Mais de 600 palestinos morreram e outros 2,9 mil ficaram feridos desde o início da ofensiva israelense, há 11 dias
GENEBRA - O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, em inglês) qualificou a situação na Faixa de Gaza como uma "crise humanitária plena do tipo mais grave". O chefe de operações da organização, Pierre Krahenbuhl, disse nesta terça-feira, 6, em Genebra que a vida das pessoas na Faixa de Gaza se tornou intolerável depois de dez dias de combates ininterruptos, e que é necessário fazer muito mais para proteger os civis.
Mais de 600 pessoas foram mortas e outras 2.900 ficaram feridas na ofensiva, iniciada em 27 de dezembro, incluindo mais de 100 civis. "As informações que tivemos é que na noite passada ocorreram os bombardeios e operações militares mais intensas. As pessoas passaram a noite em um único quarto, com muito medo, com medo de deixar seus filhos irem ao banheiro, apenas porque querem sobreviver", afirmou.
"Isto destaca o impacto desta operação entre os civis, na infra-estrutura civil em uma área densamente habitada como a Faixa de Gaza", continuou Krahenbuhl. "Pedimos a todas as partes, especialmente a Israel, que faça mais para permitir que o Crescente Vermelho palestino e outros serviços médicos façam seu trabalho e salvem vidas", disse.
O movimento de ambulâncias e funcionários humanitários continua extremamente difícil e perigoso, segundo o veterano suíço da ajuda humanitária, apesar "da disposição declarada das autoridades israelenses de facilitar a realização de atividades humanitárias."
Para Pierre Krahenbuhl, o número de civis chegando aos hospitais da Faixa de Gaza é uma indicação clara de que é preciso fazer mais para proteger os civis. O chefe de operações da Cruz Vermelha pediu por "momentos de calma" durante a operação para permitir que ambulâncias e suprimentos entrem no território.
O representante da ICRC também afirmou que suas equipes médicas finalmente conseguiram entrar no território, uma equipe cirúrgica vai trabalhar em um hospital em Shifa para dar apoio aos médicos locais. Mas a equipe da Cruz Vermelha está sendo impedida de cumprir todos os seus deveres.
"Atualmente, o nível de insegurança dentro da Faixa de Gaza significa que, de fato, não conseguimos - e sentimos que nossos colegas da Cruz Vermelha Palestina também não conseguem - realizar totalmente as atividades que queremos", completou.
Caos
O acesso a atendimento médico na Faixa de Gaza piora a cada dia, disse Krahenbuhl. Dois hospitais estão prestes a ficar sem combustível para seus geradores, que são sua única fonte de energia. "Isto tem que melhorar nos próximos dias, senão a situação, que já é muito crítica, ficará caótica além do que imaginamos."
Segundo a correspondente da BBC em Genebra Imogen Foulkes, Krahenbuhl afirmou que teme também o possível uso de bombas de fragmentação na Faixa de Gaza. Israel usou este tipo de bomba há dois anos na operação no Líbano.
A agência sediada em Genebra não tem informações se civis palestinos estão sendo usados como escudos humanos - conforme alegado por Israel, que diz que o Hamas está disparando foguetes desde áreas densamente povoadas e armazenando armas em casas e mesquitas.
Israel lançou sua ofensiva depois de o Hamas ter posto fim a uma trégua de seis meses, no mês passado, e intensificado os disparos de foguetes, em resposta a investidas israelenses e o bloqueio da Faixa de Gaza.
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