agência de classificação de risco Standard & Poor's reduziu a nota da dívida soberana a longo prazo da Rússia, de BBB+/A-2 a BBB/A-3, com perspectiva negativa, segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira.
A Standard & Poor's justifica a decisão por uma brusca saída de capitais motivada pela crise econômica mundial, que aumentou os custos e a dificuldade do país para enfrentar as necessidades externas de financiamento, segundo o comunicado.
A crise econômica mundial tem afetado a Rússia com uma fuga de capital estrangeiro, perdas de empregos, uma desvalorização gradual do rublo e uma contração do crédito.
Na semana passada, outra agência de classificação de risco, a Fitch Ratings, informou que 2009 será um ano de "severa recessão global" devido aos efeitos da contração de crédito, da retração no consumo e pela queda nos investimentos feitos pelas empresas. O PIB (Produto Interno Bruto) das economias mais desenvolvidas --EUA, Reino Unido, zona do euro e Japão-- sofrerá um declínio de 0,8% no próximo ano e as economias dos países emergentes não escaparão da crise.
"A combinação de recessão nos países desenvolvidos, preços das commodities em baixa e redução no fluxo internacional de capitais vai resultar em uma aguda desaceleração no crescimento dos mercados emergentes", informou a Fitch em um relatório, embora não preveja uma recessão para esses países.
No mês passado, a Fitch revisou sua perspectiva para os "ratings" soberanos do México e do Chile, mas manteve seu panorama para as notas do Brasil e do Peru. "A recessão global, os preços das commodities [matérias-primas] em queda e condições internacionais de liquidez mais restritas devem afetar as economias latino-americanas do tipo 'investment grade' em graus variados", segundo Shelly Shetty, a diretora-sênior da agência da Fitch para ratings soberanos da América Latina.
"Investment grade"
Em maio, o Brasil alcançou o feito inédito ao entrar para o grupo dos países com investment grade --o grau de investimento. Com a nota, concedida primeiramente pelo Standard & Poor's, o Brasil poderá receber recursos de grandes fundos internacionais que só têm autorização para investir em mercados que já conquistaram essa chancela de bom pagador.
No final do mesmo mês, a agência de classificação de risco Fitch Ratings também elevou a nota do Brasil para grau de investimento. Para a terceira grande agência de classificação, a Moody's, a dívida pública brasileira ainda é um dos principais empecilhos à melhora na avaliação do "rating" soberano do país.
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