
Avenida Paulista, em frente ao MASP
Neste ano de 2009, a primeira cobertura de asfalto do Estado de São Paulo completa cem anos. A primeira via asfaltada não poderia deixar de ser a mais simbólica da cidade --a Paulista. A avenida recebeu, em 1909, o primeiro asfaltamento, com material vindo da Alemanha. Cem anos depois, a via antes ocupada pelas carruagens dos barões, hoje é tomada por carros, motos, ônibus e pedestres, elementos que juntos se transformam no pior desafio para se atravessar a Paulista: o trânsito.
Em 2007 a avenida viu concluída uma das principais obras que recebeu nos últimos anos. O revestimento das calçadas, antes cobertas com mosaico português, foi trocado por concreto fundido --projeto que agradou pela acessibilidade, mas desagradou esteticamente. Nos fins de semana, graças às calçadas "lisinhas", os pedestres dividem o espaço com skatistas e patinadores. O pavimento também foi trocado e as calçadas centrais ganharam canteiros, a Paulista ganhou roupa nova.
Trânsito lento na avenida Paulista; congestionamentos pioram à noitePorém, a nova roupagem não esconde os problemas. E o trânsito ruim é o mais visível e incômodo. Quem pensa que passar pela Paulista para desviar de outra via congestionada é uma boa alternativa para não ficar "parado", pode se enganar.
Para o presidente da associação Paulista Viva, Nelson Baeta Neves, o tráfego de ônibus na avenida é o fator desencadeador dos congestionamentos. "O trânsito é o pior pior problema mesmo na Paulista. Precisa tirar o congestionamento de ônibus. Gera poluição ambiental, sonora, visual e adensamento dos veículos. O tráfego é absurdo não por causa dos carros, é por causa dos ônibus", disse.
Baeta Neves cita uma experiência que foi sugerida por Olavo Setúbal, ex-prefeito de São Paulo e presidente da associação de 1996 a 2001 e que foi aplicada na época.
"Quando ele [Setúbal] assumiu o prazo médio de intervalo entre os ônibus era de um minuto. Ele lutou e conseguiu chegar a um espaçamento médio de três minutos. Agora voltou tudo de novo. Não pode. A Paulista não é de escoamento de tráfego. É de tráfego local", afirmou Baeta Neves.
A solução proposta pela associação para melhorar o tráfego na Paulista é a retirada da circulação dos ônibus. Somente um circularia pela avenida, para aqueles que não puderem andar, de acordo com o presidente da associação. "Se tirar os ônibus a situação melhora bastante".
Calçadas novas, problemas velhos
A discussão para trocar os pisos das calçadas da Paulista durou anos. Em 2002, a prefeitura chegou a fazer um concurso para a escolha do novo pavimento. No entanto, com a mudança de gestão, o piso escolhido --que seria branco, preto e vermelho, as cores da bandeira de São Paulo-- foi preterido e deu lugar a um novo projeto, com concreto fundido.
A Paulista Viva, que apontou a necessidade da troca das calçadas, também apresentou um projeto à prefeitura, com placas de concreto pré-moldado, que seriam removidas com a necessidade de acessar o subsolo da avenida pelas concessionárias de serviços --como de telefonia e iluminação, por exemplo. A prefeitura recusou o projeto da associação.
No projeto sugerido pela Paulista Viva, as placas pré-moldadas teriam tratamento para facilitar a limpeza, afastamento umas das outras para penetrar água da chuva e seria facilmente retirada quando fosse preciso acessar o subsolo.
"É inexorável que as concessionários terão de acessar o subsolo e terão de quebrar [as calçadas]. A prefeitura disse que tem estoque do material e fará reconstituição do piso. Não fica igual, não dá a mesma tonalidade. Produto mais antigo fica diferente do mais novo. Se daqui a dois anos quebrar vai ficar parecendo que é remendo", disse Baeta Neves.
O presidente da associação diz que as reclamações sobre as calçadas praticamente terminaram. No período de obras, que levou aproximadamente seis meses, o volume das reclamações, principalmente sobre o barulho à noite, era imenso, segundo Baeta Neves.
"Se ficaram satisfeitas? Está todo mundo satisfeito. A satisfação é relativa. A calçada comparada com o que era, para atendimento da lei de acessibilidade, está perfeita. Portanto, para transformar a calçada em ponto de referência, para servir [de exemplo] para outras cidades, está muito a desejar", diz o presidente da Paulista Viva.
Além da calçada, a prefeitura também retirou as lixeiras dos postes e instalou estruturas de concreto para o lixo. Novas, as lixeiras já são alvos de vandalismo e algumas não são fechadas da maneira correta pelos funcionários da limpeza. As tampas abertas acabam atrapalhando o caminho dos pedestres.
Iluminação
Pedestre tenta desviar de tampa de lixeira na avenida PaulistaAs calçadas da Paulista também concentram outros problemas, como a iluminação noturna, ou a falta dela. Existem pontos de escuridão durante a noite nas calçadas da avenida. Um bom exemplo são as calçadas entre as ruas Pamplona e alameda Campinas.
A luz vinda dos postes altos privilegia o asfalto, em detrimento das calçadas. Segundo o presidente da Paulista Viva, existe um projeto da prefeitura para a troca dos postes centrais da avenida por postes que serão instalados na calçada, com duas hastes --uma voltada para a rua e outra para a área dos pedestres.
Sinalização
Galhos de árvores danificam totens que abriga semáforo em cruzamento da PaulistaTambém apresentam sinais de desgaste na Paulista uma de suas características mais marcantes: os totens que informam os nomes das ruas e sustentam alguns semáforos.
percorrendo-se a avenida, flagra-se a situação degradada dos totens, alguns faltando pedaços do revestimento, outros "tomados" por galhos de árvores, muitos com a base enferrujada e a maioria deles com pichações e adesivos.
A Prefeitura de São Paulo foi questionada sobre o projeto de troca dos postes e se há algum plano para a restauração dos totens, sem obter resposta.
A administração da avenida Paulista é dividia entre as subprefeituras da Sé (centro), Pinheiros (zona oeste) e Vila Mariana (região sul), além das secretarias também responderem por problemas que correspondem às suas pastas.
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