Foguetes do Líbano contra Israel elevam temor de nova guerra

BEIRUTE - Pelo menos três foguetes Katiushas foram disparados na manhã desta quinta-feira, 8, contra o norte de Israel vindos do sul do Líbano, aumentando o temor de que o país árabe possa ser arrastado para uma nova guerra com o vizinho. Como medida de segurança, o sul do Líbano foi colocado em alerta máximo. Várias escolas tiveram suas aulas canceladas, e há notícias de que moradores que vivem nas cidades ao longo da fronteira já estariam deixando suas casas e rumando para o norte.

Em 2006, Israel e o Hezbollah lutaram um violento conflito que matou 1.200 libaneses, a maioria civis, e 160 israelenses, a maioria militares. Segundo as autoridades israelenses, os foguetes não causaram vítimas, mas deixaram duas pessoas feridas e outras em estado de choque. Recentemente, Israel já havia declarado que retaliaria qualquer ataque vindo do Líbano. Após o ataque, que atingiu a região da cidade israelense de Nahariya, o Exército de Israel lançou um breve fogo de artilharia, atingindo os arredores das cidades libanesas de Dhaira e Tair Harfa, sem deixar vítimas.

Os ataques vindos do Líbano ocorreram após uma das noites de ataques mais intensas desde que a ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza começou com 60 ataques aéreos contra alvos que, segundo o governo israelense, incluem um depósito de armas do Hamas e túneis perto da fronteira com o Egito que seriam usados para o contrabando de armas.

O Exército libanês e tropas das forças de paz da ONU (UNIFIL) realizaram patrulhas para tentar identificar os autores dos disparos. O Hamas negou que tenha disparado contra Israel a partir do Líbano. A imprensa local especulou que a fação Frente Popular para a Libertação da Palestina - Comando Geral (FPLP-CG), do líder Ahmad Jibril, poderia estar por trás do ataque. Jibril não confirmou nem negou a autoria do ataque.

Tensão


Desde que a ofensiva israelense em Gaza começou, há 13 dias, libaneses temem que o Hezbollah possa atacar o território israelense, abrindo uma segunda frente de combate para Israel. O líder do grupo xiita disse na quarta-feira em discurso que suas forças estavam em alerta máximo e prontas para lutar contra Israel em caso de agressão. Foi a primeira vez que Nasrallah falou da possibilidade de uma nova guerra com os israelenses.

Antes disso, Nasrallah se limitava a criticar Israel, os países árabes e a comunidade internacional por nada fazer em favor dos palestinos. O Hezbollah, assim como o Hamas, recebe forte apoio político e militar de Síria e Irã, países considerados inimigos por Israel.

Nos últimos dias, os militares libaneses e da Unifil (a força da ONU no sul do Líbano) estavam em alerta, realizando mais patrulhas para evitar que ataques fossem realizados contra Israel no sul do país. O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, já havia declarado que se Israel atacasse o sul do Líbano, o governo entenderia como um ataque à todo o Líbano.

Pressão


Após a guerra entre Hezbollah e Israel, em 2006, o grupo xiita tem estado sob enorme pressão de seus rivais políticos no Líbano para se desarmar. Atualmente, o Hezbollah faz parte de um governo de união nacional com poder de veto sobre decisões importantes. Em fevereiro de 2008, um alto comandante militar do grupo xiita, Imad Mughniyeh, foi assassinado em um atentado com carro-bomba em Damasco, na Síria. O Hezbollah culpou Israel pela morte de Mughniyeh e jurou vingança.

Em novembro, sete foguetes Katiushas foram encontrados no sul do Líbano por tropas da ONU e Exército libanês. Eles estavam programados e prontos para serem disparados contra Israel. O Hezbollah, então, pediu uma séria investigação sobre o incidente e negou ter posicionado os foguetes.

Ministros de Israel e do Líbano negaram nesta quinta-feira, 8, o envolvimento do grupo militante xiita Hezbollah no ataque lançado contra o norte de Israel a partir do território libanês. Segundo o ministro da Informação do Líbano, Tareq Mitri, o Hezbollah assegurou que está comprometido com a estabilidade no país e respeita a resolução da ONU que encerrou o conflito entre os dois países. Um ministro do gabinete israelense culpou grupos palestinos no Líbano pelos foguetes e afirmou que este parece ser um ataque "isolado".

"Esperávamos isto", disse Rafi Eitan, ministro do gabinete do premiê Ehud Olmert, ao Canal 2 israelense. Eitan disse que Israel acredita que palestinos lançaram os foguetes, e não os guerrilheiros xiitas do Hezbollah, contra os quais Israel travou uma guerra em 2006. "A responsabilidade recai totalmente sobre o governo libanês", acrescentou.

O governo do Líbano criticou os foguetes lançados do sul do país contra Israel na quinta-feira, dizendo que foi uma violação da resolução do Conselho de Segurança da ONU que suspendeu a guerra entre o Estado judeu e o Hezbollah, em 2006. O comunicado do primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, foi divulgado depois que pelo menos três foguetes lançado do Líbano atingiram o norte de Israel, ferindo duas pessoas. O ataque pode ser relacionado à ofensiva israelense na Faixa de Gaza. Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelos foguetes e Israel lançou um ataque no sul libanês, em retaliação.

A breve agressão entre os dois lados foi a primeira desde que Israel lançou uma ofensiva contra o grupo militante Hamas, na Faixa de Gaza, em 27 de dezembro. Gaza fica na fronteira sul de Israel, e o Líbano, ao norte. As novas agressões devem aumentar as tensões entre o grupo militante xiita Hezbollah, do Líbano, seu aliado Hamas e Israel. O primeiro-ministro libanês convocou uma investigação sobre o caso. Israel respondeu aos foguetes disparando sua artilharia contra o Líbano. A resolução 1701 do Conselho de segurança da ONU pôs fim à guerra de 34 dias entre Israel e o Hezbollah.

O ministro da Informação do Líbano, Tareq Mitri, disse na quinta-feira que não acredita que o Hezbollah seja responsável pelo lançamento de foguetes contra Israel no sul do país, de acordo com um assessor. "O Hezbollah garantiu ao governo libanês que continua comprometido com a estabilidade no Líbano e respeita a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU", disse Mitri, segundo o chefe de seu gabinete, Toufic Yannieh. Mitri afirmou que isso significa que o Hezbollah não está envolvido no ataque, segundo Yannieh.

disse que esperam o resultado das investigações do Exército libanês e da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul), mobilizada no sul do país para evitar uma escalada da violência entre Líbano e Israel. "Ninguém aceita o que aconteceu, não para proteger Israel, mas para preservar o Líbano, sua estabilidade e sua segurança", acrescentou o responsável xiita.


Interesses do Hezbollah



A decisão do Hezbollah de abrir uma nova frente no conflito entre Israel e o Hamas depende do que o grupo xiita libanês considere mais importante - seus interesses domésticos, no Líbano, ou externos, ligados ao Irã. Até agora, com a calma prevalecendo na fronteira do Líbano com o norte de Israel, as questões internas libanesas têm prevalecido. O problema é que uma declaração do líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, reviveu a possibilidade de sua organização lançar uma ofensiva contra Israel, aproveitando a vulnerabilidade do Exército israelense, completamente mobilizado para as operações na Faixa de Gaza.

"Estamos preparados para todas as possibilidades de agressão. Os sionistas descobrirão que a guerra que eles travaram em julho (de 2006, no sul do Líbano) foi um passeio no parque se comparado ao que preparamos para uma nova agressão", disse Nasrallah em uma importante data para os xiitas, que marca a Ashura, um festival no qual os participantes se autoflagelam.

O Hezbollah tem o apoio de quase a totalidade da população xiita do Líbano, que representa cerca de 40% de toda a população do país. Atualmente, o partido lidera a oposição, mas, após um acordo com a coalizão governista (liderada por sunitas), passou a fazer parte de um governo de união nacional que tem o objetivo de evitar uma nova guerra civil no Líbano. Este acordo é frágil e os dois lados possuem enormes diferenças. Mas, nos últimos meses, foram abertos canais de diálogo. Nesta semana, o principal líder sunita e rival do grupo xiita deu garantias para a imprensa libanesa de que o Hezbollah não atacará Israel.

A organização xiita também teria seus próprios interesses políticos prejudicados em caso de um confronto. O Hezbollah é aliado de uma facção cristã - contrária a confrontos com Israel - que será fundamental para que o partido consiga vencer as eleições parlamentares marcadas para junho. Há ainda complicações logísticas, já que, apesar de mais bem armado do que em 2006, hoje o Hezbollah não atua com liberdade total no sul do Líbano, onde existem mais de 10 mil membros da Unifil (Força de Paz da ONU) e outros milhares de militares libaneses.

No cenário externo, o Hezbollah recebe a maior parte do seu apoio do Irã, além de ser aliado da Síria. As operações militares do grupo são coordenadas com Teerã. Outro problema do grupo xiita é que seu principal comandante militar, Imad Mughnyieh, foi morto na explosão de um carro-bomba em Damasco no ano passado e o Hezbollah não conseguiu substituí-lo.

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