Israel mantém ataques aéreos a Gaza

CNN COVERAGE

Os ataques de Israel à faixa de Gaza devem continuar nesta segunda-feira. Por volta da 0h desta segunda-feira (20h de domingo pelo horário de Brasília), aviões de guerra israelenses bombardearam a Universidade Islâmica, que é considerada um reduto e símbolo cultural do grupo radical islâmico Hamas. No fim da noite de domingo foram atacados ainda um prédio da cidade de Gaza e um acampamento de refugiados de Jebalia.

Os ataques são o último episódio da grande ofensiva que Israel lançou contra a faixa de Gaza neste sábado (27) e que já matou mais de 270 pessoas. De acordo com a agência de notícias Reuters, o número de mortos já chega a 298 e, segundo a agência France Presse, passa de 300. Trata-se da pior ofensiva realizada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Neste sábado, as autoridades de Israel afirmaram que a operação em Gaza não tem data para acabar e que poderá ser intensificada, dependendo da evolução do conflito. Israel afirma que a ofensiva é uma resposta ao lançamento de foguetes por parte do grupo radical islâmico Hamas contra o sul do Estado. Segundo Israel, os ataques do Hamas se tornaram freqüentes desde o último dia 19, quando acabou uma trégua de seis meses entre ambas as partes.

Na ocasião da expiração da trégua, o Hamas se recusou a renová-la por julgar que Israel não cumprira com seus compromissos de cessar ataques e de reabrir a fronteira com Gaza.

De acordo com a Força Aérea de Israel, na ofensiva já foram atacados 230 alvos do Hamas, entre edifícios, arsenais e zonas de lançamento de foguetes. Neste domingo, Israel reforçou as tropas posicionadas na fronteira com Gaza e aprovou a convocação de 6.500 reservistas ao trabalho, o que indica que deverá haver ataques por terra, em breve.

Neste domingo, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum, acusou Israel de "cometer Holocausto aos olhos do mundo inteiro, que não mexeu um único dedo para evitar a ofensiva" e disse que o grupo "se reserva o direito de responder a essa agressão com operações de mártires", ou seja, atentados suicidas.

O ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmed Abul Gheit, declarou que o país tentará negociar um cessar-fogo entre Israel e Hamas.


Tanque israelense posicionado na fronteira com a porção norte da faixa de Gaza, onde Estado realiza ofensiva



Hizbollah


O líder do grupo xiita libanês Hizbollah, xeque Hassan Nasrallah, pediu neste domingo, em um pronunciamento realizado por videoconferência a milhares de pessoas, no sul de Beirute, que o governo do Egito abra a fronteira com Gaza. Ele convocou os egípcios a abrirem a fronteira com as próprias mãos, se o governo rejeitar o pedido.

Para ele, com a fronteira aberta, a "resistência palestina" será capaz de enfrentar os ataques de Israel como o Hizbollah fez, durante 34 dias, em 2006, frustrando uma ofensiva israelense. "Se Gaza resistir dias ou semanas, o ataque cessará, porque o inimigo não suportará muito tempo uma guerra."

Segundo Israel, desde o início da ofensiva, o Hamas lançou 110 foguetes com direção àquele Estado, matando uma mulher e ferindo outras quatro pessoas. Os foguetes atingiram regiões às quais nunca tinham chegado, como a cidade portuária de Ashdod.

População

Neste domingo, a organização humanitária britânica Oxfam advertiu que o ataque israelense pode deflagrar uma crise humanitária em Gaza. "Centenas de milhares de pessoas em Gaza dependem da Oxfam e de outras organizações internacionais para receber seus produtos de sobrevivência básica, como água potável e comida", disse John Prideaux-Brune, responsável pela Oxfam em Jerusalém.

O enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Oriente Médio, Robert Serry, disse à agência de notícias France Presse que Israel permitiu, ainda neste domingo, a passagem de 21 caminhões com utensílios médicos e grãos para a população de 1,5 milhão de pessoas do empobrecido território palestino.

Para a Anistia Internacional (AI), os ataques são ilegais, porque há "uso desproporcional da força por parte de Israel". "A escalada da violência ocorre em um momento no qual o povo enfrenta uma luta diária pela sobrevivência devido ao bloqueio israelense, que impediu até a entrada de comida e remédios em Gaza", divulgou a organização.

Cerca de 40 túneis entre Gaza e Egito usados pela população para contrabandear produtos foram destruídos neste domingo.

Nesta segunda-feira, Israel promete permitir a ida de cem caminhões de ajuda humanitária a Gaza por meio das passagens Karni, Nahal Oz e Kerem Shalom. Nas cargas, enviadas por Turquia, Jordânia e diversas ONGs internacionais, há bolsas de sangue, alimentos básicos, equipamentos médicos, dez ambulâncias e combustível.

Outra importante organização internacional, a Cruz Vermelha, alertou sobre a lotação dos hospitais de Gaza, incapazes de lidar com tantas vítimas. Por toda Gaza, famílias colocam tradicionais tendas de velório nas portas de suas casas --as cadeiras, porém, ficam vazias porque as pessoas estão escondidas, temendo novos bombardeios.


No mundo islâmico, multidões protestam contra Israel


BEIRUTE - Multidões compostas por milhares foram às ruas das cidades do Oriente Médio neste domingo, 28, para protestar contra o ataque aéreo de Israel a instalações do grupo extremista Hamas da Faixa de Gaza.

Do Líbano ao Irã, os inimigos de Israel usaram a ofensiva para levar multidões às ruas em manifestações ruidosas. E entre os aliados regionais do Ocidente, também houve manifestações de desagrado: o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, referiu-se ao ataque aéreo como um "crime contra a humanidade".

Diversos dos protestos deste domingo degeneraram em violência. Um grupo de manifestantes na cidade iraquiana de Mossul se tornou vítima de um ciclista-bomba.

No Líbano, a polícia usou gás lacrimogêneo para impedir que dezenas de manifestantes chegassem à Embaixada do Egito. Alguns membros da multidão atiraram pedras contra o prédio. Não está claro se alguém se feriu.

O Egito vem sendo criticado por não se esforçar o bastante para levar ajuda humanitária a Gaza, região com a qual mantém fronteira.

Mais cedo, na capital libanesa, um representante do Hamas levantou uma multidão de mil pessoas com bandeiras do Líbano e da Palestina, prometendo vitória e descartando rendição. Seu discurso arrancou gritos de "Morte a Israel" do público.

Na capital da Síria, mais de 5 mil pessoas fizeram passeata até a praça Youssef al-Azmeh, no centro de Damasco, onde queimaram bandeiras de Israel e dos Estados Unidos. na capital da Jordânia, Amã, cerca de 5 mil advogados foram ao Parlamento para exigir a expulsão do embaixador israelense. "Não à paz, sim ao rifle", repetiam.

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