O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quarta-feira que Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) aceitaram a proposta apresentada por França e Egito por um cessar-fogo na faixa de Gaza. Um líder do movimento islâmico Hamas, contudo, afirmou nesta quarta-feira que o grupo não tem interesse em uma trégua permanente com Israel e que o cessar-fogo na região está condicionado à saída das tropas israelenses.
O presidente da República felicita vivamente a aceitação por Israel e pela Autoridade Palestina do plano franco-egípcio apresentado ontem [terça-feira (6)] em Charm el-Cheij", diz o comunicado divulgado pelo governo francês.
No comunicado, Sarkozy pede ainda a aceitação "mais breve possível" do plano, "para que cesse o sofrimento da população".
Israel comanda nesta quarta-feira o 12º dia consecutivo de ofensiva militar contra alvos do Hamas na faixa de Gaza, que já deixou mais de 600 mortos e cerca de 2.500 feridos. O Exército deve retomar às 16h (12h, no horário de Brasília) as operações militares na região após uma interrupção de três horas para a passagem de caminhões com suprimentos por um corredor humanitário criado por Tel Aviv.
Cessar-fogo
A proposta de França e Egito não foi divulgada em detalhes, mas inclui a abertura de um diálogo do qual participem o Hamas e a ANP e que adote "todas as medidas necessárias" para deter a violência.
Assim, as conversas incluiriam assuntos como o combate ao contrabando de armas na fronteira de Gaza e a reabertura de todos os postos de controle fronteiriços fechados desde que o Hamas assumiu o controle da faixa territorial em junho de 2007, expulsando o Fatah, partido do presidente da ANP, Mahmoud Abbas.
A última trégua assinada entre Israel e Hamas acabou oficialmente no último dia 19. Oito dias depois, Israel iniciou uma grande ofensiva militar na faixa de Gaza para enfraquecer o Hamas e interromper o lançamento de foguetes artesanais contra seu território. Oito dias depois, Israel iniciou a grande ofensiva militar contra o Hamas na faixa de Gaza, alegando a violação da trégua e o lançamento de foguetes contra o seu território.
Israel
A aceitação do plano, contudo, não foi confirmada pelo governo israelense. Um porta-voz da Presidência do Conselho Israelense afirmou pouco antes da divulgação do comunicado francês apenas que o país "considerava positivamente o diálogo entre egípcios e israelenses para avançar até uma solução para o conflito".
Segundo o porta-voz de Tel Aviv, Mark Regev, Israel aceitará a trégua apenas se houver garantias de que o Hamas interromperá os lançamentos de foguetes contra seu território e de que ele não conseguirá se rearmar após as perdas com a ofensiva.
O presidente de Israel, Shimon Peres, disse nesta quarta-feira que busca não um cessar-fogo, mas o fim do lançamento de foguetes pelo Hamas e disse apenas que está avaliando as propostas internacionais por uma trégua.
"Nós não estamos buscando um cessar-fogo, mas um cessar do terror", disse Peres, acrescentando que Israel está revisando o plano de cessar-fogo apresentado pelos presidentes da França e do Egito.
Hamas
O líder do braço político do Hamas afirmou nesta quarta-feira que o grupo está avaliando as propostas de cessar-fogo na faixa de Gaza, mas que rejeita trégua permanente com Israel.
O líder em exílio Moussa Abou Marzouk afirmou, segundo o jornal israelense "Haaretz", que não haverá espaço para negociações de uma trégua permanente com os israelenses e que, enquanto houver a ocupação das tropas do Exército de Israel em Gaza, haverá resistência dos militantes do Hamas.
Segundo Marzouk, o Hamas recebeu propostas de cessar-fogo da França, Turquia, Síria e Egito. Contudo, o grupo mantém sua exigência por um fim imediato da ofensiva israelense, com a retirada das tropas de Gaza e a abertura das fronteiras da faixa.
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