Assembleia Geral da ONU apoia cessar-fogo em Gaza

Trégua deve levar à retirada israelesen e à entrada sem impedimentos de ajuda em território palestino

NAÇÕES UNIDAS - A Assembleia Geral da ONU apoiou nesta sexta-feira, 16, a chamada a um cessar-fogo imediato em Gaza, que ponha fim ao conflito, leve à retirada das tropas israelenses e à entrada sem impedimentos de ajuda humanitária em território palestino. Enquanto isso, o governo israelense deve votar neste sábado, 17, uma proposta de cessar-fogo unilateral com o Hamas na Faixa de Gaza, informou o jornal Haaretz nesta sexta-feira.

A decisão significa que Israel poderá terminar sua operação militar na região sem um acordo com o Hamas, contando com o apoio dos Estados Unidos e do Egito para combater o contrabando de armas na fronteira.

A resolução, adotada após dois dias de debates pela ONU, recebeu o voto positivo de 142 dos 192 membros das Nações Unidas, e o negativo de quatro. Dos participantes, oito se abstiveram.

Os quatro votos contra foram de Israel, Nauru, Estados Unidos e Venezuela, este último por considerar que o conteúdo não era suficientemente enérgico, enquanto outros 38 países não registraram voto algum.

O texto da assembleia exige o cumprimento da resolução 1.860 adotada em 8 de janeiro pelo Conselho de Segurança, que pede um cessar-fogo imediato, durável e o respeito total à ordem.

O texto expressa também o apoio da assembleia às gestões que, desde quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, faz no Oriente Médio para conseguir uma cessação das hostilidades. A resolução presta ainda homenagem ao trabalho das agências das Nações Unidas na região.

A resolução foi fruto de uma longa negociação entre as delegações dos países árabes e da União Europeia (UE), cujos membros defenderam um texto que refletisse os atuais esforços da ONU para conseguir um cessar-fogo e que evitasse fugir dos parâmetros básicos do texto do Conselho de Segurança.

As mudanças introduzidas nessa negociação não foram bem recebidas por um grupo de países que desejavam conteúdos mais duros contra Israel.

Por isso, decidiram por um segundo texto, apresentado pelo Equador, o que provocou confusão e tensão entre os presentes.

O representante palestino perante a ONU, Riad Mansur, se viu obrigado a intervir para implorar que fossem deixadas de lado as divergências e se submetesse à votação o texto negociado com os europeus.

"Não há necessidade de divisões na Assembleia Geral para estabelecer quem é o que mais quer ajudar os palestinos", argumentou.

A votação aconteceu depois de dois dias de debate, nos quais as mais de 70 delegações que tomaram a palavra expressaram em sua maioria o apoio a um imediato fim da violência e à negociação de uma solução duradoura para o conflito.

Israel questionou a legalidade da reunião convocada e sua embaixadora na ONU, Grabriela Shalev, perguntou, durante seu discurso, onde estaria a condenação da assembleia aos "atos terroristas do Hamas", à Síria por acolher líderes do movimento radical islâmico e ao Irã por facilitar o acesso a foguetes.

Para Israel, ofensiva em Gaza está entrando no 'ato final'

JERUSALÉM - Depois da forte ofensiva lançada na quinta-feira por Israel contra a Faixa de Gaza, que provocou a morte do ministro do Interior do Hamas, Said Siam, o Exército prosseguiu nesta madrugada com ataques que atingiram mais de 40 alvos. Enquanto continuam os esforços diplomáticos para chegar a um cessar-fogo, o governo israelense considera que a ofensiva, que já dura três semanas e matou mais de 1.100 palestinos, poderá estar chegando a seu "ato final". "Os esforços diplomáticos estão a toda força... nós queremos que tudo isso acabe assim que possível", afirmou o porta-voz do premiê Ehud Olmert, Mark Regev. "Poderia haver uma reunião do gabinete de segurança e serão tomadas decisões a respeito", afirmou

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu, nesta sexta-feira, que Israel declare um cessar-fogo unilateral na Faixa de Gaza. Ban fez o apelo logo após se reunir com o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Salam Fayyad, em Ramallah, na Cisjordânia, e também depois de notícias de que negociações no Cairo estariam emperradas. Segundo a BBC, ainda nesta sexta-feira, o principal negociador israelense, Amos Gilad, volta a se reunir com mediadores egípcios no Cairo, e a ministra do Exterior, Tzipi Livni, se encontra com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em Washington. Enquanto isso, um dos principais líderes do Hamas, Khaled Meshaal, participa de um encontro da Liga Árabe em Doha, no Catar.Há informações de que o Hamas estaria oferecendo uma trégua de um ano se Israel se retirar da Faixa de Gaza e suspender o bloqueio ao território.

O porta-voz israelense voltou a insistir, no entanto, que Israel precisa ter certeza de que o grupo palestino Hamas não vai voltar a disparar foguetes após um cessar-fogo. "O minuto em que estivermos certos de que a solução não será apenas um 'band-aid', que haverá uma paz sustentável, vamos fazer a nossa parte", disse. Segundo fontes israelenses e ocidentais, Israel recusou algumas das condições impostas pelo Hamas para o estabelecimento de um cessar-fogo na Faixa de Gaza, incluindo sua duração e o gerenciamento dos cruzamentos de fronteira. As fontes israelenses e ocidentais, que falaram sob condição de anonimato, disseram que Israel se opôs ao estabelecimento de um limite para a duração do cessar-fogo. O Hamas propôs uma trégua de 12 meses renovável.

"Um limite de tempo para qualquer período de calma é um erro", disse uma fonte israelense. "Vimos isso quando a trégua anterior acabou, isso foi apenas uma desculpa para a escalada da violência", disse. Israel lançou sua ofensiva uma semana depois de o Hamas afirmar que não renovaria um cessar-fogo de seis meses na região. Israel afirma que os ataques têm o objetivo de pôr fim ao lançamento de foguetes lançados por integrantes do Hamas contra seu território. O Hamas afirma que Israel reconheceu que a violência aumentou após uma operação militar israelense em Gaza em 4 de novembro. O grupo reclama ainda que Israel não relaxou o bloqueio imposto à Faixa de Gaza durante o cessar-fogo.

Após cinco horas de debate em um gabinete reduzido do Executivo israelense na noite da quinta-feira, Gilad viajou pelo segundo dia consecutivo à capital egípcia, a fim de continuar negociando com as autoridades desse país a iniciativa para um cessar-fogo entre Israel e Hamas. "Não negociamos com o Hamas, mas com o Egito", reiterou o porta-voz do primeiro-ministro israelense. O Egito faz a mediação entre Israel e o movimento islâmico Hamas para tentar com que as partes aceitem o fim das hostilidades em Gaza e seus arredores.

A chefe da diplomacia israelense viajou na quinta para Washington com o objetivo de se reunir com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e assinar um memorando de entendimento sobre a necessidade do fim do contrabando de armas ao Hamas através da fronteira sul da Faixa de Gaza. Israel exige também do Egito garantias para impedir o livre fluxo de armas através da fronteira sul de Gaza, de cerca de 14 quilômetros, para o Hamas.


Reunião árabe


Uma reunião extraordinária dos ministros de Relações Exteriores dos 22 países da Liga Árabe começou no Kuwait para discutir a ofensiva militar israelense contra a Faixa de Gaza. Segundo a agência de notícias estatal, durante a reunião - presidida pelo rei saudita, Abdullah bin Abdelaziz - os representantes dos países ouvirão um relatório elaborado por uma delegação da Liga Árabe, que viajou a Nova York para participar das discussões no Conselho de Segurança da ONU sobre Gaza.

A ofensiva sobre Gaza aprofundou as divisões entre os Estados árabes, que não entram em acordo sobre como abordar esta crise. Prova disso é que, à parte da reunião do Kuwait, acontece uma cúpula de chefes de Estado, convocada pelo Catar, à qual decidiram não ir, entre outros, Egito, Jordânia e Arábia Saudita. A cúpula em Doha conta com a participação de dez Estados árabes, além de representantes do Irã, Turquia e de três facções palestinas, incluindo o Hamas e a Jihad Islâmica.


Israel fecha a Cisjordânia


Tropas israelenses atacaram novamente a Faixa de Gaza nesta sexta-feira, enquanto os militantes ofereceram um cessar-fogo condicional, em meio à ação diplomática pelo fim da guerra. O Exército bloqueou a Cisjordânia por 48 horas, após o Hamas convocar um "dia de ódio" contra a ofensiva em Gaza. O anúncio foi feito depois que o grupo islâmico Hamas convocou os palestinos a observar um "dia de ódio", realizando protestos depois das orações semanais da sexta-feira. Os seguidores do grupo Fatah, do presidente palestino Mahmud Abbas, também foram convocados a realizar manifestações contra a ofensiva israelense.

Na quinta-feira, um dos principais líderes do Hamas, o ministro de Interior, Said Siam, foi morto em um ataque aéreo. Siam é o mais importante líder do Hamas morto na ofensiva. Ele era um linha-dura, responsável por monitorar a criação da força policial do movimento e figura fundamental para a operação na qual o Hamas expulsou em 2007 as forças leais ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que agora controla somente a Cisjordânia.

Os militares lançaram cerca de 40 ataques contra o Hamas nesta sexta-feira, contra os militantes, túneis e uma mesquita suspeita de ser usada para estocar armas, segundo o Exército. Nas primeiras horas do dia, tanques israelenses se retiraram de Tal Al-Hawa, bairro em Cidade de Gaza, onde houve confrontos nos últimos dias que destruíram partes de uma área residencial e deixaram um hospital em chamas.

Todos os alimentos no armazém da ONU foram destruídos. A ajuda seria distribuída entre grande parte do 1,5 milhão de habitantes do território palestino que enfrenta uma crise humanitária desde o início do conflito, dia 27. Bombeiros lutavam para apagar o incêndio que destruiu o prédio.

Israel já havia disparado contra escolas da ONU no atual conflito matando mais de 40 pessoas. Um caminhão que levava ajuda humanitária também já foi atingido. John Ging, diretor de Agência da ONU para Refugiados em Gaza, criticou o ataque e acrescentou que centenas de pessoas que se abrigavam no prédio foram obrigadas a retirar-se. A ONU afirmou ainda que os israelenses usaram bombas de fósforo que é incendiária e causa graves ferimentos. Após o bombardeio, o fogo espalhou-se por tanques de combustível provocando explosões secundárias.

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