Exército israelense se prepara para invadir áreas urbanas e populosas de Gaza

Gaza death toll rises as Israel pounds Hamas

Os ataques aéreos prosseguem



As Forças de Defesa israelenses se preparam nesta segunda-feira para invadir as áreas urbanas e mais populosas da faixa de Gaza, no terceiro dia consecutivo da ofensiva terrestre contra alvos do movimento islâmico radical Hamas na região.

Segundo um oficial de segurança, citado em reportagem do jornal israelense "The Jerusalem Post", as tropas já completaram sua missão no norte de Gaza e agora circulam na fronteira da Cidade de Gaza no aguardo da nova fase da ofensiva terrestre.

A nova etapa, na maior cidade do território palestino, significaria um combate urbano com ainda mais destruição e vítimas civis. Significaria também um desafio ainda maior para as tropas israelenses que enfrentariam os cerca de 20 mil militantes do Hamas em locais que eles conhecem muito bem.

"Isto é o que as tropas treinaram para fazer e para o que somos designadas: lutar em áreas densamente povoadas", disse o oficial, que não quis se identificar. Segundo o jornal, no último ano, todas as unidades que foram convocadas para combates em Gaza passaram por intenso treinamento no Centro de Treinamento de Tropas Terrestres do COmando Urbano das Forças de Defesa israelenses, em Tze elim.

No local, continua o jornal, as Forças de Defesa montaram uma maquete da cidade palestina, onde as tropas treinam como operar em áreas populosas.

"Nós construímos modelos para eles criarem para as tropas locais que estarão dentro de Gaza", disse o oficial. "Há lugares que imitam mercados e campos de refugiados densamente povoados".

Paz


O ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que a ofensiva terrestre continuará até que o país conquiste a "paz e tranquilidade" para os moradores do sul de Israel, principal alvo do contra-ataque de foguetes do Hamas.

Mesmo após dez dias consecutivos da grande ofensiva militar --que deixou mais de 500 palestinos mortos, incluindo um número crescente de civis, e cerca de 2.500 feridos--, o Hamas continua lançando dezenas de foguetes contra o sul do país.

Segundo Israel, a ofensiva militar é justamente uma resposta à violação --com o lançamento constante de foguetes-- do Hamas da trégua de seis meses assinada com Israel e que acabou oficialmente no último dia 19.

Israel e Hamas fazem ainda um confronto psicológico envolvendo a população palestina. Israel pede que os palestinos se unam contra o Hamas, que "usa crianças e mulheres como escudos". Já o grupo radical pede que os palestinos "esmaguem" os invasores e ataquem civis israelenses como represália à ofensiva.

Barak afirmou ainda que todos os objetivos das tropas israelenses até o momento foram alcançados e confirmou que o Exército está agora cercando parcialmente a Cidade de Gaza.

Ele afirmou ainda que a maior parte dos mais de 500 palestinos mortos durante a ofensiva são militantes do Hamas, assim como boa parte dos 2.500 feridos.

"Não há entusiasmo pelo derramamento de sangue. Nós estamos fazendo o que qualquer nação que ama a paz faria por seus cidadãos, e isso significa protegê-los", disse Barak

O ministro expressou suas condolências pelo soldado morto e pelos outros 12 feridos, mas reiterou que a missão continua até que a paz seja restaurada no sul.

"O objetivo é simples. Sem atividade terrorista em Gaza, seja contra civis, seja contra nossos soldados, uma mudança drástica no contrabando de armas e paz no sul [de Israel]".

Ataques e vítimas

Enquanto se prepara para a nova etapa do confronto terrestre, as forças de Israel entraram em casas, mesquitas e túneis da faixa de Gaza em bombardeios aéreos, navais e por terra que mataram ao menos sete crianças. Segundo a agência internacional de notícias Efe, ao menos 23 palestinos, todos eles civis, morreram nesta segunda-feira nos diferentes bombardeios israelenses.

Treze deles morreram em Gaza, quando sua casa foi bombardeada por um tanque durante uma incursão a partir do antigo assentamento de Netzarim, a 3 quilômetros da capital da faixa de Gaza e onde estão as tropas israelenses, disse o responsável do serviço de emergência do território palestino, Moawiya Hassanein.

Outros sete membros da mesma família morreram quando a casa onde moravam no campo de refugiados de Shati foi atingida por um projétil lançado por um navio de guerra israelense a partir da costa mediterrânea de Gaza, acrescentou.

Além disso, outros três civis morreram em um bombardeio na localidade de Beit Hanoun, no norte da faixa de Gaza, segundo Hassanein.

Os ataques aéreos atingiram, somente na madrugada desta segunda-feira, 30 alvos em Gaza. A Força Aérea israelense atacou de madrugada uma mesquita e diferentes túneis subterrâneos na fronteira com o Egito, enquanto os navios de guerra destroçaram edifícios litorâneos do Hamas e um bunker onde supostamente armazenavam foguetes palestinos, diz o Exército em comunicado.

O porta-voz do Exército afirmou ainda que muitos militantes do Hamas foram mortos quando um ataque israelense destruiu um lançador de foguetes, mas não soube especificar o número. Israel também atacou um local de combate antiaéreo e um suposto local de lançamento de foguete

Ação terrestre mata civis

A exemplo dos ataques aéreos que a antecederam, a incursão israelense que dividiu a faixa de Gaza ao meio durante o final de semana gerou um alto número de baixas entre os civis palestinos. Neste domingo, além de mesquitas e residências, houve ataques também contra o principal mercado da região, na Cidade de Gaza --elevando acima de 500 o número de palestinos mortos desde o início da ação de Israel, que registrou cinco mortes no mesmo período.

"Quantos bebês inocentes, crianças e civis mais têm que morrer antes de o Conselho de Segurança erguer a mão por uma resolução de paz?", indagou Chris Gunness, da agência humanitária da ONU.

Ele relatou que pacientes com ferimentos não-letais --incluindo gente que teve membros decepados durante os ataques-- eram mandados de volta para casa por falta de leitos e médicos em Gaza, cujas autoridades contabilizaram 64 civis mortos pela ação terrestre, que destruiu casas, motivando centenas de desabrigados a buscarem ajuda da ONU.

Na Cidade de Gaza, moradores contaram que a investida terrestre piorou as já combalidas operações de linhas elétricas, cabos telefônicos, saneamento básico e abastecimento de água. Antes da invasão, bombardeios israelenses, sob alegação de visar alvos do Hamas, atingiram prédios e infraestrutura públicos dos palestinos.

Neste domingo, a empresa que opera os telefones na faixa de Gaza alertou que a região pode perder contato com o mundo exterior em razão dos ataques, destacando que 90% do serviço de telefonia celular já parou.

Esse quadro, aliado ao fato de existirem regiões cercadas pelos militares acirra a desinformação dos civis. O correspondente da emissora britânica BBC na área, por exemplo, narrou não ter conseguido contato com parentes no campo de Jabaliya para indagar sobre um morador, um de seus primos, cuja morte havia sido noticiada antes numa rádio local.

Sua dúvida não foi a única sem resposta. "É comida. O que mais podemos fazer?", perguntou o palestino Lubna Karam no que sobrou de sua casa em Gaza antes de abrir uma lata de feijão, o único alimento que conseguiu prover para sua família de dez pessoas. Eles estão sem luz e sem gás de cozinha há uma semana e têm dormido no frio, pois as janelas da residência foram destruídas pelos bombardeios.

No sul da faixa de Gaza, que não foi palco de ação terrestre ontem, o refugiado Anas Mansour, morador do campo de Rafah, questionou vizinhos, que colocaram o que tinham numa carroça e partiram: "Para onde podemos ir? É tudo igual". Mesmo assim, ele disse que tem dormido sempre vestido e com os documentos no bolso, caso precise sair rapidamente de casa em emergência.

Como o bloqueio à faixa de Gaza impede a entrada de jornalistas, os relatos provenientes da área palco do conflito são de moradores da região que lá estavam antes do fechamento das fronteiras do território palestino com Israel.

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