser renovado, a retirada do Exército de Israel de Gaza em cinco a sete dias, e a abertura imediata de todas as fronteiras do território palestino.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, após conversar com líderes israelenses em Jerusalém, afirmou: "Hoje o governo israelense tomará uma decisão importante sobre o cessar-fogo. Espero que essa decisão seja a certa".

O número de mortos palestinos desde o início da ofensiva, no dia 27 de dezembro, é de ao menos 1.095, e outros 5.000 estão feridos, segundo o Ministério de Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. Um grupo de direitos palestinos afirmou que ao menos 698 dos mortos são civis.

Treze israelenses morreram no mesmo período, dez deles soldados, e os outros três, civis.

Negociações

Em Damasco, o líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, reiterou as demandas do grupo para uma trégua com Israel em Gaza, afirmando, que qualquer acordo deve contempla-las.

"Primeiro, a agressão deve parar. Segundo, as forças israelenses devem sair de Gaza (...) imediatamente, claro. Terceiro, o cerco deve ser suspenso, e quarto, queremos todas as passagens (de fronteira) reabertas, sendo a primeira delas a de Rafah (Egito).

Um ataque aéreo contra uma construção no campo de refugiados de Jabalya matou o ministro do Interior do Hamas, Saeed Seyyam, seu filho, um irmão, e outras dez pessoas, de acordo com fontes médicas. Seyyam era responsável por 13 mil policiais e agentes de segurança do Hamas.

Ao menos 15 palestinos morreram nos ataques desta quinta-feira, segundo fontes médicas. Israel também atingiu um edifício da ONU, um hospital e o escritório de uma TV.

Israel insiste em que o Hamas deve ser impedido de traficar armas através de túneis sob a fronteira com o Egito, e deve parar de lançar foguetes contra o território israelense a partir da faixa de Gaza.

Cerca de 25 foguetes foram lançados de Gaza contra Israel nesta quinta-feira, deixando ao menos dez feridos.

Desculpas

A agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA, na sigla em inglês), disse que seu edifício, que servia de abrigo a cerca de 700 palestinos, foi atingido por fogo israelense, e três funcionários da organização ficaram feridos.

Segundo o porta-voz da agência da ONU, Richard Gunnes, o prédio foi atingido por três tiros de tanques israelenses. Na sequência, o edifício pegou fogo. Gunnes acusou Israel de ter atacado o prédio com fósforo branco, substância cujo uso em regiões habitadas ou em ataques a pessoas é proibido justamente por causar queimaduras severas e problemas respiratórios.

Ban ki-Moon classificou o ataque de "disparate", e Olmert se desculpou, mas afirmou que o ataque foi em resposta a atiradores palestinos que agiam da construção.

"É absolutamente verdade que fomos atacados daquele lugar", declarou o premiê.

Em Genebra, um porta-voz da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho disse que o hospital de Al Quds foi atingido por projéteis israelenses, mas não há relato de feridos.

Ainda nesta quinta-feira, um projétil israelense atingiu um edifício onde ficava o escritório da agência de notícias Reuters e de outros veículos de imprensa. A TV Abu Dhabi disse acreditar que dois de seus jornalistas eram o alvo dos jatos israelenses pois filmavam do escritório.

O Exército de Israel não comentou os ataques aos hospitais e aos escritórios de imprensa.

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