Ford tem maior prejuízo da história


A fabricante americana de veículos Ford informou nesta quinta-feira prejuízo de US$ 14,6 bilhões no ano passado, tornando 2008 o pior da história da empresa. Apesar do terceiro ano consecutivo de perdas --em 2007, as perdas somaram US$ 2,72 bilhões--, a companhia reafirmou que ainda não precisa de ajuda financeira do governo para fechar suas contas.

A Ford é, das três grandes montadoras americanas --as outras são a General Motors e a Chrysler--, a que vinha mostrando um desempenho mais favorável, sendo a única a abrir mão da ajuda financeira oferecida pelo governo em dezembro.

"A companhia tem liquidez suficiente para manter os negócios planejados promover investimentos", afirmou o grupo em comunicado, terminando 2008 com US$ 24 bilhões em caixa e empréstimos garantidos.

Nesta quinta, outras grandes empresas mundiais anunciaram prejuízos bilionários e demissões. A fabricante japonesa de produtos eletrônicos Toshiba registrou perdas líquidas de 121,1 bilhões de ienes (US$ 1,346 bilhão) no quarto trimestre e demissão de 4.500, enquanto a Sony informou queda de 95% no lucro do quarto trimestre. Já a Kodak anunciou que vai reduzir seu quadro de funcionários em até 4.500 postos, após prejuízo de de US$ 137 milhões no último trimestre de 2008.

Só no quarto trimestre do ano passado, a perda foi de US$ 5,9 bilhões, reflexo da maior queda de vendas já vista em décadas. O desempenho da empresa reflete a forte queda da receita, que no quarto trimestre somou US$ 29,2 bilhões, ante US$ 45,5 bilhões no mesmo período de 2007.

Na linha de cortar custos, a empresa comunicou também que pretende cortar 1.200 empregos em sua divisão Ford Motor Credit e retirar US$ 10,1 bilhões de suas linhas de financiamento, como forma de reforçar seu caixa e evitar pedir ajuda federal. Os cortes, que incluirão também demissões voluntárias, devem começar no próximo mês. O dinheiro das linhas de crédito deve entrar nos registros da Ford no próximo dia 3.

"A Ford e toda a indústria automobilística encararam um declínio extraordinário em todos os principais mercados globais no quarto trimestre e isso claramente teve impacto em nossos resultados", disse o executivo-chefe da empresa, Alan Mulally, em um comunicado. "Continuamos a adotar ações necessárias para reduzir a produção a fim de equilibrá-la com a demanda mundial menor e de reduzir custos."

Setor

Ontem, a GM recebeu a segunda parte do empréstimo de US$ 9,4 bilhões concedido pelo governo dos Estados Unidos, segundo documento divulgado no site do departamento do Tesouro. A GM havia embolsado a primeira parte do empréstimo --US$ 4 bilhões-- no dia 31 de dezembro.

No mês passado, o governo americano anunciou uma ajuda de até US$ 17,4 bilhões para o setor automobilístico, tirados do pacote de US$ 700 bilhões aprovado em outubro e destinado inicialmente a resgatar empresas do setor bancário com problemas ligados a papéis "podres" (com alto risco de calote).

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