
Tropas israelenses
Israeli ground assault
Israeli Troops Launch Attack on Gaza
GAZA - Uma coluna de tanques israelenses, alguns atirando com suas armas, entrou na Faixa de Gaza neste sábado, 3, disseram testemunhas palestinas segundo a Reuters. O exército confirmou que uma operação terrestre contra o Hamas está sendo iniciada e começou a mobilizar dezenas de milhares de reservistas para apoiar a operação. Autoridades de defesa dizem que cerca de 10 mil soldados foram reunidos ao longo da fronteira nos últimos dias.
Um oficial do Hamas disse neste sábado, 3, que militantes do grupo mataram um certo número de soldados israelenses em Gaza. Mohammad Nazzal, que está em Damasco, reportou as mortes para a televisão Al Arabiya e não deu números exatos.
Após a invasão israelense, o braço armado do Hamas afirmou que Israel vai pagar "um alto preço" pela operação terrestre. "O inimigo vai pagar um alto preço por sua operação no norte da Faixa de Gaza", disse um comunicado das Brigadas Izzedine al-Qassam lido pela rede de televisão Al-Aqsa, ligada ao movimento.
O Exército israelense confirmou que uma força havia entrado na Faixa de Gaza para ocupar algumas áreas usadas no lançamento de foguetes. "O objetivo é destruir a infra-estrutura de terror do Hamas na área de operações", disse a major Avital Leibovitch, porta-voz do Exército. "Vamos tomar algumas das áreas de lançamento usadas pelo Hamas".
O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse que a campanha de Israel contra o Hamas não acabará tao cedo. "Nós não buscamos guerra, mas não vamos abandonar nossos cidadãos diante dos atuais ataques do Hamas", declarou. A porta-voz do exército de Israel, major Avital Leibovich, afirmou que essa será uma operação extensa. "Temos muitos, muitos alvos", disse, acrescentando que o Hamas tem escavado túneis e outras instalações.
A invasão
A testemunha, morador da cidade de Beit Lahiya, disse que a coluna de veículos militares atravessou a cerca na fronteira em meio à escuridão, acompanhada por helicópteros de combate israelenses. A testemunha não pôde de imediato informar até onde os israelenses adentraram em território palestino.
Tanques e soldados israelenses tinham sido estacionados na fronteira com a Faixa de Gaza em preparação para uma possível ofensiva terrestre, enquanto os militantes do Hamas continuavam a lançar foguetes contra o sul israelense, desafiando os pedidos internacionais para que parassem com tais ataques.
"Espero que os resultados dessa operação tragam tranquilidade no longo prazo. No momento em que eles dispararem, nós responderemos com grande força", disse a ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, na TV israelense. "Pode ser que sejam necessárias várias operações."
Testemunhas disseram que um ataque aéreo a uma mesquita na cidade de Beit Lahiya foi realizado enquanto pessoas rezavam lá dentro. Pelo menos 11 civis, incluindo crianças, foram mortos e outros 50 feridos, disseram autoridades médicas e do Hamas.
Equipes de resgate retiraram pessoas dos destroços e os corpos de vítimas estavam caídos sobre poças de sangue, afirmaram testemunhas.
A incursão na mesquita elevou o número de palestinos mortos para pelo menos 446, além de cerca de 2.050 feridos, no pior derramamento de sangue contínuo em décadas de conflito entre Israel e os palestinos.
À medida que a ofensiva de Israel entrava em sua segunda semana, moradores desesperados de Gaza se abrigavam em suas casas e agências de ajuda humanitária e alertavam que os estoques de comida, água e suprimentos médicos estão acabando.
Durante o dia, pelo menos 20 ataques aéreos israelenses atingiram Gaza e navios de guerra também dispararam contra a região, a partir do Mediterrâneo, disseram testemunhas.
Um dos ataques matou Abu Zakaria al-Jamal, um alto comandante do braço armado do Hamas, afirmou o grupo islâmico. Ele foi o segundo dirigente do Hamas morto em três dias. A maioria dos líderes do grupo está agora escondida para escapar das tentativas de assassinato por parte de Israel.
Israel desencadeou a campanha no dia 27 de dezembro, para pôr fim aos ataques de foguetes do Hamas contra o sul israelense.
Palestinos contam ao menos 20 mortos; Israel enfrenta forte resistência do Hamas
Pelo menos 20 palestinos morreram e 50 ficaram feridos desde o início da invasão israelense de Gaza por terra, disse o vice-ministro de Saúde do Hamas, segundo o qual as tropas de Israel teriam perdido oito soldados, e outros 25 estariam feridos.
Segundo as Forças Armadas de Israel, a ofensiva terrestre iniciada é a segunda fase da operação "Chumbo Fundido", que teve início há oito dias e na qual até este sábado a Força Aérea e a Marinha bombardeavam posições do Hamas em Gaza. A campanha aérea deixou ao menos 420 mortos, dos quais mais de 100 são civis, de acordo com a ONU. Segundo Israel, a ofensiva é uma resposta à violação --e lançamento de foguetes-- do Hamas da trégua de seis meses assinada com Israel e que acabou oficialmente no último dia 19. Desde o início dos bombardeios israelenses, o Hamas intensificou o lançamento de foguetes sobre o sul de Israel, em ataques que mataram quatro pessoas.
Citando fontes militares israelenses, o jornal "Jerusalem Post" informa que o número de mortos entre os palestinos chega a 30. Segundo o jornal, as tropas israelenses estão enfrentando uma forte resistência de combatentes do Hamas entrincheirados em edifícios.
"Nas últimas duas horas, vinte pessoas morreram e mais de 50 foram feridas, e se acrescentam aos 466 mortos e 2.350 feridos desde que começou a ofensiva israelense (há oito dias)", disse em conversa telefônica de Gaza Hassan Yalaf, diretor-geral do hospital Al Shifa e vice-ministro de Saúde do Hamas.
Segundo ele, o maior problema que enfrentam atualmente os serviços médicos é a falta de eletricidade. "Israel cortou a provisão elétrica em toda a faixa e Gaza inteira está na total escuridão", o que dificulta enormemente o funcionamento dos hospitais e o atendimento aos feridos.
Yalaf disse que "os bombardeios agora cessaram e o que se escuta são confrontos entre as tropas (terrestres) israelenses e a 'resistência' palestina".
O vice-ministro de Saúde disse ter recebido informação que as tropas israelenses "perderam pelo menos oito soldados e outros 25 foram feridos". Yalaf afirma que, "desde que começou a operação por terra, a moral do povo está muito alta. Os palestinos vão seguir lutando, seja qual seja a gravidade da agressão israelense".
Um porta-voz do Exército de Israel não confirmou se suas tropas sofreram baixas e também não quis comentar sobre a existência de vítimas entre os palestinos. O porta-voz se limitou a afirmar que, "por enquanto, só podemos dizer que a operação segue em andamento".
A invasão de Gaza é a segunda fase da operação "Chumbo Fundido" iniciada no sábado passado (27) com bombardeios aéreos e navais contra a infraestrutura do Hamas e outros objetivos estratégicos.
Centenas de tanques e veículos blindados, assim como pelo menos 10 mil soldados, participam da invasão terrestre da faixa, um território de 40 quilômetros de comprimento por 15 quilômetros de largura, com 1,5 milhão de habitantes.
O "Jerusalem Post" informa que um dos objetivos da invasão terrestre, além de destruir os lançadores de foguetes palestinos, é enfraquecer seriamente o braço armado do Hamas, que não teria sido golpeado de forma suficiente pelos bombardeios, na avaliação do Exército de Israel.
Moradores do norte de Gaza fogem de tanques israelenses
Os habitantes do norte de Gaza fugiram apavorados após a entrada de tanques israelenses apoiados por bombardeios aéreos, informou à agência Efe um ativista e morador da região, que entrou em contato por telefone com Jerusalém.
"No antigo assentamento de Duvit, entraram tanques que levaram muitas pessoas a fugir de suas casas", disse Alberto Arce, ativista espanhol que se encontra na sede do Crescente Vermelho do campo de refugiados de Jabalya.
Segundo Arce, as pessoas correram para a avenida de Salah ad-Din (a principal do campo), "carregadas com cobertores e bolsas de plástico".
Jabalya foi um dos primeiros locais do território palestino a sofrer a invasão das tropas terrestres israelenses, que foi precedida de uma dura ofensiva aérea que deixou diversos mortos e dezenas de feridos.
Segundo Arce, de 32 anos, "os motoristas das ambulâncias foram os primeiros que nos confirmaram que, junto aos F-16 e os bombardeios sobre o mar, estavam bombardeando também de tanques e com artilharia terrestre".
Desde esse momento, "muitas das ambulâncias que saíam para fazer serviços começaram a voltar vazias, porque não podiam chegar aos lugares onde tinham que atender os feridos, já que os impactos dos mísseis fizeram buracos imensos nas ruas que não lhes permitiram avançar".
O edifício do Crescente Vermelho recebeu os impactos de grandes destroços de estilhaços, que danificaram o edifício e a lateral de uma das ambulâncias.
Por volta da meia-noite local (18h de Brasília), ainda se desconhecia o número de vítimas da operação, já que os hospitais de Gaza ainda não tinham tido como contá-las.
Segundo a televisão israelense "Canal II", dezenas de milicianos palestinos teriam morrido nos primeiros confrontos com soldados israelenses, após o início da invasão.
A emissora cita "fontes militares", embora a informação não seja confirmada por porta-vozes oficiais do Exército israelense.
A emissora de TV israelense "Canal 2" informou que dezenas de milicianos palestinos morreram nos primeiros confrontos com soldados israelenses após o início da invasão de Gaza Exército de Israel. A emissora cita "fontes militares", e pouco depois um oficial israelense confirmou à agência de notícias France Presse que dezenas de palestinos armados foram mortos nas primeiras horas da invasão terrestre.
O objetivo da operação por terra, segundo uma nota do Exército israelense, é "dar um duro golpe no Hamas" e reduzir o número de ataques da faixa de Gaza contra o território de Israel. A nota assinala que "os residentes de Gaza não são o objetivo da operação. Aqueles que usam os civis, os idosos, as mulheres e as crianças como escudos humanos são responsáveis de todos os danos à população civil".
A nota adverte, no entanto, que "qualquer pessoa que esconder armas ou um terrorista em sua casa será considerada um terrorista".
Milhares protestam contra Israel na Europa

Carro incendiado em Paris, onde mais de 20 mil pessoas se reuniram na Praça da República contra os ataques de Israel a Gaza
Milhares de pessoas foram às ruas de várias cidades europeias neste sábado para protestar contra os ataques de Israel contra a faixa de Gaza. A manifestação mais violenta ocorreu em Atenas, na Grécia, onde a polícia dispersou com gás lacrimogêneo centenas de manifestantes gregos e árabes que protestavam em frente à embaixada de Israel, segundo a imprensa local.
Na capital grega, cerca de 3.000 pessoas de diversas organizações, palestinas, muçulmanas e gregas, e seguidores de partidos de esquerda participaram das concentrações diante do Parlamento e a marchas às embaixadas de Israel e EUA em Atenas.
Em Madri, houve passeatas autorizadas e não autorizadas contra os ataques de Israel. A primeira reuniu 2.000 pessoas em frente ao Ministério de Relações Exteriores da Espanha, pedindo que o governo chame a consultas seu embaixador em Israel, através de um abaixo-assinado que contou com artistas como os atores Javier Bardem e Pilar Bardem e os cineastas Fernando Colomo e Iciar Bollaín.
Na segunda manifestação, centenas de manifestantes, a maioria de origem árabe, se concentraram em frente às embaixadas de Israel e dos Estados Unidos, reivindicando "uma nova Intifada" e queimas de bandeiras israelenses.
Na Alemanha, manifestações em Berlim e em Dusseldorf reuniram, respectivamente, 5.000 e 4.000 pessoas, segundo a polícia, além de haver outros protestos, em cidades como Karlsruhe.
Quatro pessoas foram detidas por provocar os manifestantes que, em sua maioria, pediram abertura das fronteiras da Faixa para entrada de ajuda humanitária e o fim dos ataques israelenses em retaliação ao Hamas.
Um manifestante, porém, foi preso por mostrar em um cartaz símbolos proibidos na Alemanha, informou a polícia.
Na França, passeatas reuniram de 20 mil a 25 mil pessoas em diversas cidades, como Marselha, Nantes, Toulouse, Lyon, Bordeaux e Nice, além de Paris. Na capital francesa, milhares de manifestantes iniciaram uma passeata na Praça da República pouco após as 15h (12h de Brasília).
A organização da passeata denominou-se como "Coletivo Nacional por uma paz justa e duradoura entre Palestinos e Israelenses", que agrupam organizações sociais, partidos políticos de esquerda e sindicato.
Diversos cartazes, no entanto, diziam frases como "Israel assassina meu filho" e "Israel homicida, Sarkozy cúmplice", sem menção ao início dos ataques nem à quebra do cessar-fogo pelo grupo palestino Hamas.
Frases semelhantes foram cantadas na Itália, onde algumas das 15 manifestações tiveram protestos mais violentos, como em Milão, onde alguns jovens palestinos mostraram bandeiras com a estrela de David, símbolo do judaísmo, junto à suástica e queimaram bandeiras de Israel. Já em Turim, algumas pessoas jogaram ovos na sede da associação Itália-Israel.
Um comentário:
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